quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A FORTUNA DE JATENE


O governador Simão Jatene, do Pará, e a família Sarney, do Maranhão: qualquer semelhança 
não é mera coincidência.

Fortuna da família do governador Simão Jatene pode chegar a mais de R$ 40 milhões. Postos de 
gasolina de Beto Jatene faturam 21,6 milhões por ano e valem pelo menos R$ 15 milhões. 
Fazendas, terrenos e empreendimentos imobiliários de Eduardo Salles, sobrinho de Jatene, 
alcançam quase R$ 15 milhões. Apartamentos de luxo da família do governador valem mais de 
R$ 3 milhões. E ainda falta contabilizar casas noturnas e cabeças de gado.
No Blog da Perereca

Finalmente, a população paraense começa a tomar conhecimento de um fato estarrecedor: o extraordinário enriquecimento de familiares do governador do Pará, Simão Jatene, quase todos eles apenas funcionários públicos, assim como o próprio governador.
O fato vem sendo denunciado pela Perereca desde 2006. Mas só agora, depois que virou manchete na grande imprensa, começa a ser investigado pelo Ministério Público.
O que já se conseguiu rastrear impressiona: por baixo, mas muito por baixo, a fortuna da família Jatene alcança pelo menos R$ 37,3 milhões, entre postos de gasolina, terrenos, fazendas, empreendimentos imobiliários e apartamentos de luxo. E olhe que ainda não entraram nessa conta os carros, rebanhos bovinos e casas noturnas.
As maiores fortunas são de Alberto Lima da Silva Jatene, o “Beto Jatene”, filho do governador; e de Eduardo Salles, sobrinho de Jatene.
A estimativa é que o patrimônio de Beto Jatene alcance pelo menos R$ 13 milhões. Já o sobrinho do governador possui pelo menos R$ 14,5 milhões.
O restante está distribuído entre o governador Simão Jatene, com bens estimados em R$ 3,2 milhões, na declaração que entregou, no ano passado, à Receita Federal; Izabela Jatene e Ricardo Augusto Garcia de Souza, filha e genro do governador, com patrimônio de pelo menos R$ 5,6 milhões; e Heliana Lima da Silva Jatene, ex-mulher do governador, cujo apartamento vale pelo menos R$ 1 milhão.
No entanto, as fortunas de Beto Jatene e Eduardo Salles são tão significativas que é muito provável que essa estimativa acabe por ultrapassar, nos próximos dias, os R$ 40 milhões.
É que esse levantamento inicial ainda não inclui o valor das casas noturnas de Beto Jatene e o rebanho bovino (Nelore) de Eduardo Salles.
Da conta também ficaram de fora as empresas de Izabela Jatene, que deteve 50% das quotas do bar Relicário, em Belém, e possui 80% da empresa Manufatura Exportação Indústria e Comércio de Roupas e Acessórios Ltda (CNPJ: 08.091.497/0001-02). Os 20% restantes pertencem à mãe dela, Heliana.
De onde veio o dinheiro?
Porém, o que já se conseguiu rastrear impressiona. Afinal, o governador e todos esses parentes milionários, à exceção de Eduardo Salles, sempre foram apenas funcionários públicos.
Beto Jatene é assessor de órgãos públicos estaduais desde 2000 e não há, nos sites do Tribunal de Justiça do Estado (TJE) e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF), qualquer processo em que tenha atuado como advogado. A mulher dele, Luciana Lopes Labad, é assessora no TJE, desde 2006.
Izabella Jatene Souza, a outra filha do governador, é professora da Universidade Federal do Pará, coordenadora do Propaz e foi assessora especial no primeiro governo do pai. O marido dela, Ricardo, é assessor, há anos, do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
Heliana, a ex-mulher do governador, também é funcionária pública há décadas.
Idem para Jatene, que foi professor da UFPa, secretário de Estado, secretário executivo em dois ministérios e governador.
Além disso, Jatene veio de família tão modesta que teve até de tocar em bares, para pagar os estudos, como ele mesmo já cansou de afirmar.
Então, é inevitável a pergunta: de onde é que veio tanto dinheiro?
Uma recuperação estonteante
É a mesmíssima pergunta que tem de ser feita em relação a Eduardo Salles, embora ele seja empresário.
Em 1997, o sobrinho do governador havia hipotecado ou vendido quase tudo o que possuía e foi até processado, pela Caixa Econômica Federal, porque não pagou um empréstimo.
Mas, a partir de 1997 (por mera coincidência, o ano em que teve início a privatização da Celpa, comandada pelo então secretário estadual de Planejamento, Simão Jatene), Eduardo começou a apresentar uma extraordinária recuperação financeira.
Entre 1997 e 2001, ele comprou 2.700 hectares, nos municípios de Castanhal e Inhangapi. E toda essa imensidão de terrenos, adquirida em apenas quatro anos, representou um patrimônio 7 VEZES SUPERIOR a tudo o que ele registrou, no cartório de Castanhal, nos 17 anos anteriores.
No segundo governo de Almir Gabriel, de quem Jatene foi secretário de Planejamento e braço-direito, e no governo do próprio Jatene, entre 2003 e 2006, Eduardo também obteve contratos milionários com o Governo do Estado.
Além de alugar uma casa à Polícia Civil (o que lhe rendeu pelo menos meio milhão de reais, em valores da época), uma empresa a ele ligada, a Engecon, faturou quase R$ 3,5 milhões em obras viárias. A Engecon funcionava dentro de um galpão de uma das fazendas de Eduardo.
Hoje, só duas das fazendas do sobrinho do governador, em Castanhal e Inhangapi, somam quase 5.500 hectares. E, no mês passado, uma fazenda de apenas 400 hectares, em Castanhal, cortada por rios, como muitas das terras de Eduardo, estava sendo vendida, na internet, por R$ 4 milhões.
O sobrinho do governador também exporta gado para o Líbano e possui vários empreendimentos imobiliários. E só em um deles, o Salles Jardins, em Castanhal, ele ficou de integralizar R$ 3 milhões, até dezembro do ano que vem.
Ele também declarou na Justiça, em abril de 2012, que pagou R$ 1 milhão por um terreno em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.
Além disso, até o ano passado, Eduardo possuía pelo menos 400 hectares (cada hectare tem dez mil metros quadrados) na avenida Barão do Rio Branco e imediações, no centro de Castanhal.
Naquela avenida, um terreno de 40X40, estava sendo negociado na internet, no mês passado, a R$ 3,3 milhões.
Leia as reportagens da Perereca sobre o impressionante enriquecimento do sobrinho do governador Simão Jatene e confira os documentos – inclusive certidões cartorárias
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