terça-feira, 11 de novembro de 2014

CARTA DE DEMISSÃO DE MARTA É O COLAR DE TOMATES DE ANA MARIA BRAGA


“A carta da Ministra Marta Suplicy é uma destas coisas cujo único sentido político é apequenar 
a sua autora”


O velho Brizola sempre dizia que o meio, muitas vezes, determinava o fim, ao contrário do notório “o 
fim justifica os meios”.
A carta da Ministra Marta Suplicy – que só sai no dia em que, justamente, pede-se a todos os ministros 
o gesto cortês de pedirem sua exoneração, para que Dilma Rousseff monte sem constrangimentos o 
ministério de seu segundo governo – é uma destas coisas cujo único sentido político é apequenar a sua 
autora.
O exercício de um cargo político, de confiança, obriga a quem o ocupa.
Quem não quiser ter o comedimento e o respeito que merecem aqueles que nos colocaram nesta 
condição, que não o aceite.
Aliás, se Marta quisesse, já senadora outra vez, subir à tribuna para desejar que Dilma esteja ” 
iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica 
independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo” não 
seria nada demais, apenas a manifestação de uma parlamentar sobre os rumos do governo.
Mas uma ministra de Governo pedir que se “resgate a credibilidade” do Governo que integra é, além 
de contraditório, estúpido e grosseiro.
Foi, se me permitem a metáfora, o “colar de tomates” de triste memória da apresentadora Ana Maria 
Braga.
Um exibir grosseiro de crítica que não tem coragem de assumir honestamente.
Mas o gesto é tolo, sobretudo, porque foi ela, Marta, quem desferiu com ele o pior golpe em sua 
própria credibilidade.
Nem entro no mérito de seus eventuais desentendimentos com Dilma.
Pode ou não ter razão, embora seu nome esteja longe de ser uma unanimidade na área cultural, depois 
destes anos de ministério, ao ponto de, durante a campanha, em reuniões com o setor, a presidenta 
ouvir coros de “Volta, Juca”, referindo-se ao ex-ministro da Pasta, Juca Ferreira.
Marta, porém, sai se oferecendo para o conservadorismo, sugerindo caminhos não para a Cultura, mas 
para a “equipe econômica”.
Quem acha que isso corresponde à posição que Lula possa ter na escolha do futuro ministro da 
Fazenda, está redondamente enganado.
É apenas ânsia da senadora a, de volta ao Parlamento, ocupar o lugar que Eduardo Suplicy deixou 
vago como petista sempre pronto a concordar com a oposição.
Há um pequeno detalhe a separar esta postura de Marta daquela que tem Lula, muito mais do que 
qualquer nome que venha a ser indicado.
Chama-se ética.
Lula é um simples “da Silva”, não é um Smith de Vasconcellos Suplicy e não estudou no chique 
Colégio Des Oiseaux nem no Sion, onde, ao que parece, não se ensina a velha expressão noblesse 
oblige.
Mas tem modos democráticos que faltam à ilustre senadora por São Paulo.
Aliás, que, ultimamente, parecem faltar a toda a elite paulistana.
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