Esta foto eu fiz no dia 18 de fevereiro de 2012. O avião fazia a curva final em direção ao pouso em Santarém. De uma altura aproximada de 1.500 metros, obtive várias imagens de Alter do Chão. Esta, porém, é minha predileta. De um lado, o Tapajós, de outro, o Lago Verde, que aí parece azulado. O que chama atenção é a coloração do rio, numa tonalidade estranha, nem o decantado verde esmeralda nem o azulado transparente.
Foto: MDutra
Pode ter sido produto de um efeito de espontâneo de câmera, pois nenhuma das fotos que publico é editada por nenhum dos recursos tipo photoshop ou assemelhado. Há um ano começavam a brotar notícias esparsas sobre a retomada da garimpagem do Alto Tapajós, com a chegada de potentes dragas escariantes para revirar o leito do grande rio e alguns de seus afluentes.
Nas últimas semanas, porém, as notícias amiúdam e indicam, já, a existência de dezenas dessas enormes máquinas, além da penetração de milhares de trabalhadores para a garimpagem, notadamente depois que o governo federal reduziu o tamanho das reservas naturais daquela região para facilitar a implantação das projetadas hidrelétricas.
Será que essa coloração do Tapajós, vista aí na foto (ao lado esquerdo de quem está de frente para o computador) já seria produto da agressão ao rio? Pergunta que merece resposta, caso contrário, se isso se confirmar, desta vez poderá ser o adeus ao tão decantado rio de infinitos quilômetros de praias e da decantada Alter do Chão, já considerada uma das belas praias do mundo.
Como serão as próximas reportagens dos jornais estrangeiros e brasileiros: a mais bela praia ou mais suja praia que outrora foi bela?
Na década de 80 o Tapajós mudou de cor e emporcalhou as praias de Alter do Chão e toda a orla do rio. A agressão diminuiu em mais de 90% e as águas retomaram a sua cor natural por causa da queda do preço do ouro e das medidas econômicas do governo Collor. Foi assim que o Tapajós reviveu naquela época, quando nenhuma medida foi tomada para impedir tão brutal transformação da natureza em tão grande escala. Agora, no entanto, o ouro está com o preço lá nas alturas. Ontem, superou os 100 reais a grama. Será desta vez que vão matar o rio e a vida aí existente?
Numa cidade, como Santarém, e num Estado, como o Pará, onde a omissão dos poderes "públicos" é de todos conhecida, qual é o futuro próximo do Rio Tapajós, do turismo incipiente (e financiado pelo governo)? E os empregos? E a Praia do Amor? E a saúde geral da população que poderá estar comendo peixes contaminados por mercúrio? Vamos todos, "autoridades" e o "povo (calado) em geral" esperar até chorar a tragédia?
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