segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Eduardo Cunha, desperta ‘suspeitas de corrupção desde sua atuação no governo Collor’


Em 2009, a revista Época 
traçou um perfil revelador 
do então ‘noviço’ Eduardo 
Cunha, hoje candidato à 
presidência da Câmara. 
Leia abaixo:

Ele é um noviço entre os 513
deputados federais – exerce
o segundo mandato.
Mas está longe de ser
inexperiente. O deputado
Eduardo Cunha, do PMDB
do Rio de Janeiro, é um
fenômeno político.
Ironicamente chamado de
“alpinista do Congresso” por
colegas impressionados com
sua desenvoltura, em apenas
seis anos ele conseguiu vaga
cativa na ala dos caciques
peemedebistas, com direito a
tudo o que a política do toma-
lá-dá-cá costuma
proporcionar. De nomeações
de apadrinhados para
manusear verbas na máquina
pública federal ao controle
de comissões que ditam o
ritmo do Congresso.
O sucesso de Cunha chama a
atenção por um detalhe: seu
currículo, manchado por
suspeitas de corrupção desde
sua atuação no governo
Collor e no da família
Garotinho, no Rio, não
atrapalha suas pretensões.
Ele é um personagem cuja história
serve à perfeição para ilustrar a
crise de imagem que atinge o Congresso.
“Esse cidadão é fruto do Congresso medíocre que está aí, dominado
pelo baixo clero, em que a maioria dos parlamentares só pensa em defender seus próprios interesses”,
diz o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília. O próprio Eduardo Cunha
não é tão crítico em relação ao Congresso. “Já vi o Congresso mais débil do que está hoje. E se o
Congresso está ruim, é porque a sociedade está ruim”, diz ele.
O Congresso pode estar em baixa, mas o poder de Eduardo Cunha está em alta. Recentemente, ele foi
um dos artífices da eleição do presidente do PMDB, Michel Temer (SP), para a presidência da
Câmara.
Cunha lidera e manobra uma bancada particular de, pelo menos, 20 integrantes, que inclui deputados
de partidos menores, como o nanico PSC. “Não tenho deputados leais a mim. Faço parte de uma
bancada, a do PMDB do Rio, e decidimos tudo juntos”, afirma. Após ajudar na vitória de Temer,
Cunha obteve uma compensação generosa. Conseguiu indicar um de seus apaniguados, o deputado
Bernardo Ariston (PMDB-RJ), para a presidência da Comissão de Minas e Energia da Câmara,
encarregada de analisar projetos relacionados à exploração de petróleo e ao setor elétrico. Foi uma
conquista importante, numa área cara a seus interesses.
Aos 50 anos, bom de conversa, jeitão de acadêmico americano, Eduardo Cosentino da Cunha é casado
com a jornalista Cláudia Cruz, estrela da TV nos anos 1990. Tem quatro filhos. É formado em
economia. Não exerce a profissão, mas mantém o gosto pelos números. Em seu escritório político no
centro do Rio, sobre a mesa de trabalho, mantém um computador ligado a indicadores do mercado
financeiro. A afinidade com cotações de moedas estrangeiras e códigos de ações vem da profissão
original. Como economista, trabalhou na Xerox e na auditoria Arthur Andersen. Até que veio a
política. E com ela, os escândalos.
A lista de suspeitas é extensa. No ano 2000, a Receita Federal detectou incompatibilidade entre sua
movimentação financeira e o montante declarado ao Imposto de Renda. Em 2003, ele foi acusado de
achacar empresários do setor de combustíveis. Segundo a denúncia, levada ao então presidente da
Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Cunha e outros dois deputados estariam usando a Comissão de
Fiscalização e Controle para apresentar requerimentos de convocação de empresários, especialmente
de multinacionais de petróleo. Em troca da desistência da convocação, os empresários tinham de pagar
pedágio, dizia a denúncia. O então líder do PT, Nelson Pellegrino (BA), até hoje companheiro de
Cunha na base governista, chegou a declarar que havia uma “quadrilha” instalada na comissão. O
episódio não deu em nada.
Mais recentemente, Eduardo Cunha foi acusado também de envolvimento com o traficante colombiano
Juan Carlos Abadía. No plenário da Assembleia Legislativa do Rio, a deputada estadual Cidinha
Campos, do PDT, afirmou que Cunha vendera para Abadía uma casa em Angra dos Reis no valor de
US$ 800 mil. A casa teria sido recomprada, depois, por US$ 100 mil a menos. O negócio teria sido
feito por meio de laranjas, segundo Cidinha. Eduardo Cunha nega as acusações.
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