por Tiberio Alloggio (*)
Na contramão da onda nacional, caracterizado pela vitória do “continuísmo politico” na maioria dos governos estaduais, Ana Júlia saiu do primeiro turno sofrendo uma derrota pra lá de humilhante.
Uma reprovação que só não foi definitiva graças a um providencial ponto em percentual aparecido milagrosamente no último instante da apuração.
Casos parecidos ao do Pará, só no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul, mas lá a derrota do situacionismo já estava amplamente prevista por causa dos escândalos políticos que envolveram aqueles governos.
Todavia esse desfecho eleitoral não chegou a gerar grandes surpresas no meio político paraense. Problemas políticos, oriundos de prioridades programáticas inconsistentes, já davam como favas contadas uma derrota politica petista ainda no primeiro turno. Só não se tinha ciência da proporção de tamanha pancada.
É uma derrota que põe à vista toda a incompetência do núcleo duro do comando de governo. Sua incapacidade de construir alianças político-programáticas sólidas, que pudessem oferecer soluções de médio e longo prazo ao Pará.
Uma incompetência que levou o PT a praticar alianças políticas inconsistentes, que pesaram como uma montanha na hora de abrir as urnas.
Mas com um núcleo-duro do calibre de Cláudio Puty, Aníbal Picanço e dos irmãos Monteiro o resultado não poderia ter sido diferente. Trata-se de um “quarteto fantástico” que, somados, não dá um estrategista de “meia tigela”.
Um grupo político incapaz de pensar estrategicamente, cujo maior trunfo foi conseguir priorizar a disputa interna, por dentro da base, inviabilizar a aliança com o PMDB e estremecer as relações internas ao próprio PT.
Foi nessa guerrilha interna, que se criaram as principais condições que levaram o governo Ana Júlia à derrota nesse primeiro turno. Uma derrota que se somou ao naufrágio da candidatura de Paulo Rocha ao Senado.
Enfim, a eleição majoritária do 3 de outubro, representou o maior fiasco politico na história politica do PT no Pará.
Se nas eleições majoritárias, o resultado do PT foi um fiasco, no proporcional, o PT colhe o melhor resultado de sua historia elegendo a maior bancada da Assembleia Legislativa e aumentando o número de seus representantes na Câmara Federal.
Por isso, fiasco ou não, os adversários do PT não tem muito a comemorar, pois suas bancadas caíram pela metade e o DEM no estado continua em franco processo de extinção. Apenas o ruralista Lira Maia conseguiu se manter vivo no congresso nacional.
Num cenário desses, no segundo turno tudo é possível, inclusive uma virada que possa levar a governadora a uma vitória no dia 31 de outubro.
Em política, como se sabe, nada é impossível, mas convenhamos, o fato de ser possível não significa que isso seja provável.
E nessa altura do campeonato as probabilidades de Ana Júlia são mínimas. Mesmo que o “quarteto fantástico” consiga costurar tudo aquilo que desconstruiu ao longo do mandato todo.
Outro grande problema é o sumiço da militância politica do PT, hoje muito mais acomodada ao emprego que não aos seus ideais.
Esse fenômeno foi muito claro em Santarém, a maior cidade do Pará administrada pelo PT, onde ninguém viu mobilização para Dilma e para Ana Júlia.
Quem fez campanha foram apenas os candidatos ao proporcional, entre eles o meia tigela Cláudio Puty, o maior responsável pela derrota de Ana Júlia, e que graça a máquina do governo conseguiu até vaga de deputado
Muito pouco para vencer eleições majoritárias.
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* Sociólogo, reside em Santarém. Escreve regularmente no Blog do Jeso
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