quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

SANTARÉM: O desafio do Maria II

TEXTO EXTRAÍDO DO BLOG DO JESO

por Tiberio Alloggio (*)

Por algum obscuro motivo, Santarém é um daqueles lugares que em determinados momentos consegue atrair toda a energia negativa do universo, É como se uma grande nuvem negra pousasse sobre os frágeis ombros de sua sociedade, querendo esmagá-la.

Os relatos do Apolinário e do próprio Paulo Cidmil sobre as intrigas que culminaram no assassinato de Ednaldo Barbosa jogam uma luz sinistra sobre o DNA de nossas elites, e do que elas são capazes de fazer em defesa de seus mesquinhos interesses.

Da mesma forma, nos dias de hoje, um ato inusitado do TSE (acionado pelo atraso demo-tucano) tentou tirar o direito de Maria do Carmo a participar da vida política, precipitando Santarém num abismo capaz de transformar a euforia de uma vitória popular por maioria absoluta, num angustiante drama kafkiano, com direito a um governo tampão.

Derrotado nas urnas, o atraso demo-tucano acabava (mais uma vez) de castigar Santarém, dando o “golpe” do vigário por trás das capas pretas do Judiciário.

Como em Santarém as desgraças nunca chegam sozinhas, o protagonismo golpista do Judiciário veio acompanhado com os estragos da maior enchente de todos os tempos. E junto, veio também a crise econômica mundial.

Com isso, a nuvem negra chegou em Santarém, mergulhando-a num período de inferno astral, que acabou por contaminar o ano de 2009 como um todo.

Só como reflexo da crise econômica, as prefeituras no Brasil perderam (em 2009) vários milhões em receitas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Se levamos em conta que o Fundo vinha crescendo desde 2003, as perdas para Santarém foram fatais.

Como não bastasse, somaram-se às perdas do FPM, os recursos que o município deixou de receber do Governo do Estado, que também atingido pela crise econômica, teve que contingenciar seu orçamento.

Se por um lado a recondução de Maria do Carmo ao comando da prefeitura havia revertido o quadro político a seu favor. Pelo outro, ao voltar no comando, Maria teve que registrar que a desgraça já estava estabelecida e, com ela, o comprometimento do primeiro ano de seu governo.

As prefeituras não têm como se endividar para honrar seus compromissos. Se há dinheiro, bem, se não há, a única alternativa é cortar gastos.

Ocorre porem que é impossível cortar gastos como salários do funcionalismo, despesas com transporte escolar, saúde, etc. Portanto, como sempre acontece nesses casos, quem pagou a conta foram as obras em andamento e os novos investimentos.

Essa situação, gerou a fúria dos responsáveis pela situação calamitosa em que se encontrava Santarém. E o atraso demo-tucano local (como sempre faz) começou a reclamar dos buracos de sua própria rua, tentando jogar a culpa em cima do Governo.

O moral da historia é que o segundo governo Maria tem agora apenas três anos para fazer tudo aquilo que havia planejado fazer em 4. E seus resultados, desta vez, não poderão ser comparados com os do governo Lira Maia.

Será o segundo mandato Maria contra o primeiro, Ou seja, o desafio de fazer um segundo governo melhor do que o primeiro.

O desafio é tamanho, mas há sinais positivos no horizonte que podem contribuir para que o Maria II possa recuperar a desvantagem que a crise econômica e o atraso demo tucano lhe proporcionaram.

Apesar da crise, o governo Lula manteve seus programas sociais e os investimentos em infraestrutura, deixando o Brasil numa posição bem mais confortável. O cenário desse finalzinho de 2009 já não é mais o mesmo do inicio do ano. O país voltou a crescer em ritmo robusto, afastando as previsões catastróficas diariamente veiculadas pela imprensa golpista.

A União e o Estado voltaram ao repassar os recursos e os resultados já começam a aparecer.

Os estragos produzidos pela enchente estão sendo consertados, as obras paralisadas voltaram a ser executadas num ritmo razoável, e o PAC anda a todo vapor.

Tudo indica que em 2010 (ano eleitoral) teremos um grande show de inaugurações que modificarão radicalmente o visual da cidade.

O PT e seus aliados políticos, que só apanharam durante a ofensiva político-judiciária do grupo do atraso, já saíram do Pronto Socorro. Enquanto isso, a oposição parece ter acusado o golpe, e parou até de reclamar, retornando a sua insignificância habitual.

Enfim, apesar de todas as desgraças sofridas, Maria do Carmo ainda continua com faca e queijo na mão para acabar com LoSTM, e finalmente empurrar Santarém no seculo XXI.

A conferir.

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* É sociólogo e reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.

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