segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Bangladesh: Partido governista é reeleito em eleições marcadas por violência e boicote


Apoiadores do BNP agridem simpatizante de partido governista em confronto político na região 
de Rajshani.

O partido Liga Awami, que detém o poder político em Bangladesh, venceu na madrugada desta segunda-feira (06/01) as eleições parlamentares do país asiático, que foram marcadas por violência, mortes e baixa participação popular, além do boicote da oposição. Sem enfrentar adversários em cerca de metade dos distritos do país, os governistas venceram em 105 das 139 circunscrições eleitorais onde houve disputa. Somando-se às outras 127 em que concorreu sozinha, a Liga Awami ocupa agora mais de dois terços (232) das 300 vagas do Parlamento.
Dessa forma, a Comissão Eleitoral confirmou hoje (06) a reeleição da atual primeira-ministra, Sheij Hasina, que prometeu a formação de um novo governo ainda este mês. A oposicionista BNP (sigla em inglês do Partido Nacionalista de Bangladesh) qualificou a disputa de “farsa” e denunciou uma série de irregularidades, exigindo novas eleições.
Hasina e o líder do BNP, Begum Khaleda Zia, revezaram-se no cargo de primeiro-ministro do país durante 20 dos últimos 22 anos e são grandes rivais políticos.
Violência
Pelo menos 21 pessoas morreram desde o domingo (05), dia da realização do pleito, em confrontos entre as forças de segurança e opositores ao governo. A violência, que afastou a presença de observadores internacionais, pode se prolongar pelos próximos dias com a convocação de uma greve até quarta-feira por parte da oposição, que pede o cancelamento das eleições.
Desde o anúncio eleitoral em novembro, foram registradas cerca de 150 mortes e ataques a aproximadamente 200 colégios eleitorais foram queimados. Tradicionalmente, as eleições no país costumavam ser embaladas por festividades.
"A consequência desta triste eleição para o governo Hasina é a pressão que ele terá de administrar para estabelecer diálogo com a oposição", argumentou Hossain Zillur Rahman, economista e membro de um grupo que visa a supervisionar as eleições no país. "É o mais forte sinal de protesto da população do Bangladesh, e nos mostra que o povo está descontente com a forma como as eleições vêm sendo conduzidas por aqui."
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