Luis Nassif
A escolha dos novos Ministros da área econômica traz uma boa e uma má notícia.
A boa notícia é o critério na escolha dos dois Ministros indicados, Joaquim Levi e Nelson Barbosa.
Joaquim Levy é um economista sólido, um técnico que terá muito a acrescentar em duas áreas críticas
do governo Dilma: as contas fiscais e a gestão da dívida pública.
Nelson Barbosa, além do conhecimento sólido sobre a economia, na crise de 2008 revelou-se um
operador eficaz, montando a estratégia contra cíclica que impediu o país de afundar na crise mundial.
Teve que enfrentar, então, o peso morto do então presidente do Banco Central Henrique Meirelles.
Mas contou com a ajuda eficaz do diretor Alexandre Tombini – que, posteriormente, assumiu a
presidência do BC.
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A má notícia é que Dilma convidou-os, sem conferir, antecipadamente, se aceitariam o arranjo
A má notícia é que Dilma convidou-os, sem conferir, antecipadamente, se aceitariam o arranjo
proposto: Levi na Fazenda, Barbosa no Planejamento.
Teve que adiar o anúncio para o dia seguinte.
É ruim não pelo adiamento em si, mas por revelar que Dilma ainda não conseguiu superar sua maior
Teve que adiar o anúncio para o dia seguinte.
É ruim não pelo adiamento em si, mas por revelar que Dilma ainda não conseguiu superar sua maior
fragilidade: o modelo de decisão isolado, individual, que emperra toda a administração e leva a
decisões mal planejadas.
Na mesma semana, a presidente participou de reuniões do G20 – discutindo temas centrais para a
economia mundial -, recebeu parlamentares, concedeu entrevistas, foi ao velório do ex-Ministro Márcio
Thomaz Bastos, analisou o golpe aplicado pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
Antônio Dias Toffoli – redirecionando as prestações de conta do PT e da campanha de Dilma para
análise do notório Gilmar Mendes. E ainda pensou solitariamente na indicação da equipe econômica.
Não dá. Ou muda o estilo e se permite um conselho de assessores de confiança, ou não vai sair do
Não dá. Ou muda o estilo e se permite um conselho de assessores de confiança, ou não vai sair do
lugar.
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Inicialmente Barbosa recusou o Planejamento, por ter se imaginado na Fazenda. A diferença entre os
Inicialmente Barbosa recusou o Planejamento, por ter se imaginado na Fazenda. A diferença entre os
dois Ministérios está no controle dos bancos públicos: a Fazenda controla o Banco do Brasil e a Caixa
Econômica Federal; o Planejamento, o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e
Social), o BNB (Banco do Nordeste do Brasil) e o BASA (Banco da Amazônica S/A).
Provavelmente foi por aí que emperrou a negociação.
Provavelmente foi por aí que emperrou a negociação.
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Resolvidos esses problemas de espaço, e se não houver disputas de ego, Barbosa e Levi poderão
Resolvidos esses problemas de espaço, e se não houver disputas de ego, Barbosa e Levi poderão
compor uma dupla preciosa.
Ambos têm convicção sobre a importância de um estrutura de taxas de juros longas e civilizadas, para
Ambos têm convicção sobre a importância de um estrutura de taxas de juros longas e civilizadas, para
completar o ciclo de remanejamento da poupança privada para o longo prazo.
Barbosa estudou os novos títulos privados, capazes de permitir o financiamento da infraestrutura, e tem
Barbosa estudou os novos títulos privados, capazes de permitir o financiamento da infraestrutura, e tem
ótima interlocução com o setor real da economia; Levy é um especialista na estrutura de títulos
públicos, com boa entrada no mercado.
Por outro lado, Barbosa tem uma visão técnica e política (no sentido das restrições políticas) da
estrutura de gastos públicos; e Levy é um técnico meticuloso, no cálculo dos impactos de decisões
sobre as contas públicas.
O terceiro membro do tripé será o presidente do Banco Central Alexandre Tombini.
Pautado, é um assessor de peso – como demonstrou na crise de 2008, na qual se transformou no
principal interlocutor do BC junto à Fazenda.
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Já as nomeações de Katia Abreu para o Ministério da Agricultura e de Armando Monteiro para o de
Já as nomeações de Katia Abreu para o Ministério da Agricultura e de Armando Monteiro para o de
Desenvolvimento, Indústria e Comércio foram acertadas. A lógica tem que ser essa: transformar o
Ministério em uma síntese dos diversos setores sociais e econômicos.
Kätia Abreu tem que defender os interesses do agronegócio. E deve-se nomear um Ministro de peso
Kätia Abreu tem que defender os interesses do agronegócio. E deve-se nomear um Ministro de peso
para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, para cuidar da agricultura familiar. Do mesmo modo,
Monteiro precisa estar permanentemente antenado com seus pares, para conferir protagonismo à
indústria no seu Ministério.
O quadro será completo se Dilma colocar em andamento os conselhos, conferências e outras formas de
participação popular.
Cada lado defende o seu. E, quando houver conflito de interesses, monta-se um conselho
Cada lado defende o seu. E, quando houver conflito de interesses, monta-se um conselho
interministerial, discutem-se os pontos, negocia-se e a presidente arbitra.
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