quarta-feira, 20 de abril de 2011

Hasta siempre, Comandante!


Quando os mais de mil integrantes do Congresso cubano ovacionavam Fidel Castro, 84, durante aparição surpresa nas comemorações dos 50 anos da invasão da Baía dos Porcos – tentativa fracassada dos Estados Unidos de derrubar o próprio Fidel – nesta terça-feira 19, não imaginavam que mais um capítulo da história do país socialista estava sendo escrito: Castro se afastava definitivamente do comando do partido e anunciava sua aposentadoria. Raúl, seu irmão, continuará comandando o país como primeiro-secretário do Partido Comunista e presidente de Cuba. Fidel passa serum simples delegado, com direito a voto.


Desde a entrada triunfal do líder cubano em Havana durante a Revolução Cubana, em janeiro de 1959, ao lado do próprio Raúl, Camilo Cienfuegos, Che Guevara, entre outros, Fidel Castro vive uma conturbada e controversa história, cheia de erros e, principalmente, acertos.
Ao mesmo tempo em que liderou a criação de um dos melhores sistemas de saúde do mundo (e melhor do continente americano), uma educação ampla e universal (menos de 1% de analfabetismo) e o desenvolvimento de atletas do primeiro escalão mundial, perseguiu opositores, artistas e jornalista. Protagonizou uma quase eminente e improvável guerra nuclear, além de ver também seu país, graças ao embargo proposto pelos próprios Estados Unidos, se isolar do resto do mundo.
Foi um golpe duro para o processo revolucionário. Mas a ilha sobrevive e mudanças acontecem, embora ocorram a passos curtos. Mais de 300 reformas foram aprovadas, principalmente na área econômica. Os cubanos vão poder comprar e vender seus imóveis e abrir negócios. O subsídio dos alimentos será abolido e a produção em fazendas particulares será incentivada.
Mas a sociedade cubana não vai se abrir para o capitalismo. Medo de uma nova invasão dos EUA? Pode ser… Numa recente viagem que fiz à ilha, fui hospedado por um castrista convicto, que se dizia assim por não concordar com o modelo comunista e tampouco com o capitalista. Astrofísico aposentado, foi professor em Angola, e tem atualmente permissão do governo cubano para receber turistas estrangeiros. Ele teme a descaracterização cultural do seu país influenciada por costumes consumistas. “Eu tenho medo que o fast food acabe com os paladares (restaurantes tradicionais que vendem pratos típicos e são o ganha pão de boa parte da população)”, dizia ele. “Estamos a 150 quilômetros dos ianques e somos uma pedra no sapato deles”.
Concordo com ele, principalmente por causa de todo romantismo que gira em torno de Cuba e da revolução socialista, mas posso viajar e comprar pra onde e o que quiser (desde que meu dinheiro permita), principalmente para lá e NÃO quero ver os Arcos Dourados no Malecón Habanero.
Fica a dica!

Memória do Subdesenvolvimento, do director Tomas Gutierrez Alea, um dos filmes mais importantes do cinema cubano.

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