sexta-feira, 20 de abril de 2012

REVISTA TIME - 2012 : Dilma entre as 100 Pessoas Mais Influentes do Mundo

Texto de Cristina Fernández de Kirchner - Presidente da Argentina

Uma vez eu vi uma foto de Dilma Rousseff aos 22 anos.
Ela estava em pé, defronte a um tribunal militar (isso em 1969) e este era composto por juízes que escondiam seus rostos com as mãos (no ato do registro do fotógrafo). Na imagem, ela “exalava” (transparecia) uma postura de desafio.
E os papéis pareciam estar invertidos: era Dilma que parecia estar a acusar ali não somente os militares - mas também o Estado - como cúmplices de uma condição injusta que restringia o poder político à maioria, durante o “reinado” de duas décadas dos generais. 
A mulher que eu conheci em 2003 (quando tornou-se ministra no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva) possuía a mesma determinação (comprometimento) que a menina na foto.  Ela e eu vivenciamos muitas experiências pessoais análogas: o ímpeto que deriva de nossa herança imigrante, um ativismo e militância precoces e o desafio enfrentado por mulheres que cresceram (e venceram) num espaço dominado por homens. E ambas concordamos ainda que a desigualdade social seja o maior problema enfrentado por nossos países.
Historicamente, o conceito de "coisa nacional" na América Latina sempre foi identificado como o oposto dos demais interesses nacionais dos outros países da nossa região. Hoje, através da liderança de Dilma Rousseff, o que se vê é um Brasil convencido de que seu interesse nacional está inequivocamente ligado aos interesses de seus vizinhos. 
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