Do Portal do Emiliano:
Quem recorrer ao excelente livro de Paolo Marconi (A censura política na imprensa brasileira - 1968-1978. São Paulo: Global Editora, 1980) vai poder constatar o quanto é verdadeira a afirmação de Skidmore quanto ao papel da imprensa na articulação do golpe militar. Especialmente quando ler o depoimento de Ruy Mesquita, então diretor e co-proprietário de O Estado de S. Paulo.
Ele registra, sem meios-termos, que os diretores do jornal tinham reuniões diárias com os militares que conspiravam contra Goulart.
Não se tratava tão somente da ação discursiva, das manchetes, das matérias, dos enfoques e conteúdos jornalísticos. Os donos dos jornalões brasileiros, que tinham força e prestígio nacionais, reuniam-se constantemente com os golpistas. “Tínhamos reuniões diárias com militares que se opunham à situação e que acabaram derrubando Goulart”.
Ou seja, prepararam o golpe conjuntamente com eles. Esse mérito, Mesquita o tem: não faz rodeios. Mérito do “Estadão”, que sempre proclamou sua posição à direita. Diferentemente de outros veículos, que fingem uma coisa e são outra.
Ruy Mesquita, no depoimento dado a Marconi, diz que sabia que se o golpe fosse vitorioso – ele o chamava de revolução – não seria possível implantar imediatamente um regime “plenamente democrático”. Afirma que o jornal só rompeu com a ditadura – a revolução, segundo Mesquita – depois do AI-5, embora em termos, pois nada impedia de o jornal dar todo o apoio ao que a ditadura fizesse de positivo, “principalmente na sua política econômica”. Nesse depoimento, curiosamente, Mesquita reclamava da censura. Faz lembrar o que Marx dizia: a burguesia chama a espada, e depois a espada se volta contra ela.
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