Não há registro de nenhuma idéia, obra, projeto, reflexão sua que lhe permita ombrear-se a grandes nomes do capitalismo brasileiro, como Antonio Ermírio de Moraes ou Olavo Setubal.
Ao contrário. Ao longo dos últimos catorze anos, Dantas tem sido acusado de tantos e tão diversos crimes que sua turma está mais para a do Toninho da Barcelona e Edemar Cid Ferreira.
Em países desenvolvidos, “empreendedores” da estirpe do banqueiro baiano costumam, cedo ou tarde, parar atrás das grades.
No Brasil, e especificamente no caso do orelhudo, dá-se o fenômeno inverso.
Dantas é o herói da República, seu chefe supremo.
Exagero? Juntem-se então alguns cacos do mais recente episódio que iniciou uma “crise” no Planalto Central, a história mal contada do suposto grampo do telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, em conversa com o senador Demóstenes Torres, do ex-PFL de Goiás:
1. Mendes, o ministro dos dois habeas corpus que livraram Dantas, valeu-se de uma reportagem sem fundamento da revista Veja para alimentar uma pretensa crise institucional e chamar o presidente da República “às falas”.
2. O presidente Lula, cujo secretário particular, Gilberto Carvalho, apareceu em gravações da Operação Satiagraha, não só aceitou ser chamado “às falas” como se apressou em afastar do cargo o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, mesmo sem nenhuma evidência de que o grampo, se realmente houve, tenha sido realizado pelo órgão de inteligência e com a anuência dos superiores.
3. Lacerda é um dos alvos preferenciais do banqueiro. Foi sob sua gestão na Polícia Federal que se desencadeou a Operação Chacal. Em conseqüência dessa ação, Dantas acabou réu por espionagem e formação de quadrilha. O delegado foi uma das vítimas do dossiê fajuto entregue à mesma Veja (coincidência?), com supostas contas de autoridades no exterior. Por esse crime, DD é réu por calúnia.
4. Um dos principais defensores do afastamento de Lacerda foi o ministro da Defesa, Nelson Jobim, amigo fraterno de Carlos Rodenburg, ex-cunhado de Dantas e um dos detidos na Satiagraha. Jobim tem sustentado a tese, rebatida pelo Exército e pela Abin, de que equipamentos de inteligência adquiridos recentemente podem grampear e não apenas rastrear grampos.
5. Ante o afastamento do superior, o delegado Renato Porciúncula também deixou a Abin. Porciúncula chefiava o departamento de inteligência da PF à época da Operação Chacal. Nos últimos dias, notas em jornais de grande circulação dão conta da abertura de investigações internas para saber se Porciúncula e o delegado Protógenes Queiroz usaram indevidamente automóveis apreendidos pela polícia. Protógenes, chefe da Satiagraha, acabou estranhamente afastado do inquérito há cerca de dois meses.
6. Para o lugar de Lacerda, o Planalto nomeia Wilson Trezza, ex-funcionário da Brasil Telecom à época em que a empresa era dirigida pelo Opportunity. Trezza foi subordinado de Humberto Braz, acusado de tentar subornar um delegado federal a mando do banqueiro.
7. A CPI das Escutas Telefônicas voltou a aprovar a quebra do sigilo de duas operações que envolvem diretamente Dantas: a Chacal e a Satiagraha. A comissão esmerou-se nos últimos tempos em convocar testemunhas de interesse do banqueiro. Se vivemos em um “Estado policial” e em uma “grampolândia”, por que a obsessão dos parlamentares da CPI pelas investigações que envolvem o dono do Opportunity?
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