segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Prêmio Nobel desiste de disputar a presidência no Egito

A notícia foi divulgada no sábado. Para a apreensão de muitos, Mohamed el Baradei, diplomata e prêmio Nobel de la Paz, candidato à presidência do Egito nas eleições de junho próximo, anunciou sua desistência de concorrer ao pleito. A decisão foi vista como um duro golpe para parte da população.
Em nota, o ex-diretor do Organismo Internacional de Energia Atômica, explicou que sua decisão deve-se à postura dos militares, que tomaram o poder no país desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak. Para o diplomata, eles não demonstram qualquer intenção de ceder o poder à autoridade civil, ou tampouco renunciar a seus históricos privilégios. Segundo El Baradei, o antigo regime simplesmente ainda não caiu. “Os militares estão governando como se nenhuma revolução tivesse acontecido”, alegou.
O jornal El País ressaltou neste sábado que El Baradei voltou ao Egito no começo de 2010, quando criou grande expectativa junto à parte da população. E que, desde então, começou uma campanha pela democracia que resultou na criação da Assembleia Nacional pela Mudança, um movimento que conseguiu, pela primeira vez, reunir posições políticas diversas, desde os Irmãos Muçulmanos, até os liberais e a esquerda. 
Na análise do periódico espanhol, o apoio maior de El Baradei vem dos jovens, os quais empenharam-se para “angariar milhões de assinaturas para suas propostas”. Agora, descreve o El País, essa mesma juventude encontra-se orfã e muitos afirmam estar decepcionados com a decisão.
O jornal especula, ainda, a possibilidade de que os Irmãos Muçulmanos – representados pelo Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ) - tenham feito um acordo com os militares. Em suma aos militares seria permitido manter seu status, em troca do apoio ao controle do Congresso pelos islamitas.
Um dos indícios de que a tese tem algum fundamento foi detalhado pelo jornal norte-americano, The Washington Post: os líderes da irmandade já estudam um projeto que oferecerá imunidade aos generais do Conselho Supremo das Forças Armadas, de forma a que não sejam processados por crimes cometidos no período posterior à renúncia do ditador. 
O El País recorda que a mão pesada dos militares foi sentida como nunca nos últimos meses de tutela da Junta Militar. O jornal informa que mais de 12 mil julgamentos militares processaram civis com a lei marcial, ante 2,4 mil da era Mubarak. Sobre os militares também pesa uma centena de mortos, além de, pelo menos, 2 mil feridos.
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