Chamar de “ceder” é “típico de Vira Lata do Brasil”.
Dilma, de forma didática, explica numa coletiva nesta quarta-feira (16), no Palácio do Alvorada, o que foi o acordo para criar os BRICs.
Explica o sistema de alternância, a igualdade de condições – os cinco países têm o mesmo peso acionário – e como vai funcionar o Banco: será gerido por um Conselho de Administração que o Brasil vai presidir.
E terá dois escritórios – o central, em Xangai, na China, e na África do Sul.
Breve, terá um na América Latina, com escritório no Brasil.
Ouça o áudio e veja que ela se diverte com o “não vai ter Copa”, e descreve o momento histórico em que Lula e ela avisaram ao FMI que iam pagar o que deviam – e o diretor do FMI, um sr. Rato, espanhol que presidiu um banco que quebrou, pediu para o Brasil não pagar …
(E lembrar que o Príncipe da Privataria quebrou o Brasil três vezes e três vezes foi de pires na mão ao FMI …)
A fundação do Banco do BRICs é a conformação exterior de uma profunda mudança no ambiente político.
O Banco nasce maior do que o Banco Mundial – o BNDES já é maior do que o Banco Mundial.
O Banco vai poder ajudar a Argentina – candidata a ingressar nos BRICs – e começar a substituir o dólar como moeda de reserva.
O encontro de Fortaleza – a Bretton Woods tropical ! – criou um bote salva-vidas para fazer o que o FMI não tem mais bala para fazer.
E avisou à ONU e a seu Conselho de Segurança – de que o Brasil, a Índia e a África do Sul não fazem parte – que existe uma nova instância política para mediar conflitos e pendências.
O presidente da China, Xi Jinping, vai assinar com a Presidenta Dilma Rousseff um acordo para construir uma ferrovia que ajude a escoar grãos do Centro-Oeste até o porto de Barcarena, no Pará.
Com Putin, Dilma acertou a compra de mísseis e cooperação na área nuclear.
Enquanto isso, a manchete dos três jornais do PiG, nessa manhã, 16, descreve um “vexame”: todos usam o verbo “ceder” para descrever o acordo político que foi feito em torno dos cargos do Banco.
Clique aqui para ler “BRICS: falta uma Noticiabrás”.
O Brasil podia querer a Presidência, já.
Mas, preservou o acordo que garantiu a instalação imediata do Banco.
Ficou com a presidência na primeira rodada de cargos – em cinco anos, quando Lula voltar à Presidência do Brasil – e, desde já, ocupa presidência de diretoria executiva.
Nada mau, para quem não tem bomba atômica.
O PiG cobriu o evento como se fosse uma reunião de condomínio num prédio de Higienópolis: D. Maricotinha do 301 teve que ceder o cargo de síndica para pode ficar com o gato no apartamento …
Uma reunião dos presidentes do Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul tem menos importância do que a prisão de um colega do Marcola – foi o que fez o jn do Gilberto Freire com “i”(**).
O PiG fez o trabalhou que, imaginou, os Estados Unidos gostariam que fosse feito.
Minimizar, menosprezar, desqualificar, ridicularizar os BRICs.
Esses BRICs, que, passo a passo, desmontam a estrutura que os americanos construíram depois da vitória na II Guerra: ONU, FMI e Banco Mundial.
Até a OMC está em xeque, com a intensificação do comércio Sul-Sul, anátema da Política Externa da Dependência …
Claro que, para os Estados Unidos, não é uma boa notícia saber que seus maiores credores – Brasil e China – poderão, daqui para a frente, fazer comércio em moeda local.
E emprestar fora da área do dólar.
Claro que não é bom saber que a soja brasileira vai chegar aos frangos e suínos chineses muito mais barata, via Barcarena.
Nem que o Brasil compre misseis na Rússia.
Onde já se viu tanta independência ?
Como era bom no tempo do Fernando Henrique, que tirava os sapato na entra e na saída …
Só que não é bem assim.
Lá dentro, no ponto central do poder americano, eles devem morrer de rir do PiG.
Porque eles mesmos, lá dentro, lá onde a siriema canta, entre o Salão Oval e a NSA, eles sabem que, depois do empate da Holanda, a coisa já esteve melhor para a seleção brasileira.
Paulo Henrique Amorim
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