Mina de nióbio em Araxá, Minas: os Estados Unidos estão de olho nela.
Os Estados Unidos estão preocupados com o nióbio brasileiro. É o que se vê num telegrama diplomático americano que foi publicado hoje na série de vazamentos de documentos das embaixadas americanas que vem sendo promovida pelo Wikileaks de Julian Assange.
As embaixadas listaram, a pedido de Washington, os pontos que deveriam ser considerados estratégicos para os Estados Unidos fora de suas fronteiras, por questões de segurança ou econômicas. (Aqui, a relação.)
E eis que o nióbio aparece na lista. É um metal de múltipla utilidade, descoberto em 1851 pelo químico inglês Charles Hatchett. Nióbio, para quem gosta de curiosidades, vem de Níobe, filha do rei Tântalo, da mitologia grega. É claro, brilhante, macio e flexível. Você o encontra em aviões, aparelhos de ressonância magnética, trens balas, jóias, moedas e foguetes. A lista é longa, e inclui armamentos.
O Brasil é o maior produtor e exportador. Em Araxá, Minas, está a principal jazida de nióbio do mundo, propriedade da CBMM, do grupo Moreira Salles em sociedade com uma multinacional, a Molycorp.
Dito tudo isso, qual o sentido em divulgar a lista dos lugares vitais do mundo para os Estados Unidos?
Assange gosta de dizer que o objetivo do Wikileaks é promover um mundo mais justo. O que este vazamento específico – o mais polêmico dessa série nova, até aqui – Como então entendê-lo?
Os Estados Unidos estão jogando cada vez mais duro com Assange e o Wikileaks. De lá têm partido sugestões de que simplesmente se execute Assange.
O Wikileaks, com vazamentos como este das localidades estratégicas na visão americana, está mostrando que está disposto a ir à guerra.
Julian Assange do Wikileak é um idealista.
Ele quer que o mundo seja melhor, e faz o que pode para que isso aconteça. Governos e big business são seu alvo por razões óbvias. Assange diz que sente um prazer especial em “esmagar canalhas”.
Ele revolucionou o jornalismo mundial com uma grande idéia de baixíssimo custo. Abrir a oportunidade para que pessoas com informações de interesse público possam veiculá-las secretamente. O Wikileaks recebe vazamentos e os analisa, com uma equipe de editores que trabalham essencialmente por amor à causa.
São militantes da transparência radical.
Outros Wikileaks se espalharão pelo mundo, fatalmente. E isso é bom para a transparência. Um dos companheiros graduados de Assange deixou recentemente o Wikileaks e o rumor é que montará um concorrente. Assange disse que é bom porque a oferta de vazamentos é cada vez maior e filtrá-los vai ficando mais e mais difícil.
Um Wikileaks no Brasil seria um avanço nacional. Mas, se a oferta de vazamentos no Brasil pode ser grande, a de idealistas parece bem menor.
Não são tantos assim os Assanges brasileiros. Prisão e mesmo morte são um risco real para ele. O martírio está a um passo. É tocante ver sua mãe em Queensland, na Austrália, pedir que não cacem o filho.
Os governos se unem contra o Wikileaks.
Assange conseguiu juntar contra si os Estados Unidos e a China, as superpotências rivais deste século. Mas as pessoas gostam. Na votação popular da revista americana Time para ver quem é a Pessoa do Ano, Assange está entre os primeiros.
Julian Paul Assange, australiano de 39 anos encrencadíssimo, é o cara do ano. Com folga. Ocupa o primeiro, o segundo e o terceiro lugar no pódio.
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