quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Capiberibe, o Perseguido indomável
Nas antessalas, um vaivém intenso de assessores, técnicos e toda a sorte de engravatados à espera de uma audiência no Palácio.
O ar-condicionado não dá conta do entra-e-sai, o suor escorre pelos rostos impacientes. Na passagem para o gabinete, um policial militar bate continência.
A mesura solene não se destina ao governador, e sim ao pai dele, que administrou o estado por dois mandatos.
A rigor, a ocasião não exigia pompa. João Capiberibe não faz mais que uma visita informal ao filho recém-empossado para governar um Amapá devastado pelo maior escândalo de corrupção da sua história. Ao menos desde quando o território tornou-se estado em 1988.
No gabinete, o filho Camilo (PSB) perde alguns minutos respondendo a e-mails pelo laptop pessoal. O computador do Palácio sumiu. “Será que a Polícia Federal confiscou a máquina na Operação Mãos Limpas?”, indaga, olhos fixos no pai. “A antiga equipe de governo pode ter levado, para não deixar vestígios”, responde o senador Capiberibe, agora dedicado à luta para preservar seu mandato, cassado pela Justiça.
Desde setembro, ao menos 40 suspeitos de integrar uma quadrilha que desviou centenas de milhões de reais dos cofres públicos foram presos. Entre eles, o governador interino Pedro Paulo Dias (PP), o ex-governador Waldez Góes (PDT), à época licenciado para disputar o Senado, e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Júlio Miranda. Também o prefeito de Macapá, Roberto Góes (PDT), que continuava preso na primeira semana de janeiro.
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