ANATOMIA DA CORRUPÇÃO
Por Tiberio Alloggio
Depois de décadas de silencio cúmplice e misterioso, de repente através dos noticiários, a corrupção invadiu os nossos lares. Desde a descoberta do caixa 2 Petista (igualzinho a de todos os outros partidos) a mídia finalmente descobriu que no Brasil existia corrupção, alias chegou ate a afirmar que no País nunca houve tanta e sistêmica corrupção.
É fato, que o uso histérico do fenômeno da corrupção foi sabiamente usado pela mídia partidarizada para justificar os ataques golpistas ao presidente Lula, porem a orquestração política e instrumental de casos de corrupção não pode esconder que estamos falando de um problema sistêmico. Qualquer pessoa sabe que a corrupção não é, e nunca foi um fenômeno meramente político. Ela é um fenômeno social, e como tal praticada pelo ser humano.
A extensão do fenômeno tem chamado a atenção mundial de acadêmicos. Existe uma proliferação de teses e livros sobre corrupção, que contribuíram a criar a tal de "corruptologia", e os que a estudam são chamados de "corruptólogos". E todos os corruptólogos que não sofrem de uma visão meramente emocional, entendem que a corrupção jamais será extinta por ser inerente à vida humana. Ou seja, poderá ser minimizada, poderá ser controlada, mas sempre existirá.
Há também quem sustenta a tese de que a corrupção seria um vírus. Que se manifesta nas pessoas, em determinadas condições, gerando os fatos corruptivos. Sendo a corrupção um vírus, alguns acham que poderia ser exterminado, mas a maioria acha que não, porque o vírus é mutante. Ele se modifica diante dos medicamentos que o atacam, e retorna sob outros formatos. Pior ainda, pode se alimentar e se fortalecer com os remédios aplicados para tentar combatê-lo.
Teorias ou não, é fato que a corrupção manifesta-se por uma ação que envolve, necessariamente, pelo menos duas pessoas, e sempre comportará duas possibilidades: quem recebe uma vantagem indevida e quem a fomenta. Quem leva vantagem, pode tomar a iniciativa e ai ocorre uma concussão ou achaque, mas o corrupto pode ser também um agente passivo, caracterizando um suborno.
Tais diferenças podem parecer irrelevantes para os indignados (ou cansados) meios midiatico com a descoberta de sucessivos casos de corrupção. Eles (por oportunismo) gritam e agitam que é necessário acabar com ela, mas todos eles (como também nós) sabemos que qualquer ação contra a corrupção baseada só na indignação não tem eficácia nenhuma.
Para desenvolver ações eficazes anticorrupção é necessário um amplo e profundo conhecimento do fenômeno. Do contrário só desenvolveremos ações cujos resultados se darão na maior ampliação da corrupção, para maior indignação dos não envolvidos. Por isso é fundamental olhar o nosso dia-dia.
É normal, em nossa rotinha diária desenvolver ações como, por exemplo, o uso de despachantes para retirar ou regularizar documentos. Muitas vezes (sempre com exceções) o valor do serviço pago (regularmente documentado) incorpora um valor pago a um agente público para facilitar os procedimentos.
A gorjeta para um garçom, ou a qualquer prestador de serviço pode ser um agradecimento por bons serviços, como também um agrado para ser atendido preferencialmente em novas ocasiões. Mas quando ele faz cara feia e você aumenta o valor, não tenha dúvida: foi vítima de um achaque e aceitou, é um ato de corrupção! Da mesma forma como pagar ou não um "flanelinha" para "tomar conta do carro", pode ser uma retribuição ou a aceitação de um achaque: "patrão, tem um pessoal ai que fica riscando os carros!". Também na nossa rotina em bancos e repartição publicas é normal assistirmos e participarmos de fenômenos que envolvem o dia-dia da corrupção.
Nossa sociedade e nosso quotidiano são repletos de casos de corrupção, mas sempre nos indignamos quando o fenômeno é relativo aos outros, e/ou quando envolve as cúpulas. Ou seja, todos nós somos contra a corrupção dos outros e tolerantes com as nossas.
No Brasil, a contaminação alcançou uma disseminação tão ampla que os órgãos de controle foram corrompidos, o Judiciário foi corrompido. Vários Tribunais de Contas estão corrompidos, e não há mais como combater a corrupção com medidas simples e pontais.
É preciso os governantes terem um planejamento estratégico, a partir de decisões firmes. Nesse sentido são inegáveis alguns avanços ocorridos num dos âmbitos estratégicos: O fim da minimização da corrupção que havia se tornando endêmica dentro da Polícia Federal, e essa "limpeza" parece estar se estendendo às polícias estaduais (civis e militares).
Mas as constatações negativas ainda não param de acontecer. Os corruptos ainda não se inibiram. Muitas das revelações são de casos recentes, ocorridas mesmo depois de todas as revelações.
O Autor é Sociologo e escreve em vários Blogs
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