Jornal GGN - O novo projeto do prefeito Fernando Haddad para acabar com a Cracolândia teve resultado rápido e, proporcionalmente, foi motivo de inúmeras críticas. O plano foi oferecer casa, comida e emprego às cerca de 300 pessoas que viviam ali. De 200 barracos, apenas 4 não quiseram sair, mas logo foram convencidos.
“Criar condições é parte do tratamento”, resumiu Haddad em entrevista ao Jornal GGN.
Seguindo o esboço do que se traduz hoje em medicina atualizada, na defesa de que um tratamento adequado de saúde inclui necessariamente múltiplas frentes, tanto em cotexto social, educação, perspectivas de trabalho e habitação, foi preciso uma união de diferentes secretarias para tocar o Projeto 'De Braços Abertos'.
A estratégia foi remover os pilares da vulnerabilidade. “Primeira coisa que precisa ser registrada é o seguinte: o homem é a sua circunstância. Então, nós estamos mudando as circunstâncias dessas pessoas”, explicou o prefeito.
A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social cuidou de fazer a abordagem, conversar e auxiliar na retirada dos moradores da pequena favela. A Coordenação de Subprefeituras e a Segurança Urbana criaram as táticas para que tudo ocorresse de forma ordenada.
A Secretaria de Trabalho e Empreendedorismo foi responsável por integrar os dependentes químicos à Frente de Trabalho, dando-lhes uniformes e auxílio financeiro de R$ 15 por dia para atividades de zeladoria e limpeza. Em processo de identificar sus profissões originais, terão cursos de capacitação profissional, de acordo com vontade e aptidão.
A Saúde fará um trabalho de triagem, com cuidados médicos, exames de sangue e aplicação de vacinas. Psiquiatra, enfermeiro, psicólogo e terapeuta ocupacional criarão um plano individual de recuperação para cada adicto, por meio do Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD).
Esse tratamento opcional inclui oficinas terapêuticas, medicamentos, psicoterapia e atendimento em grupo, desintoxicação ambulatorial e, se necessário, leitos de internação. Diariamente, um profissional de saúde visitará os hotéis dos participantes.
“Você tem que mudar, você tem que quebrar a ordem. Aquela ordem [da Cracolândia] não admite recuperação”, disse Haddad.
Tratamento da dependência
O psiquiatra e coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Dartiu Xavier da Silveira, explicou que há duas frentes para agir sobre a dependência química.
A primeira é uma herança da política norte-americana da década de 70 de guerra às drogas, polarizada em cima de que ela é a causa de todos os problemas. “Os Estados Unidos, que foi o grande patrocinador dessa guerra, fez uma avaliação muito séria e concluiu a sua ineficácia”. A outra, nascida na Europa, enxerga a droga como “sintoma de algo que não está bom no indivíduo, ou na sociedade”, definiu.
“O problema é que apesar de o Ministério da Saúde ter diretrizes nessa linha mais humanista, a gente tem visto o governo atravessar o próprio Ministério e tomar medidas de apoio à internação compulsória, com medidas coercitivas, que faz uma leitura deturpada dessa situação social. Falta de cidadania, de abandono total, é um prato cheio para a droga florescer. Então a droga é consequência, não causa. Essa é a grande constatação”, completou.
O psiquiatra analisa a interpretação do que é resultado em medidas públicas no assunto. De acordo com ele, qualquer intervenção tem uma taxa de sucesso de 35%, no máximo. Ou seja, 65% não terão abstinência.
“A partir daí, existem duas estratégias: ou abandona, deixa na rua, se drogando e morrendo; ou a maneira europeia, que é a redução de danos – ainda que não consiga parar de usar drogas ou que recaia, existe formas de consumo menos prejudiciais, que permite com que você trabalhe, tenha família, sociabilidade”, explicou.
Histórico
Tudo começou há 6 meses, com estudos da prefeitura. Depois da inserção de Equipamento Público dentro da Cracolândia, em julho do ano passado, viram que era necessário trazer os moradores da pequena favela para a sala de reuniões da prefeitura.
Naquela mesa de mais de 15 cadeiras, os dependentes químicos sentaram-se com Haddad, foram ouvidos e de lá saiu um pacto. “O acordo com eles é o seguinte: acabou a Cracolândia”, contou o prefeito.
“Só o que aconteceu nesses 3 dias é o suficiente para chamar a atenção sobre essa mudança de paradigma. Nós removemos 300 pessoas da rua sem um gesto de violência”, falou.
“Coerção não leva a nada. Aquilo é medida higienista, de limpeza, que orna com uma limpeza étnica, porque vai excluir ou aprisionar os pobres e os negros. Porque os ricos brancos vão ficar nos seus apartamentos, usando drogas, ou no máximo numa clínica de alto luxo”, disse o psiquiatra.
“Criar condições é parte do tratamento”, resumiu Haddad em entrevista ao Jornal GGN.
Seguindo o esboço do que se traduz hoje em medicina atualizada, na defesa de que um tratamento adequado de saúde inclui necessariamente múltiplas frentes, tanto em cotexto social, educação, perspectivas de trabalho e habitação, foi preciso uma união de diferentes secretarias para tocar o Projeto 'De Braços Abertos'.
A estratégia foi remover os pilares da vulnerabilidade. “Primeira coisa que precisa ser registrada é o seguinte: o homem é a sua circunstância. Então, nós estamos mudando as circunstâncias dessas pessoas”, explicou o prefeito.
A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social cuidou de fazer a abordagem, conversar e auxiliar na retirada dos moradores da pequena favela. A Coordenação de Subprefeituras e a Segurança Urbana criaram as táticas para que tudo ocorresse de forma ordenada.
A Secretaria de Trabalho e Empreendedorismo foi responsável por integrar os dependentes químicos à Frente de Trabalho, dando-lhes uniformes e auxílio financeiro de R$ 15 por dia para atividades de zeladoria e limpeza. Em processo de identificar sus profissões originais, terão cursos de capacitação profissional, de acordo com vontade e aptidão.
A Saúde fará um trabalho de triagem, com cuidados médicos, exames de sangue e aplicação de vacinas. Psiquiatra, enfermeiro, psicólogo e terapeuta ocupacional criarão um plano individual de recuperação para cada adicto, por meio do Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD).
Esse tratamento opcional inclui oficinas terapêuticas, medicamentos, psicoterapia e atendimento em grupo, desintoxicação ambulatorial e, se necessário, leitos de internação. Diariamente, um profissional de saúde visitará os hotéis dos participantes.
“Você tem que mudar, você tem que quebrar a ordem. Aquela ordem [da Cracolândia] não admite recuperação”, disse Haddad.
Tratamento da dependência
O psiquiatra e coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Dartiu Xavier da Silveira, explicou que há duas frentes para agir sobre a dependência química.
A primeira é uma herança da política norte-americana da década de 70 de guerra às drogas, polarizada em cima de que ela é a causa de todos os problemas. “Os Estados Unidos, que foi o grande patrocinador dessa guerra, fez uma avaliação muito séria e concluiu a sua ineficácia”. A outra, nascida na Europa, enxerga a droga como “sintoma de algo que não está bom no indivíduo, ou na sociedade”, definiu.
“O problema é que apesar de o Ministério da Saúde ter diretrizes nessa linha mais humanista, a gente tem visto o governo atravessar o próprio Ministério e tomar medidas de apoio à internação compulsória, com medidas coercitivas, que faz uma leitura deturpada dessa situação social. Falta de cidadania, de abandono total, é um prato cheio para a droga florescer. Então a droga é consequência, não causa. Essa é a grande constatação”, completou.
O psiquiatra analisa a interpretação do que é resultado em medidas públicas no assunto. De acordo com ele, qualquer intervenção tem uma taxa de sucesso de 35%, no máximo. Ou seja, 65% não terão abstinência.
“A partir daí, existem duas estratégias: ou abandona, deixa na rua, se drogando e morrendo; ou a maneira europeia, que é a redução de danos – ainda que não consiga parar de usar drogas ou que recaia, existe formas de consumo menos prejudiciais, que permite com que você trabalhe, tenha família, sociabilidade”, explicou.
Histórico
Tudo começou há 6 meses, com estudos da prefeitura. Depois da inserção de Equipamento Público dentro da Cracolândia, em julho do ano passado, viram que era necessário trazer os moradores da pequena favela para a sala de reuniões da prefeitura.
Naquela mesa de mais de 15 cadeiras, os dependentes químicos sentaram-se com Haddad, foram ouvidos e de lá saiu um pacto. “O acordo com eles é o seguinte: acabou a Cracolândia”, contou o prefeito.
“Só o que aconteceu nesses 3 dias é o suficiente para chamar a atenção sobre essa mudança de paradigma. Nós removemos 300 pessoas da rua sem um gesto de violência”, falou.
“Coerção não leva a nada. Aquilo é medida higienista, de limpeza, que orna com uma limpeza étnica, porque vai excluir ou aprisionar os pobres e os negros. Porque os ricos brancos vão ficar nos seus apartamentos, usando drogas, ou no máximo numa clínica de alto luxo”, disse o psiquiatra.
Assista entrevista com o prefeito Fernando Haddad:
Nenhum comentário:
Postar um comentário