segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mário Couto, derrotado no Pará e “amigo próximo” do Aécioporto, é muso inspirador do impeachment



por : Kiko Nogueira

Antes mesmo daquele velho cantor barbudo e verborrágico, as hordas que pedem o impeachment já
tinham um modelo, um homem que fez o que se espera de gente honrada: Mário Couto.
Em abril, o senador pelo PSDB do Pará protocolou um pedido de abertura de processo de 
impedimento de Dilma Rousseff em razão dos “prejuízos” causados pela compra da refinaria de 
Pasadena pela Petrobras.
Afirmava que a presidente cometeu crime de responsabilidade ao autorizar a operação em 2006, 
quando era presidente do conselho de administração.
É uma figura folclórica. A campanha deste ano teve uma mãozinha de Aécio Neves, que declarou num 
vídeo que se tratava “dos amigos mais próximos que fiz na política. A sua coragem, ao lado do seu 
amor ao Pará e a sua gente, serão decisivos para que nós possamos iniciar, no Brasil, rapidamente, um 
novo ciclo, onde a decência e a eficiência possam caminhar juntas. Eleger Mário Couto é eleger o lado 
bom da política brasileira.”
O protomuso do impeachment — que chamou, certa vez, os colegas de “ladrões” — tem uma carreira, 
para usar um eufemismo, controvertida. Apesar de Aécio usar o termo “decência” para se referir ao 
chegança, Couto está envolvido em diversos escândalos.
O mais recente se refere a doações de assessores parlamentares para senadores. Pelo menos 56 
funcionários deram aproximadamente 230 mil reais para seus chefes.
O principal beneficiário foi Mário Couto, que levou 71 mil reais de nove estafetas. Uma assessora 
garantiu ao Congresso em Foco que estava orgulhosa de doar mais do que o valor de seu salário.
“Tenho umas economias”, falou.
Em novembro de 2012, ele teve os bens bloqueados pela Justiça do Pará, acusado de improbidade 
administrativa. Segundo o Ministério Público, houve contratações suspeitas em sua gestão na
Assembleia Legislativa, entre 2003 e 2007. Uma empresa de tapioca foi acionada para prestar serviços 
de engenharia. Os desvios somavam 13 milhões reais. A história recebeu o sugestivo apelido de 
“tapiocouto”.
Edisane Gonçalves, que trabalhou como sua assistente-administrativa, também o denunciou por abuso 
de autoridade. Couto a teria chamado de “preta”, “safada”, “macaca” e “vagabunda”. De acordo com o 
Diário do Pará, Edisane fora agredida porque se recusou a fazer propaganda política. Vingativo, Couto 
teria perseguido o companheiro de Edisane, acusando-o de manter carne imprópria para consumo em 
seu açougue.
Com o impeachment na moda, o nome de Mário Couto foi relembrado. Aos fãs, ele deixou uma 
mensagem no Facebook: “Meu pedido foi apresentado à Câmara dos Deputados, mas não foi acolhido. 
Portanto, foi engavetado. Mas diante das muitas perguntas aqui, indico essa página para vocês 
começarem a mobilizar todas as pessoas insatisfeitas com o atual governo. Não vamos nos dispersar.”
Mesmo com a força de Aécio e a vaquinha dos funcionários, Mário Couto não se reelegeu. Mas a sua 
luta continua.
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