Nesta quarta (09/10), um novo acidente ocorreu na usina: um funcionário soltou por engano um
tubo com água contaminada.
Os índices de radiação na agua marítima próxima à usina nuclear de Fukushima atingiram seu maior nível em dois anos, informou nesta quinta-feira (10/10) a empresa responsável pela manutenção da planta, a Tepco (Tokyo Eletric Power). Desde 2011, quando um tsunami danificou os reatores nucleares do local, a companhia luta para controlar o possível vazamento de material radioativo.
Segundo funcionários, amostras recolhidas nesta quarta (09/10) na água do mar do porto situado em frente à central nuclear mostram aumento de 13 vezes do nível radioativo em apenas 24 horas. Na área próxima ao segundo reator, foram detectados até 830 becquerels por litro de césio 137, o maior índice registrado em dois anos e muito acima dos 64 becquerels por litro encontrados no dia anterior.
A Tepco explicou que o aumento pode estar relacionado aos trabalhos desenvolvidos para melhorar a pavimentação no lugar a fim de prevenir que a água contaminada pelo vazamento no acidente caia no oceano. No entanto, a empresa acredita que a pressão realizada no bombeamento de elementos químicos para fortalecer o solo entre os reatores e o mar pode ter movimentado a terra contaminada, levando-a à área portuária.
Nesta quarta (09/10), um novo vazamento nuclear contaminou seis trabalhadores da usina. A empresa explicou que um funcionário soltou por engano um cano que estava conectado a um sistema de tratamento para remover o sal das centenas de toneladas de água bombeadas nos reatores nucleares.
"É sério que seja outro problema causado por descuido, mas eu não acredito que seja uma dosagem seriamente preocupante", disse Shunichi Tanaka, presidente da Autoridade Reguladora Nuclear do Japão, nesta quarta (09/10) em resposta às crescentes críticas à atuação da Tepco. “Mas, o fato de que tem havido uma série de incidentes que poderiam ser evitados, acho que esse é o grande problema", concluiu.
Greenpeace: descontaminação insuficiente
Existem muitos indícios de que o vazamento nuclear está causando danos ao entorno. Para a organização ambientalista Greenpeace, os esforços do governo japonês para limpar as áreas ao redor de Fukushima foram insuficientes.
Nesta quinta (10/10), o grupo emitiu comunicado contrário à permissão de moradores voltarem a suas casas próximas à usina nuclear. Segundo a organização, análises realizadas dentro da zona isolada de 20 km ao redor da usina mostraram que ainda existem altos níveis de radiação.
"A descontaminação exige uma enorme dedicação para reduzir os níveis de radiação em estradas, em casas e em terrenos agrícolas", declarou Jan Vande Putte, conselheiro de proteção contra radiação do Greenpeace.
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