quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Estado Islâmico fatura US$ 2 milhões por dia com venda de petróleo no mercado negro


Em julho, Estado Islâmico conquistou ponto chave de distribuição de petróleo

No califado islâmico instalado em zonas petrolíferas entre o Iraque e a Síria, o EI (Estado Islâmico) 
ganha cerca de US$ 2 mi (RS 4.95 mi) por dia com a venda de petróleo no mercado negro, estimam 
estudos divulgados pela Bloomberg no início desta semana.
O grupo extremista sunita produz entre 50 e 60 mil barris diariamente, de acordo com a empresa de 
dados norte-americana IHS. Por ano, tal quantia pode representar um ganho de até US$ 800 milhões.
“Mesmo que a sua capacidade fosse cortada pela metade, eles [EI] teriam US$ 400 milhões no caixa. 
Isso é muitas vezes superior à que qualquer fonte de financiamento que conhecemos”, afirma Bhushan 
Bahree, coautor do estudo, em entrevista à Bloomberg.
Calcula-se que os membros da organização consomem metade da produção e vendem o resto por um 
preço entre US$ 25 e US$ 60 o barril. Tal valor aponta como o produto é competitivo no mercado, já 
que, nas últimas semanas, a queda das cotações internacionais do petróleo chegou a US$ 60 cada barril.
Isso mostra que os ataques aéreos da coalizão liderada pelos EUA na região sob controle do EI têm se 
mostrado ineficientes para afetar o sistema lucrativo do grupo jihadista. A Bloombergdestaca que seria 
necessário que a ofensiva norte-americana atingisse as refinarias montadas pela organização em 
caminhões que abastecem as máquinas de guerra. Elas fornecem a commodity para a população dos 
territórios sob seu domínio.
Vídeo
Paralelamente, o EI divulgou um vídeo nas últimas horas em que mostra seus combatentes com armas 
e munições semelhantes às que foram lançadas por aviões norte-americanos. O Pentágono analisa se 
um dos lotes com o material militar lançados via aérea para as forças curdas que combatem na cidade 
curdo-síria de Kobani foi parar nas mãos dos jihadistas, anunciou na noite de terça-feira (21/10) o porta-
voz do Departamento de Defesa, o almirante John Kirby.
Segundo Kirby, o Pentágono está seguro de que a maioria do material foi “parar nas mãos corretas", à 
exceção de um pacote, que alegou não poder garantir se foi apreendido pelo EI. Por outro lado, o 
Observatório Sírio de Direitos Humanos confirmou que dois paraquedas com armamento e material 
sanitário caíram nas áreas sob o controle do EI.
No domingo (19/10), os EUA lançaram pacotes com armas, munição e provisões médicas aos 
combatentes curdos – conhecidos como “peshmergas” – que defendem a cidade de Kobani, onde 
ocorre um desastre humanitário na fronteira com a Turquia.


Cidade de Kobani em coluna de fumaça: clima de tensão com expansão de jihadistas

Curdos e turcos: acordo para salvar Kobani
Nesta quarta (22/10), o governo do Curdistão iraquiano declarou que enviará mais 200 membros 
“peshmergas” a Kobani. A milícia curda entrará na cidade por meio da Turquia, horas após o governo 
À Efe, o deputado curdo-iraquiano Aydin Marouf explicou que os curdos da Síria têm pedido, 
principalmente, mais armas pesadas para combater o EI na cidade. O único acesso a Kobani é a 
fronteira turca, onde o governo local impôs nos últimos dias uma série de barreiras para a travessia pela 
via.
Após o anúncio do governo turco, ontem, de permissão de trânsito de tropas curdas em seu território 
para auxiliar Kobani, o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que tem histórico de 
desavenças com Ancara) anunciou hoje que manterá o processo de paz com as autoridades da Turquia, 
consolidado há dois anos depois de um conflito de mais de 30.
A recusa de Ancara em permitir a chegada de ajuda militar a Kobani afetou o processo de paz e 
provocou, no início de outubro, violentos protestos de curdos da Turquia. "Houve um ponto de ruptura 
no processo devido à atitude do governo. Sua forma de ação não é coerente com a gravidade do 
problema que tentamos resolver. No dia 15 de outubro entramos em uma nova fase. É nossa 
responsabilidade que a esperança que revitalizamos desemboque em razões práticas", disse o fundador 
do PKK, Abdullah Öcalan, em comunicado divulgado nesta quarta.


Polícia turca usa canhões d'água para conter manifestantes curdos na região de Sanliurfa; 14 
pessoas já foram mortas nos protestos
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