quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Repressão em SP faz “rolezinhos” se multiplicarem


Ministro da Secretaria-Geral da Presidência classifica como "inadequada" a ação da Polícia 
Militar nos chamados 'rolezinhos' em shopping centers de São Paulo e diz que isso "acaba 
colocando gasolina no fogo"; Gilberto Carvalho também criticou a postura de empresários em 
querer bloquear a entrada dos jovens de periferias nos estabelecimentos; "Eu não tenho dúvida 
que isso está errado. Para mim é, no mínimo, inconstitucional. Qual o critério que você vai 
selecionar uma pessoa da outra? É a cor, é o tipo de roupa que veste? Tudo isso implica no 
preconceito", disse; no sábado passado, o shopping JK, do empresário Carlos Jereissati, obteve 
liminar judicial para impedir a entrada dos participantes dos 'rolezinhos'.

Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

'Não deu outra. Assim como aconteceu com os protestos de junho contra o aumento daspassagens de 
ônibus, a repressão policial do último fim de semana provocou a multiplicação dos "rolezinhos" por 
vários shoppings em bairros de São Paulo e outros Estados. Até agora, havia o registro de apenas seis 
em São Paulo, desde o dia 7 de dezembro, mas agora já foram marcados outros 10 "rolezinhos" para as 
próximas semanas. E já estão sendo programados pelas redes sociais manifestações do gênero em 
Brasília, no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, em Pernambuco e Santa Catarina.
Resultado: o governo federal, o governo de São Paulo e a Abrasce, a entidade que reúne os 264 
shoppings do país, fizeram reuniões de emergência nesta terça-feira para discutir o que fazer diante do 
movimento que começou com a zoeira de jovens da periferia de São Paulo e agora ameaça se alastrar 
por todo o país.
A presidente Dilma Rousseff reuniu ministros, entre eles José Eduardo Cardozo (Justiça) e Marta 
Suplicy (Cultura), para entender o que está acontecendo e discutir possíveis providências, pois está 
preocupada com a invasão dos "rolezinhos" por grupos radicais, como os "black blocs", que 
infernizaram a vida das principais capitais brasileiras com atos de vandalismo que duraram várias 
semanas no meio do ano.
Em São Paulo, fiel ao estilo do governo Alckmin, que diante de uma liminar da Justiça mandou logo 
suas tropas para os shoppings, o secretário da Segurança Pública , Fernando Grella Vieira, já avisou 
que "a PM vai usar a força, se for necessário", como já aconteceu no último sábado quando policiais 
munidos de cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, tentaram impedir o 
"rolezinho" que reuniu 3 mil jovens no shopping Metrô Itaquera.
Organizados pelas redes sociais, estes encontros reunindo centenas de jovens que promovem correrias 
nos shoppings começaram na zona leste de São Paulo para aproximar os campeões de audiência do 
Facebook, que chegam a ter mais de 50 mil seguidores, das suas fãs, que querem conhecê-los 
pessoalmente e muitas vezes levam presentes para seus ídolos anônimos, como mostra alentada 
reportagem de Ana Krepp, na Folha desta terça-feira, em que ela mostra como surgiu o fenômeno que 
agora preocupa as nossas autoridades.
Estes jovens são facilmente identificáveis pela polícia pois usam todos as mesmas roupas e adereços e o mesmo corte de cabelo, e são em sua maioria negros e pobres, apesar das grifes de marca que utilizam. Assim como o governo federal, eu também não tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas concordo com a avaliação da presidente Dilma de que "esses jovens estão nitidamente tentando ocupar espaços e há um certo grau de contestação na ação nos shoppings".
Também como aconteceu em junho, parece tudo algo espontâneo, que brota do nada, sem lideranças, mas é certo que o clima de insegurança gerado pelos "rolezinhos" e a revolta dos jovens da periferia, que se sentem discriminados e perseguidos pela polícia, certamente interessam a quem pretende conturbar o ambiente político nestes meses que antecedem a eleição presidencial.
Como informei outro dia aqui no Balaio, protestos de rua já estão marcadas para o dia 25 de janeiro em várias capitais que terão jogos da Copa do Mundo, sem uma bandeira específica e também sem que se conheçam seus líderes. Sob o lema "Não vai ter Copa", estas manifestações tentarão repetir os protestos de junho, que causaram grandes desgastes aos governantes em todos os níveis. Com a repressão animada de um lado e os "black blocs" à espreita de outro, este verão promete ser mais quente do que já estão marcando os termômetros."
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