Texto de Cristina Fernández de Kirchner - Presidente da Argentina
Uma vez eu vi uma foto de Dilma Rousseff aos 22 anos.
Ela
estava em pé, defronte a um tribunal militar (isso em 1969) e este era
composto por juízes que escondiam seus rostos com as mãos (no ato do
registro do fotógrafo). Na imagem, ela “exalava” (transparecia) uma
postura de desafio.
E os papéis pareciam estar invertidos: era Dilma que
parecia estar a acusar ali não somente os militares - mas também o
Estado - como cúmplices de uma condição injusta que restringia o poder
político à maioria, durante o “reinado” de duas décadas dos generais.
A mulher que eu conheci em 2003 (quando
tornou-se ministra no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da
Silva) possuía a mesma determinação (comprometimento) que a menina na
foto.
Ela e eu vivenciamos muitas experiências pessoais análogas: o ímpeto
que deriva de nossa herança imigrante, um ativismo e militância precoces
e o desafio enfrentado por mulheres que cresceram (e venceram) num
espaço dominado por homens. E ambas concordamos ainda que a desigualdade
social seja o maior problema enfrentado por nossos países.
Historicamente, o conceito de "coisa nacional" na América Latina
sempre foi identificado como o oposto dos demais interesses nacionais
dos outros países da nossa região. Hoje, através da liderança de Dilma
Rousseff, o que se vê é um Brasil convencido de que seu interesse
nacional está inequivocamente ligado aos interesses de seus vizinhos.
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