De acordo com a B’Tselem, os fatos ocorreram na terça-feira (9), na cidade de Hebron, na Cisjordânia. Wadi Maswadeh, de 5 anos e nove meses, foi detido por sete soldados israelenses após jogar uma pedra em um carro de um assentado israelense. Após alguns cidadãos palestinos tentarem impedir a detenção, afirma a B’Tselem, o garoto foi colocado, chorando, dentro de um veículo militar, junto com um adulto palestino, e levado para casa. Ao chegar em casa, os soldados informaram que o garoto seria entregue para a polícia palestina, mas sua mãe não autorizou a saída até que o pai da criança, Karam Maswadeh, voltasse para casa.
Ao chegar em casa, Karam encontrou o filho chorando atrás de uma pilha de colchões, e foi levado até um posto de controle militar após ser ameaçado de prisão. Karam ficou algemado e vendado durante uma hora, até a chegada de um oficial militar israelense. Segundo a B’Tselem o oficial reclamou com os soldados, não por terem detido o garoto, mas por terem feito isso em frente às câmeras da ONG. O oficial afirmou, diz a B’Tselem, que prisioneiros devem ser bem tratados quando presos diante das câmeras, para não “prejudicar a imagem pública” de Israel. Em seguida, um soldado tirou as algemas e a venda de Karam e deu água para ele, antes de encaminhar a soltura.
A prisão de uma criança de cinco anos seria um descalabro em qualquer lugar do mundo, mas nos territórios palestinos ganha proporções ainda maiores. Isso porque a arbitrariedade deste episódio escancara a violência diária à qual são submetidos os palestinos ocupados militarmente por Israel, um processo condenado em bloco e de forma veemente pela comunidade internacional.
Ainda que a questão palestina seja fruto de erros históricos dos dois lados, hoje está nas mãos de Israel encontrar uma resolução a ela. Nesta quinta-feira, em sua coluna no jornal Haaretz, o ex-diplomata israelense Ilan Baruch deu um conselho útil ao governo de Israel. Para Baruch, o momento mais crítico no desmantelamento do Apartheid se deu quando o governo branco da África do Sul internalizou o entendimento de que o regime segregacionista não tinha futuro. “Este, então, é o primeiro imperativo que abre o caminho para as negociações: o reconhecimento de que a ocupação, como o Apartheid, é uma experiência política, diplomática e de segurança nacional sem futuro.”
Baruch fala com propriedade. Em 2011, ele abandonou o governo de Israel alegando que a política externa israelense é “errada”, e que identificar a condenação internacional a Israel com o antissemitismo é “simplista, provinciano e artificial”.
Atualmente, o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, está tentando mediar uma nova rodada de diálogos entre israelenses e palestinos. Por enquanto, não há sinal de avanço, muito menos de que o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, tenha aprendido com o exemplo de Baruch.
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