terça-feira, 19 de julho de 2011

Morte de repórter alastra escândalo de espionagem


Na Inglaterra, pátria da espionagem, a realidade supera a ficção. Morte do jornalista Sean Hoare, que denunciou o esquema de espionagem dos jornais de Murdoch, aproxima o escândalo perigosamente do premiê David Cameron

Brasil 247

Autor de mais de 20 romances de espionagem, entre eles os clássicos O Espião Que Veio do Frio e O Jardineiro Fiel, nem mesmo o escritor inglês John Le Carré concebeu uma trama tão intrincada e surpreendente como esta da Inglaterra e seus principais personagens enrolados até o pescoço no escândalo dos grampos realizados pelo jornal News of the World. Uma história real de poder, bisbilhotice e dinheiro na qual acaba de entrar em cena o único elemento que faltava: uma morte em circunstâncias misteriosas.
Na manhã desta segunda-feira, o jornalista Sean Hoare, ex-repórter do jornal e primeiro a denunciar o esquema de espionagem, foi encontrado morto em sua casa no distrito de Watford. A polícia diz que a circunstância da morte, por enquanto, “é inexplicável”. Também não há, até o momento, suspeitos. Hoare, no passado, apresentou histórico de ligação com álcool e drogas, mas demonstrava, nos últimos tempos, estar limpo. Em suas denúncias sobre o grampo, o repórter morto sempre batia na tecla das ligações entre seu ex-chefe no News of the World, Andy Coulson, e o atual primeiro-ministro David Cameron. Ex-diretor do News, Coulson deixou o cargo em 2007, aproximou-se de Cameron e foi com ele para o gabinete, como titular da área de imprensa. No começo do ano, abalado pelas primeiras denúncias de que os jornalistas do News conseguiam, mediante propina, obter informações privilegiadas da polícia inglesa, Coulson renunciou ao seu cargo. O líder trabalhista Ed Miliband exigiu do primeiro-ministro Cameron, do partido conservador, um pronunciamento duro, marcando com nitidez seu afastamento de Coulson. Cameron, porém, preferiu um discurso mais brando: “Tomei a decisão consciente de dar uma segunda chance a alguém que tinha cometido um erro", afirmou. "Ele trabalhou para mim, e trabalhou bem. Mas no fim ele decidiu que a segunda chance não adiantaria e pediu demissão por causa de seu primeiro erro."
O certo é que, na semana passada, Coulson foi o primeiro personagem preso em razão das suspeitas de ter ordenado ou sido convivente com os grampos feitos pelo pessoal do News. Pouco depois, a CEO da News Corp. na Inglaterra, Rebekah Brooks, também teve sua prisão decretada pela justiça. Ela precisou pagar fiança para continuar em liberdade. Rebekah costumava fazer cavalgadas com Cameron e conversar com ele com freqüência pouco usual. Ela é acusada de ter grampeado o ex-primeiro ministro trabalhista Gordon Brown, antecessor de Cameron. A oposição já quer saber se o próprio Cameron sabia desses movimentos. Se isso ficar comprovado, a situação dele no cargo ficará insustentável.”
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