A notícia foi divulgada no sábado. Para a
apreensão de muitos, Mohamed el Baradei, diplomata e prêmio Nobel de la
Paz, candidato à presidência do Egito nas eleições de junho próximo,
anunciou sua desistência de concorrer ao pleito. A decisão foi vista
como um duro golpe para parte da população.
Em nota, o ex-diretor
do Organismo Internacional de Energia Atômica, explicou que sua decisão
deve-se à postura dos militares, que tomaram o poder no país desde a
queda do ex-presidente Hosni Mubarak. Para o diplomata, eles não
demonstram qualquer intenção de ceder o poder à autoridade civil, ou
tampouco renunciar a seus históricos privilégios. Segundo El Baradei, o
antigo regime simplesmente ainda não caiu. “Os militares estão
governando como se nenhuma revolução tivesse acontecido”, alegou.
O jornal El País ressaltou neste sábado que
El Baradei voltou ao Egito no começo de 2010, quando criou grande
expectativa junto à parte da população. E que, desde então, começou uma
campanha pela democracia que resultou na criação da Assembleia Nacional
pela Mudança, um movimento que conseguiu, pela primeira vez, reunir
posições políticas diversas, desde os Irmãos Muçulmanos, até os liberais
e a esquerda.
Na
análise do periódico espanhol, o apoio maior de El Baradei vem dos
jovens, os quais empenharam-se para “angariar milhões de assinaturas
para suas propostas”. Agora, descreve o El País, essa mesma juventude
encontra-se orfã e muitos afirmam estar decepcionados com a decisão.
O
jornal especula, ainda, a possibilidade de que os Irmãos Muçulmanos –
representados pelo Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ) - tenham
feito um acordo com os militares. Em suma aos militares seria permitido
manter seu status, em troca do apoio ao controle do Congresso pelos
islamitas.
Um dos indícios de que a tese tem algum fundamento foi
detalhado pelo jornal norte-americano, The Washington Post: os líderes
da irmandade já estudam um projeto que oferecerá imunidade aos generais
do Conselho Supremo das Forças Armadas, de forma a que não sejam
processados por crimes cometidos no período posterior à renúncia do
ditador.
O
El País recorda que a mão pesada dos militares foi sentida como nunca
nos últimos meses de tutela da Junta Militar. O jornal informa que mais
de 12 mil julgamentos militares processaram civis com a lei marcial,
ante 2,4 mil da era Mubarak. Sobre os militares também pesa uma centena
de mortos, além de, pelo menos, 2 mil feridos.
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