terça-feira, 26 de abril de 2011

O que Guantanamo conta sobre os Estados Unidos

Paulo Nogueira

Cada vez  que o Wikileaks entra em ação parece que todo o resto da mídia está entregue a um nhenhenhém irrelevante.
Os documentos relativo à sinistra prisão militar americana de Guantanamo – um inferno na terra — são mais um furo de proporções históricas. Como pano de fundo, sugiro que você veja o vídeo que abre este artigo, originário da Fora.tv, com depoimentos de prisioneiros.
Em nome do combate ao terrorismo, os Estados Unidos fizeram de Guantanamo uma prisão terrorista. Chega a ser engraçado, depois, os americanos falarem em direitos humanos. É como se fosse a dona do bordel pregando a castidade.
Os papéis mostram casos como o de um quase nonagenário senil mantido preso.  Ou de um garoto de 14 anos sequestrado e levado a Guantanamo, onde foi submetido ao tratamento desumano de Guantanamo . Ou de um jornalista da rede árabe Al Jazeera preso durante seis anos sem que houvesse prova nenhuma contra ele. (Libertado em 2008, ele voltou a trabalhar para a sua antiga empresa.) Os documentos mostram também que um preso catalogado como sendo do alto escalão do terrorismo, Mohammad Qhatani, foi “encoleirado como um cachorro, humilhado sexualmente e forçado a urinar em si próprio”.
Tortura foi usada sem pudor em Guantanamo para extrair informações de qualidade duvidosa. (O torturado tende a falar qualquer coisa para se livrar da agressão.)  Recentemente, um debate bizarro tentou estabelecer se waterboard – afogam você por alguns momentos, um expediente corriqueiro em Guantanamo – é tortura ou não.
Quem acredita que não é, acredita em tudo, para lembrar a grande frase de Wellington.
Tenho lido alguns colunistas brasileiros cobrarem de Dilma críticas claras a abusos de direitos humanos no mundo. É justo. Será que eles vão cobrar que ela pronuncie sua ojeriza a Guantanamo – ainda funcionando a despeito da promessa de Obama de fechá-la?
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