sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Em vídeo, marinheiros chilenos cantam ameaças de morte a vizinhos sul-americanos

“Argentinos matarei, bolivianos fuzilarei, peruanos degolarei”, cantam fuzileiros navais chilenos enquanto treinam ao longo da costa de Viña del Mar, importante cidade do país e muito visitado por argentinos. Em um vídeo que circulou pelas redes sociais e provocou polêmicas diplomáticas, os cantos – considerados xenófobos - não são novidade entre as tropas navais do país.



Arturo Amaro Pestan esteve na escola naval de Valparaíso, entre 1996 e 1999, no treinamento para oficial da Marinha. Apesar de advogado atualmente, sempre viveu em um ambiente naval e diz que os cantos eram normais para a instrução militar, encarados como brincadeira e de modo a motivar as filas nos treinos às 5h30.
Em entrevista a Opera Mundi, Pestan diz que “claro que não gostaria de ir ao Peru e escutar 25 soldados cantando contra chilenos, mas estão tratando como se a instituição fosse xenófoba. Eu estaria mentindo se dissesse que senti isso”. Ele diz que, naquela época, os marinheiros tinham “integração plena, com exercícios navais conjuntos com diversos fuzileiros da América Latina; passamos muito tempo com bolivianos, argentinos e brasileiros”.
Como exemplo, cita o navio-escola Esmeralda, de treinamento da marinha chilena, para onde vão guardas marinhos argentinos e o navio-escola argentino, a Fragata Libertad, ao qual vão guardas marinhos chilenos.
Para Pestan, é lamentável que a imprensa tenha “explorado as feridas abertas pela Guerra do Pacífico, com notícias como as da disputa pela saída ao mar, que são coisas a se discutir, mas não com notícias anti-peruanas, anti-bolivianas, usando o sentimento nacionalista”.
O advogado contou que, entre os cantos de sua época, se incluem versos como “Caminhando pela sela com minha M16 / a todo inimigo (argentino, peruano, boliviano) que eu veja matarei / seus olhinhos arrancarei / e seu sangue beberei”. Na mesma música, uma estrofe diz “Quero me banhar / em uma piscina / cheia de sangue / sangue inimigo / para não temer a morte”.
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