quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Como os médicos cubanos encaram ir para África combater o ebola


O médico Adrian Benitez, antes de ir para a Libéria

Publicado na Reuters: DE HAVANA

Médicos e enfermeiros cubanos que partem para a África Ocidental para combater o Ebola se 
consideram sortudos. Entre os 15 mil profissionais que se ofereceram, eles estão entre apenas os 256 
que foram selecionados para o trabalho.
“Houve brigas, discussões acaloradas, com alguns médicos perguntando: ‘Como é que o meu colega 
vai e eu não posso?’”, disse o doutor Adrian Benitez, de 46 anos, nesta terça-feira, poucas horas antes 
de embarcar para a Libéria.
Apesar de um alarme global sobre o pior surto de Ebola na história, médicos cubanos estão ansiosos 
para viajar à África Ocidental e começar a curar os doentes.
Apelidados de “Exército de jalecos brancos” e citando uma longa história de missões médicas cubanas 
na África e em outros lugares, eles falam de um sentido de dever e estão dispostos a assumir os riscos.
“Sabemos que estamos lutando contra algo que não compreendemos totalmente. Sabemos o que pode 
acontecer. Sabemos que estamos indo para um ambiente hostil”, disse Leonardo Fernández, de 63 
anos. “Mas é nosso dever. É assim que fomos educados.”
O vírus Ebola já matou mais de 4.500 pessoas desde março, a maioria em Serra Leoa, Guiné e Libéria. 
Os números incluem mais de 200 trabalhadores da saúde.
Um total de 165 médicos e enfermeiros cubanos já chegou a Serra Leoa e outros 91 estavam viajando 
nesta terça-feira para missões de seis meses, sendo 53 destinados à Libéria e 38 a Guiné.
No entanto, outros 205 médicos passaram por um curso de formação de três semanas em Cuba, com 
extensa prática no uso das vestimentas de proteção, mas ainda têm de ser autorizados a integrar a 
missão contra o Ebola.
Trata-se do mais recente exemplo de diplomacia médica de Cuba. A ilha caribenha já enviou equipes 
médicas para locais de desastres em todo o mundo desde a revolução de 1959 que levou Fidel Castro 
ao poder.
Não há cura comprovada para o Ebola, e cerca de metade daqueles que contraem a doença morre.
Vários dos médicos repetiram uma frase frequentemente citada dentro da cultura médica de Cuba: 
“Nós não oferecemos o que temos de sobra. Nós compartilhamos o que temos.”
“Somos capazes de compartilhar este pouco que temos quando as pessoas precisam. É um conceito 
básico”, disse Fernández.
Os profissionais recrutados para as missões contra o Ebola foram submetidos a três semanas de 
treinamento no Instituto de Medicina Tropical Pedro Kouri, nos arredores de Havana, onde os 
treinadores montaram um hospital de campanha para simular as condições na África Ocidental.
Caso médicos ou enfermeiros cubanos contraiam o Ebola na África Ocidental, eles serão tratados em 
um local especial para os trabalhadores humanitários internacionais, disse o diretor do Instituto Pedro 
Kouri, Jorge Perez.
Todos eles serão mantidos por pelo menos 21 dias em observação no hospital ao retornar a Cuba, o 
mesmo tempo que qualquer visitante que vem à ilha dos países afetados também é submetido.
Apesar dos riscos e inconvenientes, Ivan Rodríguez, de 50 anos, disse que sua família estava orgulhosa 
e o apoiava.
“Eu teria ficado desapontado e triste se eles tivessem ficado com medo por eu dar este passo”, disse 
Rodríguez. “Agora, há 15 mil (voluntários). Estou convencido de que poderia haver mais de 15 mil.”
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