Estela de Carlotto (ao meio, de colete cinza), comemorou o encontro do neto durante entrevista
coletiva à imprensa em Buenos Aires.
“Eu não queria morrer sem poder abraçá-lo”: foi o que afirmou a presidente das Avós da Praça de
Maio, Estela de Carlotto, ao encontrar o neto que procurava desde os anos 70. Ele nasceu enquanto a
filha dela era mantida no centro clandestino de detenção La Cacha, em La Plata.
Durante entrevista coletiva à imprensa, concedida nesta terça-feira (05/08), Estela ressaltou que outros
400 netos seguem desaparecidos. Os detalhes sobre a identidade de Guido serão preservados, como
informou sua avó. “A cadeira que estava vazia agora tem dono. Os porta-retratos vazios terão sua
imagem”, comentou.
Sobre o fato de terem encontrado mais um neto, afirmou que “isso é para os que dizem ‘basta’, os que
duvidam se fazemos bem” em seguir nessa busca pelas crianças que desapareceram durante o período
em que o país viveu sob uma ditadura militar. “É uma resposta aos que querem que viremos a página,
como se nada tivesse acontecido”.
A Presidentre das Avós da Praça de Maio encontrou neto desaparecido durante ditadura
argentina.
Depois de pelo menos 36 anos de busca, Estela ressaltou que é uma reparação não só “para ele e para
nossa família”, mas para “a sociedade no conjunto”. Por isso, “temos que seguir buscando o que falta
porque outras avós têm que sentir o que eu estou sentindo”.
O fato, considerado histórico, está sendo amplamente comemorado na Argentina. A presidente do país,
Cristina Kirchner, ligou para Estela pessoalmente para confirmar a notícia. “Choramos juntas”, contou.
“O que todas nós queremos é que esta história não se repita nas futuras gerações, por isso estamos
lutando”, ressaltou, ao destacar a importância de a Argentina viver uma democracia na qual “podemos
caminhar em liberdade”.
Busca pela identidade
O neto número 114 fez o teste de DNA voluntariamente. Guido nasceu em cativeiro no Hospital
Militar de Buenos Aires em 26 de junho de 1978. Músico, se apresentou voluntariamente na sede das
Avós para realizar o exame porque tinha dúvidas sobre sua identidade.
“Os netos [estão vivos e] esperando que os sigamos buscando”, afirmou Carlotto. Sobre os jovens que
ainda estão desaparecidos, ela comentou que muitos não as procura porque sentem que têm uma
“dívida com os pais que os criaram”. Eles “não vêm para que os que os criaram não sejam enviados
para a cadeia. Então esperam que [esses pais] morram para tomar esta decisão, mas nesta espera,
muitas vezes as avós morrem”.
Trata-se, em sua visão, de um trabalho de conscientização. “Cada vez a sociedade nos entende mais.
Na Argentina temos desaparecidos vivos que estão próximos e esperando”.
Questionada sobre como se sente neste momento, Estela disse que tudo o que mais quer neste
momento é “abraçar e ver seu rosto como sempre sonhei”.
nossa família”, mas para “a sociedade no conjunto”. Por isso, “temos que seguir buscando o que falta
porque outras avós têm que sentir o que eu estou sentindo”.
O fato, considerado histórico, está sendo amplamente comemorado na Argentina. A presidente do país,
Cristina Kirchner, ligou para Estela pessoalmente para confirmar a notícia. “Choramos juntas”, contou.
“O que todas nós queremos é que esta história não se repita nas futuras gerações, por isso estamos
lutando”, ressaltou, ao destacar a importância de a Argentina viver uma democracia na qual “podemos
caminhar em liberdade”.
Busca pela identidade
O neto número 114 fez o teste de DNA voluntariamente. Guido nasceu em cativeiro no Hospital
Militar de Buenos Aires em 26 de junho de 1978. Músico, se apresentou voluntariamente na sede das
Avós para realizar o exame porque tinha dúvidas sobre sua identidade.
“Os netos [estão vivos e] esperando que os sigamos buscando”, afirmou Carlotto. Sobre os jovens que
ainda estão desaparecidos, ela comentou que muitos não as procura porque sentem que têm uma
“dívida com os pais que os criaram”. Eles “não vêm para que os que os criaram não sejam enviados
para a cadeia. Então esperam que [esses pais] morram para tomar esta decisão, mas nesta espera,
muitas vezes as avós morrem”.
Trata-se, em sua visão, de um trabalho de conscientização. “Cada vez a sociedade nos entende mais.
Na Argentina temos desaparecidos vivos que estão próximos e esperando”.
Questionada sobre como se sente neste momento, Estela disse que tudo o que mais quer neste
momento é “abraçar e ver seu rosto como sempre sonhei”.
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