terça-feira, 12 de abril de 2011

Bono e o U2 360º, um megaespetáculo político

Bob Fernandes, Terra Magazine

“Sempre que o U2 e Bono Vox estão em algum lugar, por um espetáculo, um novo disco ou uma causa, se lê, se ouve algo sobre o engajamento da banda, de Bono. Sempre alguém há de levantar suspeitas sobre as intenções de Bono, da banda, do "oportunismo", em resumo.
Penso nisso enquanto, no Morumbi lotado por 90 mil pessoas, vai chegando ao fim um megaespetáculo. Viagem cênica impactante, suntuosa, impecável, a do U2 360º.
Do som, da música que cria a banda irlandesa, há quem diga maravilhas e há quem só encontre bobagens, como é natural, mas o megaespetáculo permite outras formas de se ver e ler.
De Bono e da banda o mesmo, "oportunismo", já se dizia quando ele e Pavarotti recontaram e cantaram Miss Sarajevo, lá pelos anos 90, tempos dos massacres nos Bálcãs:
- (...) Existe um tempo para correr para os abrigos, um tempo para beijos e confissões (...) Existe um tempo para ser uma bela rainha. Lá vem ela, a mais bela recebendo a coroa (...).
Então diziam, e continuaram dizendo quando Bono estava - está - na África com flagelados da Aids, na Birmânia, pela liberdade da ativista dos Direitos Humanos Suu Kyi, ou com Nelson Mandela.
As imagens se sucedem ciclopicamente no telão do 360º e o eco dos sempre renovados ataques às posições de Bono impõe uma reflexão.
Cada vez mais encontra ressonância no mundo dos que não têm outra causa além do hedonismo a percepção negativa em relação a quem se engaja politicamente. Longe de lembrar velhos embates entre engajamento ou não nas artes, o que U2 360º propositalmente instiga, cobra do espectador, é o tomar - ou não - posições no cotidiano, no viver.
Num certo Brasil, em ilhas desse Brasil afora, por exemplo, pega bem, cada vez mais, o engajamento no não-engajamento político.
Atitude esta, a do engajamento no não-engajamento político, emoldurada por sorrisos sardônicos, um jeitinho blasé e sobrolhos e olhares de desprezo ou pena para aquela ou aquele que se "engaja".
Detalhe importante: rejeição àquele ou àquela que se engaje no que não foi convencionado ser passível de engajamento.”
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