segunda-feira, 10 de junho de 2013

“Griffo, a insaciável”.


Incrível! Griffo Comunicação, que vence todas as licitações milionárias para a propaganda tucana, oculta campanhas que realiza, doa dinheiro ao PSDB e até já “pagou” para trabalhar para o partido. 
Empresa também subestima os preços cobrados: serviços para Alexandre Von, prefeito de Santarém, teriam custado apenas R$ 20 mil. Trabalhos para a campanha de Valéria teriam ficado mais caros do que para Jatene e Zenaldo. Tudo na terceira reportagem da série “Griffo, a insaciável”.

No Blog da Perereca

Orly Bezerra, o rei do pedaço: Griffo oculta campanhas, subestima pagamentos e ganha todas as licitações dos governos tucanos. Tudo sob o olhar complacente do MP e da Receita Federal.
(Leia as reportagens anteriores da série: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/05/secretario-de-comunicacao-do-para.html ).
Em 21 de novembro de 2010, o jornal O Liberal publicou, na página 10 do caderno Poder, uma entrevista com o publicitário Orly Bezerra, dono da Griffo Comunicação e Jornalismo.
Na entrevista, consta que Orly trabalhou como coordenador de marketing das campanhas do PSDB ao Governo do Pará em 1994, 1998, 2002 e 2010.
E que também “contribuiu” nas eleições de cinco senadores: Ademir Andrade, Luiz Otávio Campos, Duciomar Costa, Mário Couto e Fernando Flexa Ribeiro.
Embora o texto não faça referência, foi também Orly quem coordenou o marketing do PSDB em 2006, quando o tucano Almir Gabriel perdeu o Governo do Estado para a petista Ana Júlia Carepa.
No entanto, veja só que coisa espantosa: no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não há sinal nem da Griffo nem de Orly em algumas das campanhas coordenadas pelo marqueteiro.
E mais: quando contabiliza seus serviços, a Griffo o faz em valores tão baixos, mas tão baixos, que, certamente, arrancaria gargalhadas de quem conhece minimamente os custos de uma campanha eleitoral.
A empresa, que vence todas as licitações para os milionários contratos de propaganda dos governos tucanos, doa dinheiro para o PSDB.
E, por incrível que pareça, já teria até “pagado” para trabalhar para o partido.
Um “investimento” com retorno imediato
Em 2002, informa o site do TSE, a Griffo recebeu R$ 45.000,00 por serviços fornecidos ao Comitê Financeiro Único do PSDB.
No entanto, doou R$ 46.228,00 à campanha do tucano Simão Jatene ao Governo do Estado.
Ou seja: na prática, a Griffo “pagou” R$ 1.228,00 para trabalhar na campanha eleitoral de 2002...
E não apenas na campanha de Jatene, mas, também, na de Duciomar Costa.
Porque, como você viu acima, Orly “contribuiu” com a eleição de Duciomar ao Senado, em 2002.
Mas na prestação de contas de Duciomar não há sinal de pagamentos nem à Griffo nem a Orly.
Constam, apenas, doações em valores “estimáveis” do comitê financeiro do PSDB para Duciomar.
A Griffo também não figura nas prestações de contas de Almir Gabriel e de Mário Couto em 2006.
O Comitê Financeiro Único do PSDB centralizou praticamente todos os pagamentos da campanha de Almir.
E dos mais de R$ 8,8 milhões em despesas do comitê só estão identificados R$ 44.500,00, pagos à churrascaria Rodeio.
Todas as demais despesas – pelo menos online – estão classificadas até hoje como “diversas a especificar”.
Assim, a Griffo não aparece nem como doadora nem como fornecedora da campanha de 2006, quer para candidatos, quer para comitês eleitorais, mesmo quando a busca é realizada através do CNPJ da empresa (04.144.804/0001-15).
Em 2008, a Griffo forneceu serviços que totalizaram R$ 529.100,00 a candidatos e comitês.
Foram 6 os candidatos a prefeito que pagaram por trabalhos da empresa: Antonio Carlos Vilaça (PSC/Barcarena); João Salame (PPS/Marabá); Valdemar Pereira Dias (PSDB/Canaã dos Carajás); Vildemar Rosa Fernandes (PR/São Miguel do Guamá); Joaquim Lira Maia (DEM/Santarém) e Valéria Pires Franco (DEM/Belém).
No entanto, não há sinal de duas outras campanhas nas quais a Griffo, seguramente, trabalhou: a do tucano Manoel Pioneiro a prefeito de Ananindeua; e a de Bel Mesquita, do PMDB, à prefeitura de Parauapebas.
Em 2010, a Griffo não aparece nas prestações de contas dos tucanos Simão Jatene e Fernando Flexa Ribeiro, que se elegeram, respectivamente, governador e senador.
No caso de Jatene, a arrecadação e as despesas foram centralizadas pelo Comitê Financeiro Único.
E foi esse comitê que pagou R$ 261 mil pelos serviços da Griffo.
Em 2012, a mesma triangulação: a Griffo não aparece na prestação de contas de Zenaldo Coutinho, mas figura na prestação de contas do Comitê Financeiro Único do PSDB, que centralizou a arrecadação e os pagamentos da campanha de Zenaldo.
Segundo o TSE, a Griffo forneceu R$ 160 mil em serviços ao Comitê Financeiro Único do PSDB de Belém (ao qual também doou R$ 5 mil).
E forneceu, ainda, R$ 20 mil em trabalhos ao Comitê Financeiro do PSDB de Santarém, município onde o marqueteiro Orly Bezerra “contribuiu” para eleger o atual prefeito, o tucano Alexandre Von.
No entanto, não há sinal da empresa em qualquer outra campanha eleitoral de 2012.
Nem mesmo na do tucano Manoel Pioneiro, o atual prefeito de Ananindeua, para a qual ela também teria prestado serviços.
Campanhas a preços de viração
Essa triangulação que você viu acima é usual nas campanhas dos tucanos paraenses.
Além de dificultar a fiscalização, ela evita que se perceba rapidamente a ligação entre os eleitos e os doadores e fornecedores de campanha.
E isso é muito útil - para quem ganha todas as licitações dos governos que ajudou a eleger.
No entanto, nem mesmo esse artifício consegue esconder um fato espantoso: os valores incrivelmente baixos que a Griffo diz cobrar pelas campanhas que realiza.
Veja-se a campanha do tucano Alexandre Von, de Santarém: R$ 20 mil pagos à Griffo, através do comitê financeiro, para serviços de produção dos programas de rádio e Tv – uma quantia que não cobre nem mesmo os custos de um repórter, em uma campanha de um município-polo.
Veja-se, ainda, a eleição de 2010: os serviços da Griffo teriam custado apenas R$ 261 mil.
Desse total, R$ 201 mil seriam referentes à produção dos programas de rádio e Tv.
Em valores atualizados pelo IPCA-E, esses R$ 201 mil correspondiam, em abril de 2013, a R$ 236.276,59.
E note bem: esse valor seria para duas campanhas – Governo e Senado.
Porque Orly também coordenou a campanha de Flexa Ribeiro, como informa o jornalista Daniel Nardin (que é assessor de imprensa do senador), em um trabalho que apresentou no XI Politicom, congresso de marketing realizado em Curitiba, no final de 2012.
Agora veja bem: em 2012, os serviços da Griffo para a campanha de Zenaldo a prefeito de Belém (também referentes à produção de programas de rádio e Tv) teriam custado R$ 165 mil, segundo a prestação de contas do Comitê Financeiro do PSDB.
Em valores atualizados pelo IPCA-E, esses R$ 165 mil equivaliam, em abril de 2013, a R$ 171.590,83.
Quer dizer: proporcionalmente, a Griffo teria cobrado mais pela campanha de Zenaldo do que pela eleição ao Governo do Estado, que mobiliza mais profissionais e gera despesas bem maiores, já que exige até o deslocamento de equipes a vários municípios.
E para que não se pense que essa discrepância deriva de um eventual aumento de preço das campanhas, aí vai outra informação: em 2008, a Griffo cobrou pela campanha de Valéria Pires Franco, do DEM, à Prefeitura de Belém, R$150 mil.
Desse total, R$ 130 mil foram referentes à produção de programas de rádio e TV.
E esses R$ 130 mil, em valores atualizados pelo IPCA-E, correspondiam, em abril de 2013, a R$ 166.620,12.
Quer dizer: a Griffo teria cobrado, proporcionalmente, mais pela campanha de Valéria do que pela campanha de Zenaldo, já que Valéria, ao contrário de Zenaldo, não passou para o segundo turno – e o segundo turno exige uma produção frenética de programas de rádio e Tv, que vão ao ar diariamente.
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