quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Moreira Franco, por quem conhece Moreira Franco

Do blog de Paulo Henrique Amorim, hoje:

Diz a colona Painel da Folha que Moreira Franco é candidato a Ministro na “cota” de Michel Temer. 


Lembra a revista Veja, a última flor do Fáscio, na suposta edição especial em homenagem à Dilma – clique aqui para ler “Malocci é o candidato da Veja” – que este mesmo personagem, Wellington Moreira Franco, além de ser candidato a qualquer coisa no Governo Dilma foi uma espécie de “ministro de qualquer coisa” no Governo Fernando Henrique. Ele ficava numa sala no 4º andar, perto do gabinete presidencial – deve ter herdado a sala do Eduardo Jorge, com a conta telefônica e tudo – para tratar de “qualquer coisa”: “passava o dia recebendo parlamentares e bolando estratégias para ocupar os espaços que ainda restavam no governo tucano …”, diz a Veja, especialista em tucanos.
Ou seja, ele é o que se chama de “ocupador de espaços”.
“Qualquer espaço”.
Moreira Franco tem uma carreira fulgurante.
Chegou na PUC do Rio como membro da Polop.
Foi estudar Política e Sociologia.
Casou-se com uma moça inteligente, de sobrenome ilustre: Vargas do Amaral Peixoto.
Ele, um rapaz piauiense de classe média.
Ela, de classe média, digamos, alta.
Mas, não rica.
Wellington esteve em Paris, exilado, onde se diz que ocupava espaços na luta armada.
Voltou ao Brasil e se pendurou nas costas do sogro, Amaral Peixoto, cacique da política do antigo Estado do Rio.
O sogro aderiu ao regime militar e levou o genro a tiracolo.
Golbery teria exigido: quero o Amaral e o genro.
E Golbery fez do genro candidato a governador do Rio pelo PDS.
Veio a campanha para governador do Rio em 1982.
E Moreira, firme, no PDS, no colo dos militares.
Na campanha, Moreira vai fazer uma visita ao Jornal do Brasil, onde trabalhava este ordinário blogueiro.
E diz a este ordinário blogueiro que o Brizola ia perder a eleição.
Tratava-se de uma eleição complexa, do tipo “camarão”: o eleitor tinha que votar em candidatos de um mesmo partido, de governador e vereador.
E, na Baixada, onde o Brizola era forte, ia ter muito voto nulo – previa o adversário, o Wellington.
E esse erro recorrente seria facilmente captado pelo computador, que pela primeira vez no Brasil iria somar votos.
O Ricardo Boechat estava com o Moreira nessa visita e deve se lembrar disso.
Um dia, o repórter político Rogerio Coelho Netto diz a este ordinário blogueiro que uma fonte do SNI, o deputado Léo Simões, contara uma historia parecida.
Ia sumir voto para o Brizola.
Ia sumir no computador !
E foi o que aconteceu.
Um tal fator “delta” da empresa de tecnologia Proconsult tirava votos do Brizola na Baixada e na Zona Oeste do Rio.
E o Moreira começou a eleição na frente – com a apuração dos votos no Estado do Rio.
O Moreira “na frente”, também, na apuração do Globo e da Rede Globo (sempre no Golpe !).
Até que o Brizola, o Jornal do Brasil e a rádio Jornal do Brasil denunciaram a trama.
A contagem melou, recomeçou e o Brizola ganhou.
(Este ordinário blogueiro contou essa história no livro “Plim-Plim – a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral”.)
E o “gato angorá” – é como o Brizola se referia ao Wellington – dos militares, lá, firme: no partido dos militares.
Vem a sucessão do Brizola.
Brizola lança Darcy, o pai dos Brizolões.
Moreira, candidato, diz que iria preservar os Brizolões se eleito.
O genro ganhou.
Foi uma campanha sórdida, que lembra muito a que o José Serra empreendeu contra a Dilma.
O Globo, a Globo e os amigos do Moreira destruíram o caráter do Darci Ribeiro.
E Moreira desconstruiu a obra dos Brizolões – como, provavelmente o Serra faria com o Bolsa Familia, antes de vendê-lo à Wal Mart.
Moreira governou para os ricos.
E acabou o Governo numa situação invejável.
Foi morar num colossal apartamento na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Um dia, este ordinário blogueiro encontrou Ronaldo Cezar Coelho, amicíssimo do Serra, numa caminhada pelo calçadão de Ipanema.
Pergunto pelo Moreira.
Diz o Ronaldo: o Moreira fez a opção preferencial pelos ricos.
Moreira não exerce a Sociologia, ficou muito tempo sem emprego na Política.
E não tem fortuna de família.
E exibe algumas das melhores gravatas do Rio.
Moreira seguiu rumo à política do Estado do Rio.
E lá é responsável por um feito notável.
Numa eleição para prefeito de Niterói, qualificou-se para o segundo turno, mas não concorreu.
Fugiu do segundo turno.
Porque ia levar uma tunda.
E agora, saiu por aí.
“Ocupou espaços” para o Fernando Henrique.
Sem ter um voto.
Foi diretor da Caixa no Governo Lula.
Sem ter um voto.
E quer ser ministro na “cota” do Temer.
Sem ter um voto.
Que atributos tem o Moreira ?
Muitos !
Deve ser influência do fator “delta”.
Só pode ser.
Viva o Brasil !
________________________

Nenhum comentário: