quarta-feira, 9 de abril de 2014

Com "golpe em câmera lenta", EUA querem petróleo venezuelano, diz Maduro


Maduro recebe em Caracas delegação de chanceleres da Unasul ao lado do ministro das 
Relações Exteriores venezuelano, Elías Jaua

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que os protestos no país estão sendo fomentados pelos Estados Unidos, em uma tentativa de derrubar o governo para se aproveitar do petróleo venezuelano. Maduro definiu a estratégia como uma espécie de "golpe de Estado em câmera lenta", comparando a situação à crise ucraniana.
 "Estão tentando vender ao mundo a ideia de que a Venezuela vive uma espécie de Primavera Árabe. Já tivemos a nossa primavera: a nossa revolução que abriu caminho para a Venezuela do século XXI", afirmou o chefe de Estado.
Conforme explicou Maduro, a Venezuela é vítima da "guerra não convencional que os EUA aperfeiçoaram" nas últimas décadas, justificando sua teoria ao mencionar o apoio de Washington a golpes no Brasil, na década de 60, e em Honduras, em 2009. Para ele, os protestos violentos da oposição venezuelana reproduzem ainda um cenário ucraniano, com ruas bloqueadas por barricadas.
Ainda segundo o presidente, os opositores "tentam aumentar os problemas através de uma guerra econômica, para cortar o suprimento de produtos básicos e incrementar uma inflação artificial". O objetivo seria criar o descontentamento social, "pintar o país em chamas" e justificar o isolamento internacional.
A recente onda de violência na Venezuela começou após o lançamento de uma campanha opositora -- encabeçada por Leopoldo López, María Corina Machado e Antonio Ledezma -- chamada "A Saída", na qual os políticos exigem que Maduro renuncie. O chefe de Estado, que atribuiu 95% das mortes nos protestos a ações de grupos de direta, defendeu a polarização como um reflexo de um país altamente politizado e onde "a política não é apenas para a elite".
De acordo com ele, a "Venezuela tem uma polarização positiva, porque é um país politizado onde a grande maioria adere às políticas públicas. Há também uma polarização negativa que não aceita o outro e quer eliminar o outro", afirmou.
Unasul
Desde ontem, uma missão da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) está na Venezuela para mediar um diálogo entre o governo e a oposição. Um dos resultados da missão foi o acerto de um encontro entre Maduro e a MUD (Mesa de Unidade Democrática), mas a agrupação opositora não confirmou presença.
"Se essa reunião (entre governo e oposição) for finalmente concretizada, será uma grande mensagem de paz, de democracia, do nosso país a todo o nosso povo", disse Maduro à imprensa no Palácio de Miraflores. "Oxalá os dirigentes políticos da MUD não recuem e se sentem para dialogar”.
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