Por Ruy Braga
Este mês de abril, Perry Anderson publicou um longo artigo sobre “O Brasil de Lula”.
Ao longo de boa parte do texto, somos convidados a comparar três das mais paradigmáticas interpretações do “lulismo”: a hipótese do “subperonismo”, avançada por FHC, a hipótese do, digamos assim, “neofordismo” (devido à comparação das duas presidências de Lula àquelas de F. D. Roosevelt), sustentada por André Singer e a hipótese da “hegemonia às avessas”, desenvolvida por Chico de Oliveira.
Este mês de abril, Perry Anderson publicou um longo artigo sobre “O Brasil de Lula” na prestigiosa London Review of Books. Vale a pena conferir. Demonstrando grande familiaridade com as principais questões nacionais, o historiador inglês soube providenciar para o mundo anglófono uma útil e exitosa síntese de nossas recentes diatribes, especialmente, aquelas relacionadas ao período do “Mensalão”. Por um lado, afora detalhes que desconhecia sobre a história do projeto editorial da revista Piauí, as informações de nossa cena política são, como não poderia deixar de ser, largamente conhecidas. Por outro, o que realmente me chamou a atenção neste artigo é a conclusão contida no balanço, igualmente bem-sucedido, das principais interpretações a respeito da hegemonia lulista.
Ao longo de boa parte do texto, somos convidados a comparar três das mais paradigmáticas interpretações do “lulismo”: a hipótese do “subperonismo”, avançada por FHC, a hipótese do, digamos assim, “neofordismo” (devido à comparação das duas presidências de Lula àquelas de F. D. Roosevelt), sustentada por André Singer e a hipótese da “hegemonia às avessas”, desenvolvida por Chico de Oliveira. Em suma, se para FHC, Lula encarna, pura e simplesmente, a velha tradição populista latino-americana da manipulação das massas pela liderança carismática, barganhando a adesão popular por meio da caridade pública e da adulação, tanto para Singer, quanto para Oliveira, o lulismo representaria, ao contrário, um fenômeno social inovador. Vejamos…
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