quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Al Gore invoca liberdade e frustra ao não defender WikiLeaks

Dayanne Sousa, Terra Magazine

"Defendam a internet, não deixem que ela seja controlada pelos governos ou empresas". A mensagem em tom de convocação arrancou aplausos da plateia que escuta Al Gore no Campus Party, em São Paulo. Bom orador, ele, porém, não quis defender o WikiLeaks, site que vazou informações sobre a diplomacia americana e cujas fontes o governo dos Estados Unidos agora caça.
"Há pessoas que acham que há um crime no que faz o WikiLeaks e eu não sei dizer se é um crime, essa batalha entre o governo e as informações que vazam na internet é um problema a ser resolvido pela lei", declarou o ex-vice-presidente dos Estados Unidos. Ele participou de uma mesa de debates ao lado de Tim Berners-Lee, o pai da "www".
Recentemente, o Departamento de Defesa americano resolveu processar o Twitter para tentar obter informações sobre os seguidores da conta do WikiLeaks. O objetivo é obter informações sobre quem teria fornecido documentos secretos ao site fundado pelo australiano Julian Assange. Berners-Lee também começou sua apresentação na Campus Party pedindo que os participantes protestassem contra qualquer tipo de controle na internet. Sobre o WikiLeaks, porém, se esquivou. "Segredos militares vão sempre continuar existindo".
Acompanhando o evento, o especialista em mídias sociais Emerson Damasceno diz que ficou decepcionado. "Eu achei muito em cima do muro, ele ficou do lado do quintal americano", lamenta. "Ele defende tanto a questão do combate ao aquecimento global e já que o governo americano afeta o mundo, como não tratar do vazamento de informações do governo?".
Aquecimento Global
Al Gore também não deixou de falar de ecologia, sua principal empreitada desde que perdeu as eleições presidenciais dos Estados Unidos para George W. Bush em 2000. Com a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva na plateia, elogiou o governo brasileiro. Lembrou, porém, as chuvas na região sudeste. "Gostaria de mandar a minha solidariedade às vítimas das chuvas e destacar que nos últimos anos essas enchentes épicas que acontecem em vários países são fruto do aquecimento global", concluiu.”
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