Os brados do tambor
Em janeiro, Ivanilda Pontes, Ouvidora da OAB-PA, após visitar as unidades prisionais da área metropolitana de Belém, relatou-lhes o estado: “Lamentável, subumano, deprimente.”. E vaticinou, ao comparar as condições locais com Pedrinhas, no Maranhão: “Se houve mortes lá, aqui pode haver também”.
Em Belém
À tarde de ontem (8) reuniram-se o promotor de Justiça Militar, o secretário estadual de segurança pública, representantes da OAB-PA, deputados estaduais e representantes das associações de militares. Procurava-se uma saída para a crise institucional gerada pelo aquartelamento das praças.
Ao cair da noite do sexto dia da crise, as conversas empacavam nos três pontos mais caros às praças e inaceitáveis pelo governo: não punição dos aquartelados, troca do comandante do 6º Batalhão e extensão da política salarial dos oficiais às praças.
Entrementes, no Centro de Detenção Provisória de Icoaraci (CDPI), um motim de detentos transformou a Ouvidora Geral da OAB-PA em uma espécie de profeta do previsível: cinco presos ali estocados foram mortos, seis foram encaminhados ao Hospital Metropolitano e 21, com ferimentos leves, foram atendidos dentro da unidade.
Efeito Borboleta
A notícia arrefeceu a empáfia do governo que, cansado da própria adolescência, cedeu aos dois primeiros pontos: a teoria de Edward Lorenz, coloquialmente denominada de “Efeito Borboleta”, se fez desde o CDPI até a sede da SEGUP.

Infelizmente para que o governo tomasse tento na cá na Arciprestes Manoel Teodoro, foi necessário que a ceifadora asfixiasse 5 detentos do outro lado da cidade, lá em Icoaraci.
As praças saíram da SEGUP com dois dos seus três pontos atendidos e a garantia de providências para o terceiro ponto: fez-se o acordo.
Como eu escrevi aqui, leis não resolvem conflitos eventuais e nem debelam crises institucionais. Em uma democracia, a resolução de tais singularidades não está nos tribunais, mas nas mesas de negociações.
Aristóteles
Além dos dois pontos atendidos, foi concedido às praças 100% de gratificação por risco de vida, auxílio-fardamento anual para subtenentes e sargentos, e uma comissão composta pelo governo, Alepa, Dieese e a associação dos militares, se reunirá no próximo dia 15.05 para elaborar uma proposta de política salarial comum.
A moral que se tira do episódio é a tradução de uma frase da retórica de Aristóteles: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.”.
Quando o governo assinou o projeto que deu ignição à crise, só havia ignorantes no paço palaciano. Como na plebe alguns sábios duvidaram, todos acabaram refletindo e a sensatez jogou uma pá de cal na ignorância.



Em janeiro, Ivanilda Pontes, Ouvidora da OAB-PA, após visitar as unidades prisionais da área metropolitana de Belém, relatou-lhes o estado: “Lamentável, subumano, deprimente.”. E vaticinou, ao comparar as condições locais com Pedrinhas, no Maranhão: “Se houve mortes lá, aqui pode haver também”.
Em Belém
À tarde de ontem (8) reuniram-se o promotor de Justiça Militar, o secretário estadual de segurança pública, representantes da OAB-PA, deputados estaduais e representantes das associações de militares. Procurava-se uma saída para a crise institucional gerada pelo aquartelamento das praças.
Ao cair da noite do sexto dia da crise, as conversas empacavam nos três pontos mais caros às praças e inaceitáveis pelo governo: não punição dos aquartelados, troca do comandante do 6º Batalhão e extensão da política salarial dos oficiais às praças.
Entrementes, no Centro de Detenção Provisória de Icoaraci (CDPI), um motim de detentos transformou a Ouvidora Geral da OAB-PA em uma espécie de profeta do previsível: cinco presos ali estocados foram mortos, seis foram encaminhados ao Hospital Metropolitano e 21, com ferimentos leves, foram atendidos dentro da unidade.
Efeito Borboleta
A notícia arrefeceu a empáfia do governo que, cansado da própria adolescência, cedeu aos dois primeiros pontos: a teoria de Edward Lorenz, coloquialmente denominada de “Efeito Borboleta”, se fez desde o CDPI até a sede da SEGUP.
Infelizmente para que o governo tomasse tento na cá na Arciprestes Manoel Teodoro, foi necessário que a ceifadora asfixiasse 5 detentos do outro lado da cidade, lá em Icoaraci.
As praças saíram da SEGUP com dois dos seus três pontos atendidos e a garantia de providências para o terceiro ponto: fez-se o acordo.
Como eu escrevi aqui, leis não resolvem conflitos eventuais e nem debelam crises institucionais. Em uma democracia, a resolução de tais singularidades não está nos tribunais, mas nas mesas de negociações.
Aristóteles
Além dos dois pontos atendidos, foi concedido às praças 100% de gratificação por risco de vida, auxílio-fardamento anual para subtenentes e sargentos, e uma comissão composta pelo governo, Alepa, Dieese e a associação dos militares, se reunirá no próximo dia 15.05 para elaborar uma proposta de política salarial comum.
A moral que se tira do episódio é a tradução de uma frase da retórica de Aristóteles: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.”.
Quando o governo assinou o projeto que deu ignição à crise, só havia ignorantes no paço palaciano. Como na plebe alguns sábios duvidaram, todos acabaram refletindo e a sensatez jogou uma pá de cal na ignorância.



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