domingo, 10 de agosto de 2014

Dia dos Pais, por JB Costa



Convencionou-se dedicar-se um dia do calendário ao PAIS, ou genitores. A razão, não sei. Talvez para emular o Dia das Mães e assim evitar eventuais despeitos intra-lar. Mas isso é secundário. O que importa é que nesse domingo pais e filho(a)s se aproximam, se beijam e trocam as juras de amor filial e paternal. Restaurantes cheios e as lojas super lotadas de ávidos compradores fazem, em contrapartida, o lado menos telúrico da festa.
Acode-me agora uma dúvida: será que esse costume é só aqui no ocidente? Os povos do oriente também guardam um dia especial para homenagearem genitores? Não encontrei fontes para pesquisas. Entretanto, isso é de somenos importância para a elaboração desse texto cujo ânimo é apenas instrumentalizar como mote a efeméride para reflexão lá não muito, digamos, efusivas. Sem mais delongas: para por o dedo na ferida da hipocrisia e alienação dos seres humanos.
Como pai de três filhos adorados gostaria de ganhar hoje menos beijos e presentes e mais o compromisso deles de que darão os seus quinhões de esforços para fazer deste mundo um lugar mais digno. Quero que me vejam não só pai provedor, pai amigo, pai companheiro, pai parceiro.......Não. Minha aspiração é que me sintam como o "pai" de todos os "filhos" desse planeta. Um "pai" universal no qual o amor e devoção passe daqueles que são herdeiros dos seus genes e alcance toda a humanidade. Em especial aquela que padece o sofrimento indizível de perder filhos fora do processo natural.
"Pai", por exemplo, das 408 crianças mortas e as milhares feridas no conflito de Gaza. "Pai" dos que autorizam ou executam não só essas ignomínias, mas todas as que trucidam nossos filhos, porque assim lhes "puxaria" as orelhas para assim evitar matar os filhos inocentes dos seus irmãos.
Nunca senti, nem quero sentir, a dor desses seres humanos que descem ao mais profundo inferno da dor e do desespero ao juntarem os restos, os pedações dos filhos explodidos pelas bombas jogadas por outros pais e outros filhos.
Dedico, assim, o "meu" dia dos pais aos pais das crianças imoladas em Gaza. Meus filhos decerto compreenderão e me apoiarão.
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