No Blog do Prof. Manuel Dutra
A briga de foice é antiga e pode recomeçar em breve
O ex-quase-talvez-senador Jáder Barbalho sempre teve o desejo de ser o grande senhor da comunicação no Pará e, quiçá, da Amazônia dos velhos tempos do Boto Tucuxi, de Manaus, o já falecido senador, ex-governador e ex-tudo na política amazonense, Gilberto Mestrinho.
A revelação, feita no blog do Jeso, de que o político paraense é detentor de 50% do capital social do Sistema Tapajós de Comunicação, o STC, com sede em Santarém, no oeste paraense, pode provar o antigo desejo. Esse sonho, no entanto, ficou mais distante de realizar-se depois que Jáder foi exposto nas telas e páginas da mídia nacional com um par de algemas nas munhecas, no meio de um dos cabeludos escândalos em que se vê metido há décadas.
Há mais de três décadas Jáder batalhou para assenhorear-se da hoje RBA, a Rede Brasil Amazônia de Comunicação, atingindo o seu intento. Porém não conseguiu agarrar o sinal da Rede Globo nem tomá-lo do jornalista e empresário Rômulo Maiorana, o pai, capitão-general do que são hoje as Organizações Rômulo Maiorana, cuja emissora-cabeça é a TV Liberal, de Belém.
Mesmo capengando ao longo dos anos, a TV Liberal conseguiu manter a afiliação global, inclusive tendo sido advertida repetidas vezes ou ameaçada de sofrer intervenção da Rede Globo caso não atualizasse os equipamentos defasados que usava ou usa.
A questão que agora vem a lume (como diziam os antigos) é que a “revelação” de que Jáder Barbalho é o principal sócio da TV Tapajós, de Santarém, pode reinaugurar a briga pelo comando da comunicação televisiva em grande parte da Amazônia, o Estado do Pará. Dificilmente o atual capitão-general das ORM, Rômulo Maiorana Júnior, irá (ou iria) assistir a esse enredo quieto, assistindo, sem nada fazer, ao seu principal inimigo político e empresarial assumir o mando televisivo em quase metade do Pará. Rômulo, o filho, também acalentou/acalenta o sonho de comandar a mídia televisiva em todo o Estado.
Porém as coisas não estão ainda bem claras, podendo haver mais clareza nas próximas semanas, inclusive a informação ainda não confirmada de que a compra das quotas do STC, a TV Tapajós, não constaria das declarações de renda do ex-quase-senador paraense.
O Pará é o único Estado da Amazônia onde a Rede Globo tem, como afiliadas, duas empresas distintas e que não se amam nem um pouco. No restante da região, a Rede Amazônica, sediada em Manaus, tem emissoras integrantes da rede regional no Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima.
Com sede em Belém, a TV Liberal, pertencente às ORM, redistribui o sinal da Globo para outros oito municípios: Altamira, Castanhal, Itaituba, Marabá, Parauapebas, Redenção, Tucuruí e Paragominas, além de vários outros municípios onde há repetidoras.
Com sede em Santarém, a TV Tapajós, integrante do STC, envia seu sinal para 12 municípios: Monte Alegre, Alenquer, Prainha, Óbidos, Belterra, Placas, Curuá, Mojuí dos Campos, Oriximiná, Juruti, Terra Santa, Faro. É esse filé eleitoral que enche os olhos de Jáder Barbalho, região onde ele tem obtido boas votações nos últimos pleitos. Aliás, Jáder sempre teve boa penetração no Oeste do Pará, desde os tempos em que ele foi oposição à ditadura, como membro do antigo MDB.
Herdeiros
A questão prática que fica é: se, de fato, Jáder Barbalho conseguir provar que é dono de metade das cotas da TV Tapajós, muito pouco restará dos 15 ou 20 milhões que vale a empresa, para os herdeiros de Joaquim Pereira e sua mulher, Vera, ambos falecidos.
Pelo visto, pode dar novela...
Diferente
O Pará é o único Estado da Amazônia que fica de fora da Amazonsat, sediada em Manaus, e que produz e transmite programação própria, com bons noticiários. Antiga desconfiança entre o cap. amazonense, Filipe Daou, e a família Maiorana, deixou os telespectadores paraenses de fora de uma programação bem feita e que dá destaque aos assuntos da Amazônia, com boa equipe de repórteres.
História
A TV Liberal é a sucedânea da TV Guajará, de Belém. Pertencia ao político local, o deputado federal Lopo de Castro desde 1969. Posições políticas em oposição ao governo federal e pressões do regime militar contra Lopo, além dos equipamentos ultrapassados, motivaram a Rede Globo a não renovar seu contrato de afiliação.
Em seguida, a Globo optou por entregar o sinal à TV Liberal por ter equipamentos mais modernos, e também por conta da situação política da TV Guajará que apoiava o então governador do estado e ex-ministro do governo Médici, Jarbas Passarinho, com quem o então presidente, general general Ernesto Geisel, tinha desentendimentos. Depois que a Guajará deixou de ser afiliada da Globo, a emissora entrou em decadência até ser extinta.
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