quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mundo pode ficar 3,6°C mais quente, diz Agência Internacional de Energia

O mundo ficará, a longo prazo, 3,6 graus Celsius (ºC) mais quente se os governos simplesmente mantiverem os seus objetivos atuais alertou, hoje (12), a Agência Internacional de Energia (AIE). Os representantes da agência participam em Varsóvia (Polônia) das discussões sobre as alterações climáticas.
No cenário estabelecido pela AIE para os países desenvolvidos, as emissões de gases que provocam o efeito estufa relacionados com a energia, que representam cerca de dois terços do total das emissões, sofrerão um aumento de 20% até 2035, mesmo com os esforços já anunciados pelos países comprometidos com as preocupações ambientais.
Este cenário ” leva em conta o impacto das medidas anunciadas pelos governos para melhorar a eficiência energética, o apoio às energias renováveis, a redução dos subsídios aos combustíveis fósseis e, em alguns casos, a colocação de um preço nas emissões de gás carbônico”, disse a AIE no relatório anual de referência, apresentado nesta terça-feira em Londres.
No entanto, o aumento de 20% nas emissões de energia – principalmente as geradas pelo carvão e pelo petróleo e, em menor grau, do gás – dentro de 20 anos “deixa o mundo a caminho de temperaturas médias globais de 3,6°C, bem acima da meta de 2ºC definida internacionalmente”, informou a AIE.
Observando o papel fundamental do componente energético no sucesso ou no fracasso da política climática internacional, o departamento de energia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apoiou as iniciativas recentes, entre as quais o plano de ação apresentado pelo presidente americano Barack Obama; o anúncio de Pequim relativo a uma limitação de carvão; e o debate europeu sobre metas climáticas para 2030, salientando que “todas têm o potencial de limitar o crescimento das emissões de gás carbônico”.

Relatório da ONU alerta: oceanos estão mais quentes e ácidos

Um extenso relatório feito em conjunto pela ONU (Organização das Nações Unidas) e uma equipe internacional de 540 cientistas revela um presente e um futuro sombrios em relação aos oceanos do mundo. Segundo pesquisas, os gases de efeito estufa gerados pela queima de combustíveis fósseis estão tornando as águas dos oceanos mais quentes, ácidas e com pouco oxigênio por causa da elevação dos níveis de carbono. A taxa de acidez é a maior dos últimos 300 milhões de anos, de acordo com o relatório.
Antes da publicação do documento, os cientistas já estimavam que os oceanos já estavam 26% mais ácidos em relação ao ano de 1880. Além disso, também já se sabia do aquecimento médio das águas por conta das altas quantidades de dióxido de carbono provenientes da queima de carvão, petróleo e gás. Por conta disso, os mares também passaram a apresentar baixos níveis de oxigênio. Isoladas, essas variáveis já poderiam causar sérios problemas ao meio ambiente, mas todas acontecem ao mesmo tempo.
O bioquímico Ulf Riebesell, do Centro Helmholtz e do Geomar Ocean Research, na Alemanha, afirma que os cientistas estão, a cada dia, se referindo às perspectivas futuras dos oceanos como “quente, amargo e sem fôlego”. O relatório de 26 páginas é fruto de uma conferência internacional de cientistas, realizada ano passado, e reúne as pesquisas mais recentes sobre o panorama das mudanças climáticas em relação aos oceanos.
Espécies desaparecendo
Como exemplo, o relatório cita a costa do oceano Pacífico, nos EUA (Estados Unidos). Segundo as pesquisas, a maneira como o oceano está se tornando estratificado e menos misto significa menor quantidade de oxigênio na água. Os estudos mais recentes mostram que a situação chega a um nível de 80% a mais de acidificação do que havia sido originalmente previsto pelos pesquisadores. A informação foi assegurada pelo cientista Richard Feely, da National Oceanic and Pacific Marine Environmental Lab, de Seattle.
Os pesquisadores afirmam que algumas espécies marinhas só podem viver em águas em certos níveis de temperatura, acidez e oxigênio, de modo que algumas já estão se tornando mais raras – indício de que não estão resistindo às mudanças causadas pelo homem. O pH mundial dos oceanos já registrou aumento de 26% de acidez, segundo medidas de íons de hidrogênio. Simulações de computador preveem níveis elevados de acidez para os próximos 50 anos.
“Nesses níveis, as conchas de alguns moluscos, como ostras e mexilhões, começam a corroer. Esta é mais uma perda que estamos enfrentando. Vai afetar a sociedade humana”, afirma o bioquímico Ulf Riebesell.
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