Cuba festeja no próximo final de semana os 50 anos da derrota dos Estados Unidos na invasão contra Fidel Castro, na Baía dos Porcos, com um histórico VI Congresso do Partido Comunista, que marcará o rumo económico e político da revolução.
Uma solenidade militar na Praça da Revolução, centro político da ilha, abrirá as comemorações no sábado.
Nesta data se completa meio século que Fidel Castro proclamou o caráter socialista do regime, às vésperas do desembarque de 1.400 exilados armados pela CIA.
Como símbolo de compromisso com o futuro da revolução, milhares de jovens encerrarão o desfile, seguido depois, durante três dias, do VI Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC), o primeiro em 14 anos.
Mil delegados devem votar a reforma econômica do presidente Raúl Castro, renovar a estrutura do sistema do partido único e reeleger ou exonerar Fidel Castro, de 84 anos e afastado do governo desde que ficou doente em 2006, como chefe máximo do PCC.
Com a dramática advertência "ou retificamos ou afundamos", Raúl, de 79 anos, convocou a reunião para "atualizar" o modelo cubano, atrelado ao esquema centralizado soviético, "sem restaurar o capitalismo", nem separar-se do caminho socialista "irrevogável" que seu irmão traçou 50 anos atrás.
O Congresso, com um atraso de nove anos, será crucial, admitiu o governante, por ser o último com a participação da "geração histórica" que levou ao triunfo a revolução no dia 1º de janeiro de 1959 e travou batalhas como a da Baía dos Porcos.
Nesta "primeira grande derrota do imperialismo na América Latina" celebrada por Cuba, as forças comandadas por Fidel Castro venceram após 72 horas de sangrentos combates com os invasores que desembarcaram no dia 17 de abril de 1961 na Playa Larga e na Playa Girón, na Baía dos Porcos, a 200km ao sudeste de Havana.
"Voltem quantas vezes quiserem. Aqui os esperamos com fuzil na mão", disse à AFP Domingo Rodríguez, ex-combatente de 70 anos, na areia branca da Playa Larga, contando que ali mesmo Fidel afundou com um tiro de tanque o principal barco invasor.
Aprovada pelo presidente Dwight Eisenhower e assumida por seu sucessor John F. Kennedy, a operação começou no dia 13 de abril quando zarparam da Nicarágua os navios com os expedicionários da Brigada 2506, treinados em bases secretas neste país e na Guatemala.
Prelúdio da invasão, na manhã de 15 de abril seis aviões B-26 com falsas insígnias cubanas bombardearam duas bases aéreas em Havana e Santiago de Cuba (sudeste). A CIA esperava liquidar com esse ataque a força aérea cubana.
Na tarde de 16 de abril, no enterro de sete vítimas, em uma rua central de Havana, Fidel Castro, na época com 35 anos, declarou a natureza da revolução, após negar por anos que era comunista.
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