segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Festa de 10 anos da revista Fórum



No Blog da Cidadania

No último sábado, em um casarão do bairro do Cambuci, em São Paulo, a revista Fórum promoveu evento comemorativo aos seus dez anos de vida.
O evento, como se verá, acabou se convertendo em um amplo fórum de discussões políticas que, conforme a transmissão pela internet avançava, foi atraindo figuras políticas como o ex-ministro José Dirceu.
Corte para a chegada deste blogueiro ao local, por volta das 14 horas de uma típica tarde paulistana de fim de inverno – gelada e molhada pela boa e velha garoa de minha cidade, tão celebrada em verso e prosa.
Surpreendeu-me a recepção: parecia que tinha vencido uma corrida de Fórmula 1, apesar de apenas ter sido atacado pelas hordas da mídia golpista.
Do alto de quase dois metros de altura, a voz tonitruante de Luiz Carlos Azenha troveja: “Agora que a Veja atacou o Eduardo ele está todo sorridente”. Pelo quintal que divide o casarão da frente do galpão dos fundos, onde foi montado auditório e palco para um show de música, grupos se voltam, várias pessoas me cumprimentam, vou parando aqui e ali…
Na parte da frente da propriedade, na sala de estar do casarão, foi montado o estúdio para debates por onde passariam políticos, jornalistas, advogados, professores, filósofos, politólogos, estudantes, ativistas políticos e, claro, muitos blogueiros.
A diversidade do público era sua característica. Jovens e maduros, alternativos e caretas misturavam-se em grupos heterogeneamente homogeneizados por pautas políticas, culturais e tantas outras.
Citar nomes obrigaria a fugir do foco deste post, que é o que emergiu daquele evento (na visão deste blogueiro). Os detalhes da festa de dez anos da revista Fórum você poderá conferir no blog do Renato Rovai, editor da publicação – veja link do blog na coluna de sites que indico no lado direito desta página.
O que “emergiu” partiu da “mesa redonda” que esquentou o debate político no evento. Participaram dela eu mesmo, Azenha, Conceição Oliveira, Denis Oliveira (Eca-USP), Luis Nassif, Renato Rovai, Rodrigo Vianna e o ex-ministro José Dirceu, que apareceu ao fim do primeiro bloco do programa “na condição de blogueiro”, segundo disse.
Até hoje, estive duas vezes com José Dirceu e uma delas foi ontem – a primeira foi no II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que teve lugar este ano em Brasília e que contou, inclusive, com a presença do ex-presidente Lula. À diferença da vez anterior, porém, desta vez tive tempo de fazer perguntas ao ex-ministro.
Dirceu sentou-se ao meu lado, como se pode ver na foto acima, e, a certa altura do bate-papo, quando surgiu o assunto regulação da mídia eu o interrompi e lhe perguntei se realmente a presidente Dilma era contra a “ley de médios”.
Dirceu me respondeu que não importaria se, em tese, a presidente fosse contra, porque, segundo deixou ver, haveria um forte sentimento no Congresso pela regulamentação da mídia e, assim, bastaria que essa discussão se instalasse de verdade no país para se poder provar que é mentirosa a versão midiática sobre ser tentativa de censura.
Naquele momento, da platéia que acompanhava a “mesa redonda” o deputado paulista Paulo Teixeira se levanta para negar que a presidente seja contra a regulação da mídia. Dali em diante, surgem versões de que até o fim do ano o Congresso receberá o projeto de lei de regulamentação dos meios de comunicação.
Esse, a meu ver, foi o ponto alto dos debates, no aspecto político.
O legítimo obituário do tipo de jornalismo que se faz na grande imprensa e que foi descrito pelo repórter Caco Barcelos em pleno canal a cabo de notícias da Globo, quando o repórter disse a Eliane Cantanhêde, em resposta a defesa dela do atual estilo de jornalismo na mídia, que faz jornalismo e não “militância política”, foi um dos temas.
Falou-se de como a blogosfera desconstruiu várias armações políticas da mídia, nos anos recentes, mas não se subestimou o fato de que a mídia ainda é um poder que consegue respostas poderosas no curto prazo, ainda que acabem se desfazendo no médio e no longo prazos.
Propostas para a comunicação foram a tônica do evento, a meu ver. Apesar de ser tema por certo restrito aos setores mais politizados, sucedem-se propostas sobre como levar a discussão ao resto da sociedade. Na opinião deste observador, ninguém, ali, pareceu achar que a mídia subestima a luta pela democratização da comunicação… Como tenta fazer parecer.
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