terça-feira, 19 de março de 2013

O triste fim de um ex-Gabeira



Um chiste eleitoral de que não me esqueço foi uma resposta que o então candidato do PSOL, Jefferson Moura (que está migrando para a legenda da Marina), deu a Fernando Gabeira, num debate em 2008. Moura dirigiu um olhar compassivo para o velho Gabeira de guerra, ícone da maconha livre, da liberdade sexual e da resistência à ditadura, que agora havia se tornado a quinta-coluna da direita carioca e tascou: você é um ex-Gabeira.
O apelido pegou profundamente porque, de fato, a gente assistiu uma conversão terrificante: Gabeira havia se tornado um homem conservador. Até seu aspecto mudara. Talvez ele já estivesse mudando há tempos, mas só agora a gente prestava atenção em sua figura. 
O espirituoso e sorridente Gabeira se tornara um velho carrancudo, um ancião ideológico, sempre com uma expressão angustiada, triste, severa, acusadora. Desde muito não mencionava qualquer bandeira social ou libertária. 
Em 2010, candidatou-se a governador ao estado do Rio apenas para dar palanque à José Serra, de quem foi um cabo eleitoral bastante ativo, ao menos até perceber que fora enganado pelo PSDB, que lhe prometera recursos de campanha, mas o deixou à míngua.
Gabeira agora escreve semanalmente para o Estado de São Paulo, bastião do velho conservadorismo paulistano. Função: usar o tema da semana para bater no PT. O estilo, udenista até a medula. 
O ex-guerrilheiro tornou-se um Jabor que ingeriu doses cavalares de calmantes tarja preta.
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