sábado, 2 de agosto de 2014

Com escalada de violência, Tunísia fecha fronteira terrestre com Líbia


Cidadãos egípcios tentam abandonar Líbia com aumento de violência para chegarem a Tunisia
a partir da fronteira terrestre sul.


ATunísia fechou nesta sexta-feira (01/08) a sua principal passagem de fronteira com a Líbia, após 
milhares de cidadãos e estrangeiros tentarem romper o acesso com o intuito de fugir da violência e com 
receio de uma guerra civil no país, reportou a Al Jazeera.
Nesta manhã, milhares de pessoas – principalmente egípcios – realizaram um protesto em frente à 
passagem, após serem impedidos de entrar na Tunísia por não terem visto. Grupos mais exaltados 
ainda quebraram parte de um muro da fronteira. Em resposta, a polícia atirou bombas de gás 
lacrimogêneo na multidão.
As agitações aconteceram horas após o governo tunisiano começar a incentivar os seus cerca de 60 mil 
cidadãos que vivem na Líbia para sair "o mais rápido possível" do país, por causa da escalada de 
violência na região desde meados de julho.
"O Ministério dos Negócios Estrangeiros exorta os tunisianos que se encontram em território líbio para 
voltar para casa o mais rápido possível", afirmou a pasta em comunicado veiculado nas últimas horas.


Polícia da fronteira da Líbia e da Tunísia joga gás lacrimogêneo e atira para cima para afastar 
multidão.

Entenda conflito
A Tunísia é a única rota de fuga para a população na medida em que o combate se agrava em Trípoli, 
onde milícias rivais têm lutado durante semanas para tomar o controle do aeroporto internacional.
Na quinta-feira (31/07), grupos armados anunciaram que tomaram controle de Bengazi, segunda maior 
cidade da Líbia e foco de conflitos nas últimas semanas no país. De acordo com membros da 
organização Frente Al Nusra, braço da Al-Qaeda, o local está “completamente” dominado e foi 
proclamado um "Emirado Islâmico" na região.
Embaixadas
Ainda ontem, o Itamaraty anunciou que decidiu transferir temporariamente os funcionários da 
Embaixada do Brasil em Trípoli para Túnis. Além do Brasil, os Estados Unidos, a ONU (Organização 
das Nações Unidas), a delegação da UE (União Europeia), a Espanha e a Turquia também tiraram seus 
representantes e os transferiram para a Tunísia.
Sob a liderança interina de Abdallah Al-Thani, o governo da Líbia não conseguiu elaborar um 
Exército profissional capaz de se impor e de integrar os grupos armados que se desenvolveram em 
2011, com a queda do líder Muamar Kadafi. Tal incapacidade facilitou uma autonomia dessas 
brigadas, que cada vez mais desafiam as autoridades centrais em transição. Teme-se, com isso, que a 
instabilidade do país resulte em uma guerra civil.
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