segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Um debate que não fala do aeroporto de Cláudio é só um meio debate



por : Paulo Nogueira

O debate da Record foi o mais enfadonho de todos até aqui pelo cuidado excessivo dos candidatos em 
evitar “agressividade”.
Sabe aquele jogo de futebol em que os dois times ficam na defesa? Foi mais ou menos assim.
Quem perde com esse tipo de coisa morna é o eleitor, é a sociedade.
Não estou pregando, naturalmente, o uso de mentiras para rebaixar o rival, até porque, na Era Digital, 
elas são imediatamente desmascaradas e quem mentiu é que se sai mal.
Estou falando das verdades doídas, escondidas, e por isso mesmo passíveis de ser enquadradas como 
“agressivas”, ou não “propositivas”, para usar o linguajar com o qual o TSE deu para patrulhar as 
campanhas.
Ontem, dentro desta lógica “propositiva”, não foram citadas duas coisas que ajudam o eleitor a 
conhecer Aécio: a sua irmã, Andrea, e o aeroporto de Cláudio.
A importância destes dois temas reside em mostrar quanto o discurso de Aécio destoa de sua práticas, 
uma arma clássica dos demagogos – um real perigo para a sociedade.
Andrea é a maior negação da meritocracia, uma das palavras mais empregadas por Aécio em sua 
campanha para se contrapor ao “aparelhamento” petista.
Não a única.
No Tribunal de Contas de Minas, Aécio nomeou para a presidência a mulher de seu então vice, Clesio 
Andrade. Clesio é apontado em Minas como dono do Sensus, instituto de pesquisas que tem dado 
enormes vantagens a Aécio neste segundo turno.
Afirmou o Globo – insuspeito de qualquer simpatia pelo PT – numa reportagem de julho passado: “A 
atual presidente da casa é Adriene Andrade, mulher de Clésio Andrade (PMDB-MG), réu do mensalão 
tucano. Segundo denúncia do Ministério Público, ela não teria conhecimento jurídico suficiente para o 
cargo.”
A mesma reportagem informa que, nos últimos doze anos, 3 000 processos foram queimados no TCE 
de Minas num incêndio “comprovadamente mentiroso”. Fora tudo isso, pesam acusações de emprego 
de funcionários fantasmas.
Meritocracia à Aécio.
Quanto ao aeroporto, omiti-lo nos debates e na propaganda não vai resolver o problema de sua 
existência, e da maneira como foi erguido.
Os brasileiros estão à beira de decidir quem será o próximo presidente, e até aqui Aécio não deu uma 
única explicação convincente para o dinheiro público utilizado na construção do aeroporto de Cláudio.
Isso já entrou para o anedotário. O humorista José Simão tuitou o seguinte. “Aécio vai criar o Pousa
Família: um monte de aeroporto só pra a família dele.”
Ria ou chore, conforme preferir.
Num mundo menos imperfeito, pelotões de jornalistas ocupariam Cláudio, desde que apareceu a 
denúncia, para esclarecer a sociedade.
É um fato capital para que se conheça a alma de um homem que, em nome da moralidade e da 
decência, pretende governar o Brasil.
A campanha eleitoral “propositiva” furta aos brasileiros que saibam, nos detalhes, dessa obra magna do 
real Aécio.
Palavras enganam.
Propositivo, neste caso, está muito mais para blindagem e censura do que para alguma coisa virtuosa.
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