sexta-feira, 9 de maio de 2014

A "REPUBLICA" DE SIMÃO JATENE


Orly, Brasiliense e Jatene: relação nada republicana.

BASTIDORES DO PODER: A relação nada republicana entre o Governo do Pará, o jornalista 
Ronaldo Brasiliense, o marqueteiro do governo e o jornal O Liberal. Governo do Pará paga grana 
preta à figurão da imprensa para atacar adversários políticos. Jornalista Ronaldo Brasiliense, 
colunista do jornal O Liberal, pede benção a marqueteiro do governo antes de publicar matérias 
contra políticos da oposição.


Um governo sério e ético deve manter uma relação republicana com a imprensa, mantendo distância principalmente da imprensa marrom, aquela que se transforma em pena de aluguel a serviço dos poderosos. Um jornalista sério e ético deveria manter um distanciamento do governo e do poder, e nunca se transformar num serviçal do poder. No Pará, as coisas não funcionam assim. 
O governo do Tucano Simão Jatene repassa gordas quantias para o jornalista Ronaldo Brasiliense atacar - num panfleto denominado O Paraense – políticos da oposição. 
O mesmo jornalista mantém uma intensa, próxima e cúmplice relação com o marqueteiro do governo, o publicitário Orly Bezerra, chegando a submeter ao crivo do publicitário matérias antes mesmo de sua publicação, no jornal O Liberal.
Este enredo nada republicano e que tem tudo para se tornar alvo de investigação do Ministério Público foi revelado a partir de documentos que uma fonte do site VioNorte teve acesso. A fonte, que pediu anonimato, mas se prontificou a ir à Justiça confirmar a forma como acessou as informações, teve acesso às revelações graças a um descuido. 
De passagem pela cidade de Santarém, o jornalista Ronaldo Brasiliense fez uso dos serviços de uma lanhouse, mas não fechou seu e-mail antes de sair do local, deixando o aberto. A nossa fonte foi a pessoa seguinte a usar o computador e, ao perceber que o e-mail estava aberto e que havia um conteúdo explosivo, fez cópias de mensagens reveladoras.
O jornalista Ronaldo Brasiliense é um figurão da imprensa paraense. Recebeu várias premiações, algumas nacionais, e trabalhou em veículos com repercussão nacional. Hoje, é colunista do jornal O Liberal, onde responde pela coluna Por Dentro, publicada aos domingos. 
A ênfase com que Brasiliense defende o governo do tucano Simão Jatene e ataca os adversários políticos do governador já é conhecida, mas o jornalista usava uma suposta áurea de sério e ético para vender a mensagem de que era, na verdade, um defensor da ética na política. Suas vítimas seriam todos políticos malfeitores. Mas a verdade é bem diferente. Brasiliense é remunerado – e muito bem – para defender o governo e atacar seus adversários.
Ele mantém um panfleto político intitulado O Paraense, que sempre aparece em épocas de eleições. Seu “jornal”, que cantas as glórias do governo tucano e sataniza políticos da oposição, é na verdade um instrumento político-eleitoral bancado com dinheiro público. Isso mesmo. Você, leitor, que paga impostos, é quem banca o jornalzinho a serviço dos interesses do tucanato paraense. Isso fica muito claro num documento denominado Pedido de Inserção (PI), enviado pela agência de Orly, a Griffo, para o e-mail de Brasiliense.


PI da Griffo para Brasiliense: Grana preta para falar mal da oposição

O PI autoriza a publicação de duas propagandas do governo na última edição de O Paraense, que foi distribuída no final do mês de abril. A capa do jornal traz uma entrevista requentada para atacar o senador Jader Barbalho, cujo filho, Helder, disputará o governo do Estado com o tucano Simão Jatene. Valor do pagamento: R$ 35.0000,00. Uma quantia absurda considerando a circulação do jornal, que além de irregular é irrisória. 
O jornalzinho de Brasiliense é quinzenal, sendo que em todas as edições constam os “anúncios” do governo, sugerindo o pagamento de R$ 70.000,00 mensal ao jornalista. Se o pagamento for mantido, em um ano são quase um milhão de reais, dinheiro público que está sendo usado pelo governo, através de supostos anúncios, para atacar adversários políticos.
É um escárnio. Um escândalo num Estado onde o governo alega não ter dinheiro para manter os serviços mais básicos. Onde as estradas estão acabando, as pontes caindo, a segurança pública um caos e onde pessoas morrem nos corredores de hospitais sem atendimento médico. Quantas vidas seriam salvas com o dinheiro usado para a politicagem rasteira, repassado à sub-imprensa?
AS BENÇÃOS DO MARQUETEIRO
O jornalista Ronaldo Brasiliense parece mesmo ter deixado seu passado de glórias de lado para se tornar um mero serviçal do governo tucano. Esta relação fica clara nos e-mails trocados entre ele e o marqueteiro do governo, o poderoso Orly Bezerra, dono da agência Griffo. Orly controla praticamente todo o orçamento publicitário do governo, é amigo pessoal e um dos principais conselheiros do governador Simão Jatene.
Brasiliense chega a submeter ao crivo do marqueteiro as notas, matérias, entrevistas e conteúdos publicados tanto no seu O Paraense quanto na sua coluna dominical Por Dentro, publicada pelo jornal O Liberal, das Organizações Rômulo Maiorana (ORM). Trata-se de um escândalo de ordem moral, pois um jornalista jamais deve submeter sua produção ao crivo de terceiros a não ser ao seu editor. Muito menos trocar figurinhas com o marqueteiro-mor do governo, o que revela como é grande a imoralidade e a fedentina nos bastidores do poder no Pará.
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