segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2: Mais maduro e igualmente competente

Que o cinema possui um poder de sedução, de convencimento, de propaganda extraordinário, não se questiona.
É um fato conhecido desde os trabalhos de Sergei Eisenstein em 1922 com seu Encouraçado Potemkim, onde ele transforma os soldados dos Czares em uma força sem rosto numa escadaria, defendendo um regime comunista/socialista que nascia apos a primeira guerra mundial.
Ironicamente, Tropa de Elite 2, é o reverso ideológico do trabalho de Eisenstein. Não falo isso de uma maneira pejorativa, de maneira alguma: Tropa 2 é um trabalho de cinema mais maduro, mais contido e com mais trama do que seu antecessor, com uma qualidade técnica no mesmo nível, e menos apelativo para o fator do puro choque, tanto de história quanto no sentido de montagem.
Acompanhamos neste o resto da carreira do capitão Nascimento, interpretado por um Wagner Moura, muito bem dirigido, a partir uma revolta mal controlada em Bangu. Também somos apresentados ao segundo protagonista na trama, o professor de história e político de direitos humanos Fraga, que além de rival ideológico de Nascimento, também é o atual marido de sua ex-mulher. A dinâmica entre Wagner moura e Irandhir Santos é uma das grandes peças motrizes do filme.
É uma peça que toca no fundo certas punções, vontades “subconscientes” do povo brasileiro, usando o cinema como peças de catarse. Embora ele pretenda ao realismo, temos uma imagem dos políticos tais como existem no imaginário coletivo: são seres gordos, velhos, meio nojentos, que gastam dinheiro corrompido dentro de lanchas de luxo onde bebem uísques caros acompanhados de belas acompanhantes. São vilões, clara e simplesmente, e não pessoas.

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