quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Vaza Jato prova que Lava Jato manipulou a imprensa para intimidar investigados


O Barbicha da lama Jato
Em novos diálogos da Vaza Jato, o procurador Carlos Fernando Lima, parceiro de Deltan
Dallagnol, admitiu aos colegas que usava a imprensa para forjar um ambiente hostil aos
investigados e, com isso, conseguir delações por meio de manipulação — o que interfere em seu
caráter voluntário.

Do Blog da Cidadania, a partir de reportagem do Intercept – 
Procuradores da força-tarefa da Lava Jato usaram vazamentos com o objetivo de manipular suspeitos, fazendo-os acreditar que sua denúncia era inevitável, mesmo quando não era. O intuito, eles disseram explicitamente em chats do Telegram, era intimidar seus alvos para que eles fizessem delações.
Além de ética questionável, esse tipo de vazamento prova que o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, mentiu ao público ao negar categoricamente que agentes públicos passassem informações da operação. Dallagnol participou de grupos nos quais os vazamentos foram planejados, discutidos e realizados. Em um deles, o próprio coordenador efetuou o tipo exato de vazamento que ele negou publicamente que partisse da força-tarefa.
Um exemplo ilustrativo desse método ocorreu relativamente cedo nas operações. Em 21 de junho de 2015, o procurador da Lava Jato Orlando Martello enviou a seguinte pergunta ao colega Carlos Fernando Santos Lima, no grupo FT MPF Curitiba 2, que reúne membros da força-tarefa: “qual foi a estratégia de revelar os próximos passos na Eletrobrás etc?”. Santos Lima disse não saber do que Martello estava falando, mas, com escancarada franqueza, afirmou: “meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração.”
Pela lei das organizações criminosas (que estipulou regras para as delações premiadas), o acordo só pode ser aceito caso a pessoa tenha colaborado “efetiva e voluntariamente”. Mas o procurador confessou aos colegas que usava a imprensa para forjar um ambiente hostil e, com isso, conseguir delações por meio de manipulação — o que interfere em seu caráter voluntário.
21 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2
Orlando Martello – 09:03:04 – CF(leaks) qual foi a estratégia de revelar os próximos passos na Eletrobrás etc?
Carlos Fernando dos Santos Lima – 09:10:08 –http://m.politica.estadao.com.br/noticias/geral,na-mira-do-chefe-,1710379
Santos Lima – 09:12:21 – Nem sei do que está falando, mas meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração.
Santos Lima – 09:15:37 – Li a notícia do Flores na outra lista. Apenas noticia requentada.
Santos Lima – 09:18:16 – Aliás, o Moro me disse que vai ter que usar esta semana o termo do Avancini sobre Angra
Martello – 09:25:33 – CFleaks, não queremos fazer baem Angra e Eletrobrás? Pq alertou para este fato na coletiva?
Martello – 09:26:00 – Para não perder o costume?
A conversa ocorreu dois dias depois da 14ª fase da Lava Jato (voltada às empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez). Os procuradores estavam debatendo estratégias para conseguir um acordo de delação com Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas da Odebrecht. Freiburghaus escapou da operação, porque havia se mudado para a Suíça em 2014 e já havia contra ele uma ordem de prisão preventiva com alerta da Interpol.
No chat, Santos Lima assume, sem qualquer constrangimento, que vazava informações para a imprensa. Além disso, o seu próprio comentário, insinua que se tratava de uma prática habitual, dado que ele se refere aos vazamentos no plural — “meus vazamentos”. E o procurador afirma com aparente orgulho e convicção que agia assim com objetivos bem definidos: induzir os suspeitos a agirem de acordo com seus interesses.
É relevante ressaltar que o comentário do procurador não suscitou qualquer manifestação dos outros membros da Lava Jato. No decorrer das conversas, os demais membros do grupo permaneceram calados.
No mesmo dia, Deltan e Orlando anunciaram no chat terem vazado a informação de que os Estados Unidos iriam ajudar a investigar Bernardo para repórteres do Estadão, como forma de pressionar o investigado. Eles estavam antecipando a um jornalista uma movimentação da investigação. Foi Dallagnol o responsável pelo vazamento, como mostra sua conversa como o repórter do jornal.
21 de junho de 2015 – Chat privado
Deltan Dallagnol – 11:43:49 – O operador da Odebrecht era o Bernardo, que está na Suíça. Os EUA atuarão a nosso pedido, porque as transações passaram pelos EUA. Já até fizemos um pedido de cooperação pros EUA relacionado aos depósitos recebidos por PRC. Isso é novidade. Vc tem interesse de publicar isso hoje ou amanhã,SUPRIMIDO, mantendo meu nome em off? Pode falar fonte no MPF. Na coletiva, o Igor disse que há difusão vermelha para prendê-lo, e há mesmo. Pode ser preso em qualquer lugar do mundo. Agora com os EUA em ação, o que é novidade, vamos ver se conseguimos fazer como caso FIFA com o Bernardo, o que nos inspirou.
SUPRIMIDO – 11:45:44 – Putz sensacional! !!!! Publico hj!!!!!!!
A conversa prossegue, e o repórter avisa que a matéria sobre a ajuda dos americanos no caso Odebrecht (que não estava formalizada à época) seria manchete do Estadão no dia seguinte.
De volta ao grupo FT MPF Curitiba 2, uma conversa entre os dias 21 e 22 detalha as intenções da força-tarefa em relação a Bernardo:
21 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2
Deltan Dallagnol – 20:33:52 – Amanhã cooperação com EUA pro Bernardo é manchete do Estadão
Dallagnol – 20:34:00 – Confirmado
Carlos Fernando dos Santos Lima – 20:55:16 – Tentei ler, mas não deu. Amanhã vejo. Vamos controlar a mídia de perto. Tenho um espaço na FSP, quem sabe possamos usar se precisar.
A informação vazada pela força-tarefa de fato virou manchete do jornal, e os métodos de pressão sobre o delator são retomados pouco depois, no mesmo chat:
22 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2
Deltan Dallagnol – 01:56:40 – Acho que temos que aditar para bloquear os bens dele na Suíça
Dallagnol – 01:56:48 – Conta, Imóvel e outros ativos
Dallagnol – 01:57:00 – Ir lá e dizer que ele perderá tudo
Dallagnol – 01:57:20 – Colocar ele de joelhos e oferecer redenção. Não tem como ele não pegar
No fim das contas, a estratégia fracassou, e Bernardo Freiburghaus não delatou.
O que faz disso ainda mais relevante é que Dallagnol tem negado publicamente que os membros da Lava Jato tenham feito qualquer vazamento. Numa entrevista para a BBC Brasil, após um discurso que ele proferiu em Harvard, em abril de 2017, Dallagnol “disse que agentes públicos não vazam informações — a brecha estaria no acesso inevitável a dados secretos por réus e seus defensores”. Quando perguntado diretamente se a força-tarefa havia cometido vazamentos, o procurador respondeu: “Nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram”.
A assessoria de imprensa da Lava Jato negou que os procuradores tenham vazado informações no caso do Estadão, dizendo ao Intercept que a força-tarefa “jamais vazou informações sigilosas para a imprensa, ao contrário do que sugere o questionamento recebido”. Para justificar essa negativa, a força-tarefa argumenta que uma informação passada à imprensa deve ser ilegal ou violar uma ordem judicial para ser caracterizada como “vazamento”. Nesse sentido, a força-tarefa argumenta que o material enviado por Dallagnol ao Estadão não violou, na sua visão, nem a lei nem ordem judicial, e que por isso não pode ser considerado vazamento.
Entretanto, essa reportagem não alega nem sugere que Dallagnol ou Santos Lima tenham cometido o crime de violação do sigilo funcional ou desobedecido ordens judiciais ao vazar para a imprensa informações que não eram de conhecimento público. O argumento da reportagem é que eles fizeram exatamente o que Dallagnol afirmou à BBC que nunca faziam: vazaram informações privilegiadas sobre as investigações que o público e a mídia desconheciam para atingir seus objetivos.
Para defender Dallagnol das evidências claras de que ele mentiu, a força-tarefa está tentando inventar uma nova definição de “vazamento”, um significado que só considera vazamento o que envolve uma violação da lei ou de uma ordem judicial. Mas não é isso que a maioria das pessoas entende como vazamento. Em sua entrevista à BBC Brasil, Dallagnol não negou que a força-tarefa realizasse vazamentos ilegais: ele negou que a força-tarefa tenha realizado quaisquer vazamentos: “agentes públicos não vazam informações”, ele disse, completando: “Nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram”.
A insistência da força-tarefa de que nunca realizou nenhum vazamento é especialmente bizarra tendo em vista que o próprio Santos Lima alardeou ter feito exatamente isso, usando a justamente palavra vazamento: “meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração”, escreveu, o que demonstra que nem os próprios procuradores entendem a palavra “vazamento” da forma que eles agora definem. Além disso, em sua conversa com o repórter do Estadão, Dallagnol descreveu a informação que ele estava enviando, sobre a proposta de colaboração com os EUA, como “novidade”, e por essa razão insistiu que a informação que ele enviou só poderia ser publicada “mantendo meu nome em off”. Se a informação já era pública, como defende a Lava Jato por meio de sua assessoria, por que pedir off?
Além disso, a própria nota enviada ao Intercept admite que os procuradores adiantaram uma ação da investigação ao Estadão – uma informação privilegiada, portanto, ainda que não protegida por sigilo judicial formalizado. “O único caso mencionado na consulta à força-tarefa se refere a uma reportagem do Estadão que combinava dados disponíveis em processos públicos e uma informação nova, igualmente sem sigilo, sobre possíveis estratégias que se cogitavam adotar no futuro, em relação à formulação de pedido de cooperação a ser enviado, o que não caracteriza vazamento”, diz a nota. De fato, a colaboração com a Suíça citada na reportagem era pública, mas a “informação nova” (o pedido de ajuda aos EUA que foi a manchete do jornal) não era pública porque nem sequer havia sido formalizada até a publicação do texto.
Dessa forma, a negativa da força-tarefa de que os procuradores fizeram exatamente o que Deltan falsamente insistiu que nunca fizeram — vazar para a mídia informações que não eram de conhecimento público — é desmentida pelas próprias palavras dos procuradores, conforme publicadas no chat acima, em que eles mesmos descrevem suas ações como “vazamentos”. É também desmentida pela insistência de Dallagnol ao repórter que as informações passadas ao Estadão não fossem atribuídas a ele. É desmentida ainda pelos repetidos episódios em que os procuradores admitem ter vazado à mídia informações sobre as investigações, quase sempre usando especificamente a palavra “vazamentos” que eles agora buscam redefinir. E é desmentida, por fim, pela nota enviada ao Intercept.
ESSES VAZAMENTOS NÃO ERAM casos isolados. Em 2016, procuradores da Lava Jato falavam abertamente sobre o uso de “vazamento seletivo” para mídia com a intenção de influenciar e manipular um suposto pedido de liberdade para o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha:12 de dezembro de 2016 – Grupo Filhos do Januario 1
Carlos Fernando dos Santos Lima – 18:45:31 – Recebi do russo : Off recebi uma notícia que não sei se é verdadeira que haveria uma articulação no STF para soltura do Cunha amanhã
Roberson Pozzobon – 18:51:49 – Essa info está circulando aqui a PGR tb
Paulo Roberto Galvão – 18:57:24 – O Stf seria depredado. Não acredito
Athayde Ribeiro Costa – 18:57:40 –toffi, lewa e gm. nao duvido
Santos Lima – 18:58:37 – É preciso ver quem vai fazer a sessão.
Jerusa Viecilli – 18:58:39 – Pqp
Santos Lima –19:00:58 – Alguma chance de soltarmos a notícia da GOL?
Costa – 19:01:35 – vazamento seletivo … 
Os diálogos provam que ele mentiu à BBC. A negativa aconteceu depois de Dallagnol ter participado de várias conversas nas quais seus colegas de força-tarefa discutiram explicitamente fazer aquilo que ele negava publicamente. Isto é, promover vazamentos e usar a mídia para seus próprios interesses. Ironicamente, o próprio Dallagnol observou à BBC o quão complexa é a tarefa de provar que houve vazamentos, pois, segundo ele, os envolvidos sempre negam: “É muito difícil identificar qual é o ponto (de origem do vazamento), porque se você ouvir essas pessoas, elas vão negar”, afirmou.
As conversas fazem parte de um pacote de mensagens que o Intercept começou a revelar em 9 de junho — série conhecida como Vaza Jato. Os arquivos reúnem chats, fotos, áudios e documentos de procuradores da Lava Jato compartilhados em vários grupos e chats privados do aplicativo Telegram. A declaração conjunta dos editores do The Intercept e do Intercept Brasil (clique para ler o texto completo) explica os critérios editoriais usados para publicar esses materiais.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Vídeo de Fidel Castro prevendo tragédia na Amazônia viraliza

Em discurso na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento 
de 1992, o então líder cubano Fidel Castro alertou sobre o caos ambiental atual que ameaça o 
"pulmão do mundo". Vinte e sete anos após esse acontecimento, as palavras do político 
revolucionário cubano são relevantes e atuais face ao fogo que destrói a Amazônia. 
Vinte e sete anos após esse acontecimento, as palavras do político revolucionário cubano são 
relevantes e atuais face à destruição e ao fogo descontrolado que destrói a Amazônia há mais de duas 
semanas. 
Em julho de 1992, perante presidentes e representantes de 170 países, Fidel proferiu esse discurso 
que hoje viralizou nas redes sociais.
Na época, ele culpou as sociedades de consumo por serem a causa da "atroz destruição do meio 
ambiente".
"As florestas estão desaparecendo, os desertos estão se espalhando, bilhões de toneladas de terra 
fértil acabam no mar todos os anos. Várias espécies estão se extinguindo. A pressão demográfica e a 
pobreza levam a esforços desesperados para sobreviver, mesmo à custa da natureza. Não é possível 
culpar os países do terceiro mundo, as colônias de ontem, as nações exploradas e saqueadas de hoje, 
por uma ordem econômica mundial injusta", disse o falecido presidente cubano.
Previsões anteriores
Contudo, este não foi o único momento em que Castro falou da catástrofe que se aproximava. Após a 
cúpula da ONU, realizada no Rio de Janeiro, muitos outros discursos aconteceram, entre eles o de 30 
de junho de 1999, quando o Brasil também definiu o tipo de mundo que é necessário para a 
sobrevivência da humanidade.
"Um mundo que pode ter um pouco de água potável; um mundo que tem o ar que pode respirar; um 
mundo que pode adquirir os alimentos necessários; um mundo que com sua rica tecnologia é capaz 
de produzir os telhados que as pessoas precisam para viver, as escolas que as crianças precisam para 
se educar, os medicamentos para preservar a saúde de seus habitantes, a assistência médica 
indispensável para todos, crianças, jovens e idosos", disse Castro.
Além disso, durante a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e à Seca em 
2003, o então líder cubano voltou a atacar as sociedades de consumo e advertiu que nas próximas 
cinco ou seis décadas "as reservas de combustíveis fósseis se esgotarão".
As reflexões de Castro, já naquela época, adverte que um dia a humanidade tomará consciência deste 
problema, "embora isso possa ser tarde demais".

Em vídeo, Bolsonaro chama Brasil de “lixo”, diz que Amazônia “não é mais nossa” e agride negros

Em um vídeo sem data, gravado antes das eleições, que voltou a circular nas redes sociais 
diante da crise da Amazônia, Jair Bolsonaro chama o Brasil de “lixo” e afirma que “só uma 
pessoa que não tem qualquer cultura diz que a Amazônia é nossa. Não é mais nossa”. Na 
sequência, depois de uma menção negativa aos hatianos, completa: "eu nunca vi japonês 
pedindo esmola; é uma raça que tem vergonha na cara". Assista
247 - Em um vídeo sem data, gravado antes das eleições, que voltou a circular nas redes sociais 
diante da crise da Amazônia, Jair Bolsonaro chama o Brasil de “lixo” e afirma que “só uma pessoa 
que não tem qualquer cultura diz que a Amazônia é nossa. Não é mais nossa”. Na sequência, depois 
de uma menção negativa aos hatianos, completa: "eu nunca vi japonês pedindo esmola; é uma raça 
que tem vergonha na cara".
“Eu vejo imbecis dizendo: ‘Olha a França, que coisa linda, uma seleção multirracial. Vamos colocar 
10 milhões aqui de venezuelanos ou do pessoal do norte da África pra ser campeão quem sabe em 
2022 ou 2026. Que legal. A gente bota mais 20 milhões aqui dentro, com uma política 
completamente diferente, como encheram de haitiano em São Paulo”, diz Bolsonaro.
O presidente fazia alusão à seleção de futebol da França, que conta com vários jogadores imigrantes.
Na sequêcia, completa: E completa: "eu nunca vi japonês pedindo esmola; é uma raça que tem 
vergonha na cara".
“No plenário, um petralha gritou: ‘Se fosse da Suécia, você não estava criticando’. Eu falei: Imbecil, 
tu acha que o da Suécia vai querer vir pra esse lixo aqui?”, declarou Bolsonaro, se referindo ao Brasil.
Os governo brasileiro e francês etão em crise diplomática por causa do desmatamento acelarado da 
Amazônia. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) havia alertado que a destruição em 
junho cresceu 88% e em julho 278% na comparação com iguais períodos de 2018.
O presidente da França chamou Bolsonaro de mentiroso em relação a compromissos ambientais. O 
ocupante do Planalto afirmou que só volta a falr com Macron depois que o europeu se retratar.
O mandatário brasileiro classificou o francês como um político de "esquerda" - Macron é, na 
verdade, de centro-direita. "Essa inverdade do Macron ganhou força porque ele é de esquerda e eu 
sou de centro-direita", disse Bolsonaro. 

DOSSIÊ PARÁ: Queimadas quadruplicam em assentamento mais incendiado do Pará


Nossa reportagem visitou uma das áreas públicas mais incendiadas no estado; aumento de 
queimadas no assentamento Terra Nossa coincide com o “dia do fogo”
ESPECIAL: AMAZÔNIA SEM LEI
Texto: Ciro Barros, Iuri Barcelos | Fotos: José Cícero da Silva
PDS teve alta de 319% nos focos de incêndio em relação a agosto do ano passado
Além disso, é a terceira área mais incendiada em comparação a assentamentos, terras indígenas e unidades de conservação no Pará
Incêndio milimétrico atingiu terra de assentada que faz divisa com fazenda ilegal
No Pará, o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Terra Nossa, assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), foi o mais atingido pelas queimadas que tomaram a Amazônia em agosto, mês que já registra a maior média de focos de incêndio dos últimos 21 anos. Encravado entre as áreas rurais das cidades de Novo Progresso e Altamira, que ocupam posições de destaque no ranking de municípios com maior registro de fogo na recente onda de queimadas, o PDS é o assentamento que mais sofreu incêndios neste mês e no acumulado de 2019, de acordo com um levantamento da Agência Pública feito com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O PDS, que atualmente abriga cerca de 300 famílias, teve 197 focos de incêndio em seu interior neste mês: alta de 319% em relação a agosto de 2018, quando ocorreram 47. De cada seis queimadas que ocorreram em assentamentos em solo paraense no mês, uma foi no interior do Terra Nossa. Além disso, o PDS é a terceira área mais incendiada em agosto em comparação a assentamentos, terras indígenas e unidades de conservação no estado. “O PDS e a Floresta Nacional [Flona] do Jamanxim foram as áreas públicas que registraram mais incêndios na nossa jurisdição”, afirmou à Pública o procurador federal Paulo de Tarso Moreira, do Ministério Público (MPF) em Itaituba, que atua na região sudoeste do Pará.
Queimadas no assentamento coincidem com “dia do fogo”
José Cícero da Silva/Agência Pública
Br-163, entre Itaituba e Novo Progresso, no sudoeste do Pará, registrou a maior parte de focos de incêndio no estado
O PDS e a Flona também estão na área de influência da BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), um dos principais corredores de escoamento de soja do país. O entorno da BR-163 foi uma das regiões onde houve a maior incidência de queimadas neste mês no Pará, segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do estado.
No último dia 5 deste mês, o jornal Folha do Progresso noticiou que fazendeiros estavam organizando um protesto – que ganhou a alcunha de “dia do fogo” – para “chamar atenção das autoridades”, já que na região o avanço da produção acontecia “sem apoio do governo”. Segundo a publicação, a manifestação marcada para 10 de agosto consistia em “acender fogos em limpeza de pastos e derrubadas”. “Precisamos mostrar para o presidente [Jair Bolsonaro] que queremos trabalhar e o único jeito é derrubando. E para formar e limpar nossas pastagens, é com fogo”, disse um fazendeiro ouvido pelo jornal sob anonimato. Os dados do Inpe mostram que as queimadas explodiram no entorno da BR-163 justamente a partir do anúncio do “dia do fogo”.
Um levantamento realizado pela Pública revela que também a partir de 10 de agosto o PDS Terra Nossa passou a ter aumento dos focos de incêndio. Dados do Inpe indicam que em 9 de agosto foram registradas sete queimadas no interior do projeto de assentamento. Já no dia 10, os focos mais que quadruplicaram: foram 31 queimadas. No dia 11, houve 35 queimadas e, a partir de então, as queimadas diminuem.

A Polícia Federal (PF) investiga as circunstâncias da realização do “dia do fogo” e a possível participação de fazendeiros no ato – líderes de entidades de classe de Altamira e Novo Progresso negaram qualquer participação.
Segundo o MPF, existe um histórico de articulação de lideranças de produtores rurais de Novo Progresso contra autoridades ambientais. Em agosto de 2017, por exemplo, foi deflagrada a Operação Onda Verde, do Ibama, que coibiu a atuação de madeireiros e garimpeiros ilegais na área rural de Novo Progresso. Após a operação, viaturas do órgão de fiscalização ambiental foram incendiadas. A PF encontrou indícios de orquestração da queima de viaturas por lideranças rurais locais por meio das redes sociais, o que também foi apontado como método utilizado no “dia do fogo” em reportagem da Globo Rural. “As queimas foram articuladas por meio das redes sociais e do WhatsApp. Então já há um histórico desse tipo de articulação na região”, afirma o procurador federal Paulo de Tarso Moreira.

Cenário assustador
José Cícero da Silva/Agência Pública
Reportagem da Pública registrou o avanço do fogo na região de Novo Progresso, no sudoeste do Pará
O cenário é assustador ao longo de todo o trecho da BR-163 entre Itaituba e Novo Progresso até chegar ao PDS Terra Nossa. Por entre a mata verde, foi possível constatar que existem grandes extensões de florestas reduzidas a cinzas. A fumaça encobre a visibilidade na estrada, irritando olhos e narizes dos motoristas que por ali transitam. Mesmo em áreas protegidas como a Flona Jamanxim labaredas de um amarelo vivo iluminaram por diversas vezes o caminho da reportagem até o assentamento.
Ao longo da extensão do PDS, que também margeia a BR-163, o cenário é de continuidade em relação às queimadas observadas na estrada. No assentamento, localizado em área protegida pela Constituição e destinada ao uso sustentável, o fogo não poupou nem mesmo os topos dos morros, classificados como Áreas de Preservação Permanente (APPs) no Código Florestal. A maioria dos focos de incêndio encontrados pela reportagem concentra-se nas muitas fazendas que estão ilegalmente no interior do projeto de assentamento.
Os incêndios ocorreram no interior das fazendas, sobretudo em áreas que ainda apresentavam cobertura vegetal e estavam contíguas aos pastos. No entanto, as queimadas atingiram também os pequenos agricultores residentes no PDS. Segundo relatos, pelo menos três ocupantes dos lotes de reforma agrária tiveram suas casas incendiadas.
A região é historicamente marcada por conflitos pela posse da terra. Existem ao menos 130 fazendas no interior do projeto de assentamento. Entre elas estão propriedades irregulares, algumas passíveis de regularização, que já estavam lá quando da criação do PDS em 2006, e áreas griladas, abertas por fazendeiros após a destinação da área de 149 mil hectares do projeto; uma extensão destinada à reforma agrária quase equivalente à da cidade de São Paulo.
Em uma vistoria in loco finalizada em 2018, o Incra identificou 76 fazendas ilegais no interior do PDS que, ao contrário das fazendas irregulares, não são passíveis de regularização. Segundo o órgão, elas deveriam ser retomadas pelo patrimônio da União para receber pessoas que atendam aos critérios da reforma agrária. Além disso, existem áreas detidas por fazendeiros que somam milhares de hectares, algo completamente fora dos parâmetros do público-alvo dos assentamentos.
“Se quisessem fazer alguma coisa, que fizessem comigo”
José Cícero da Silva/Agência Pública
Antônia Ribeiro: o gado não tem como se alimentar no pasto e passa o dia entre as cinzas aguardando o capim nascer
Alguns agricultores afirmaram à Pública que as queimadas foram criminosas, provocadas, sobretudo, por funcionários de fazendas vizinhas. Em alguns casos, o fogo vai até o limite das cercas das grandes propriedades. É o caso da agricultora Antônia Ribeiro de Carvalho Souza, que enche os olhos d’água com a cena que se apresenta em seu lote.
Sobre o chão negro, coberto de cinzas, suas vacas e bezerros lutam para encontrar uma sobra de pasto para comer após o incêndio que destruiu boa parte de sua propriedade. “Se quisessem fazer alguma coisa, que fizessem comigo, mas não com uns [animais] inocentes desses que agora não têm nem como comer”, lamenta. Do antigo pasto, o que não foi consumido pelo fogo perdeu-se pela seca. Os animais amontoam-se nas poucas sombras restantes para escapar do sol escaldante do meio dia – o fogo consumiu também árvores próximas, como os pés de coco babaçu, que ela usava como fonte de renda. Próximo a um enorme tronco de castanheira ainda fumegante, mesmo após 11 dias do incêndio, Antônia mostra um bezerro recém-nascido e conta que o animal está em fase de amamentação, mas que a mãe está dando pouco leite por falta de alimento, já que o capim foi quase todo queimado. “Estamos mantendo ele só na ração”, diz.
O PDS Terra Nossa, no sudoeste do Pará…
A agricultora fez um boletim de ocorrência na Polícia Civil de Novo Progresso para documentar o incêndio em sua casa, ocorrido no último dia 13 deste mês. “Deixei minhas criações aqui no corredor [estrada vicinal] e corri para a delegacia para fazer o registro”, diz. Antônia pediu auxílio ao filho para não perder os animais, mas não conseguiu salvar um dos bezerros, que acredita ter sido consumido pelas chamas.
Antônia é vizinha de cerca de um fazendeiro que ocupa irregularmente a área do PDS, destinado a assentados de reforma agrária. Mesmo em uma área alta, acometida por fortes ventos, o fogo teve precisão milimétrica. O fogo só atingiu os limites do lote de Antônia. Há pontos da divisa entre o lote e a fazenda em que o fogo chegou a cruzar a cerca, mas não atingiu o pasto vizinho, repleto de capim seco e cabeças de gado. “Para mim, foi um incêndio criminoso. Só quem não conhece pra achar que o fogo ia parar justamente no limite da cerca com esse tanto de capim do outro lado”, afirma.
Segundo relatos de outros assentados, há pelo menos outros dois agricultores que tiveram seus lotes incendiados no interior do PDS. Para eles também, os incêndios tiveram caráter criminoso. O MPF afirmou que há fartas evidências de queimadas criminosas. “Sobre o caráter criminoso dos incêndios, há vários indícios realmente que dão azo à instauração de uma investigação formal”, afirmou o procurador Paulo de Tarso Oliveira. “Há muitas queimadas sendo realizadas fora de áreas de ocupação consolidada, como fazendas. E grande incidência de incêndios em áreas públicas.”

Reação a Bolsonaro: mais de 18 marcas, como Timberland, Vans e Kipling, suspendem compra de couro brasileiro


Marcas internacionais como Timberland, Vans e Kipling suspenderam a compra de couro 
brasileiro. A decisão das marcas é uma reação à devastação da Amazônia promovida pelo 
agronegócio com incentivo de Jair Bolsonaro. Não se sabe ainda o prejuízo que a decisão 
acarretará nos negócios do setor, mas a repercussão da decisão de grifes globais representa 
mais um duro golpe no governo Bolsonaro em todo o mundo.
247 - Marcas internacionais como Timberland, Vans e Kipling suspenderam a compra de couro 
brasileiro. A decisão das marcas é uma reação à devastação da Amazônia promovida pelo 
agronegócio com incentivo de Jair Bolsonaro.
Não se sabe ainda o prejuízo que a decisão acarretará nos negócios do setor, mas a repercussão da 
decisão de grifes globais representa mais um duro golpe no governo Bolsonaro em todo o 
mundo."Recentemente, recebemos com muita preocupação o comunicado de suspensão de compras 
de couros a partir do Brasil de alguns dos principais importadores mundiais. Este cancelamento foi 
justificado em função de notícias relacionando queimadas na região amazônica ao agronegócio do 
país", disse o presidente da CICB, José Fernando Bello, no documento enviado pela entidade ao 
ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. 
O ex-candidato a presidente Fernando Haddad criticou a postura do governo:

Procuradora da Lava Jato reconhece autenticidade da Vaza Jato e pede desculpas a Lula

Numa atitude digna, a procuradora Jerusa Viecili pediu desculpas ao ex-presidente Lula, que 
vem sendo mantido como preso político há mais de 500 dias, por ter ironizado a morte de seus 
parentes. "Errei. E minha consciência me leva a fazer o correto: pedir desculpas à pessoa 
diretamente afetada, o ex-presidente Lula", escreveu a procuradora. Seu gesto é mais uma 
comprovação de que os diálogos da Vaza Jato são verdadeiros.
247 - Confirmando a veracidade do conteúdo revelado pela Vaza Jato, a procuradora Jerusa Viecili, 
da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, usou a sua página nas redes sociais na noite desta terça-
feira (27) para fazer um pedido de desculpas a Lula pelos comentários feitos em um grupo de 
mensagens sobre a morte de familiares do ex-presidente.
"Errei. E minha consciência me leva a fazer o correto: pedir desculpas à pessoa diretamente afetada, 
o ex-presidente Lula", escreveu a procuradora em seu Twitter.
Cerca de uma hora após reconhecer o erro, a procuradora voltou ao Twitter para dizer que o 
reconhecimento de uma mensagem não autentica o conjunto de revelações da Vaza Jato.
Jerusa aparece em mensagens reveladas pela série de reportagens do The Intercept em que 
procuradores ironizam a morte do neto Arthur Lula da Silva, de 7 anos, falecido no dia 1 de março 
deste ano.

LAVAJATEIROS ENTRAM EM PÂNICO COM A CHANCE DE O STF SOLTAR LULA


Caso Bendine abre precedente
A assim chamada força-tarefa da Operação Lava Jato entrou em pânico após o Supremo Tribunal 
Federal (STF) decidir pela anulação da condenação do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine 
pelo ex-juiz (sic) Sergio Moro, sob o argumento de que as defesas apresentaram alegações finais nos 
mesmos prazos, sem distinção entre réus colaboradores (delatores) e demais réus acusados 
(delatados).
É o que revela reportagem de Felipe Bächtold na Fel-lha desta quarta 28.
Os lavajateiros dizem que a decisão do STF abre caminho para anular a maior parte das condenações 
feitas no âmbito da operação.
Outro caso em Curitiba que também já teve sentença na primeira instância é o do sítio de Atibaia - 
aquele que não é do Lula. Nele, assim como no de Bendine, a apresentação das alegações finais 
ocorreu nos mesmos prazos, o que agora é questionado.
Vale lembrar que em novembro do ano passado a juíza (sic) Gabriela Hardt fixou prazo de "dez dias 
para as defesas" se manifestarem, sem diferenciar delatores e delatados.
A defesa de Lula já afirmou ter visto semelhanças entre o caso de Bendine e o de Lula.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

PARTIDO SÓ LARANJAS: Major Olímpio enfrenta chuva de processos e denúncias de venda de cargos no PSL

Major Olímpio (PSL-SP) é acusado de cobrar até R$ 1 milhão por cargos em diretórios 
municipais
O senador Major Olímpio (PSL-SP) e o Diretório Estadual de São Paulo do Partido Social Liberal encontram-se neste momento em verdadeira guerra jurídica com membros e diretórios municipais da própria sigla. O parlamentar e a legenda são acusados de inúmeras irregularidades e até crimes, entre eles intervenções irregulares em diretórios municipais com destituição de diretorias e cobrança de propina em troca de cargos de comando na legenda.
Do final do ano passado até hoje, pelo menos quatro diretórios municipais do PSL-SP foram destituídos (Itu, Araraquara, Americana e Rio Claro) pela diretório estadual, que é presidido atualmente pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro. Todos eles entraram na Justiça denunciando uma suposta destituição ilegal, e um deles já obteve ganho definitivo de causa (Americana).
Nesses e em outros processos em que membros do PSL enfrentam Major Olímpio ou o partido, o que existe em comum é a narrativa de uma espécie de guerra civil dentro da legenda, tendo as lideranças municipais, de um lado, e o diretório estadual, corporificado na figura do senador, que o presidiu por dois anos até 25 de abril de 2019, do outro.
Áudios de WhatsApp com denúncias e xingamentos, vídeos e artigos publicados em fóruns da Direita paulista e ameaças de revelações de fatos ainda piores completam o quadro, conforme mostram documentos e peças de processos em tramitação na Justiça de São Paulo, aos quais a reportagem do DCM teve acesso.
Senador processa Valéria Bolsonaro e é acusado de cobrar 
propina por cargos
A deputada estadual Valéria Bolsonaro (PSL-SP) é parente distante do presidente da República, mas foi o sobrenome que garantiu a eleição da professora da rede pública de Campinas ao seu primeiro cargo eletivo, em outubro passado.
Conforme consta no processo 1006940-52.2019.8.26.0016, que o senador Olímpio move contra ela, a deputada enviou, em 18 de novembro do ano passado, a um grupo de WhatsApp com membros do PSL-SP duas mensagens de áudio afirmando que o major “não tem dignidade, não possui hombridade e é uma pessoa sem palavra”. Os áudios estão anexados no processo.
Já no dia 25 de maio deste ano, em novas mensagens de áudio também anexadas no processo, trocadas entre a deputada e um de seus assessores, Valéria Bolsonaro defende “a necessidade de ‘pulverização’ de campanha contra Olímpio”.
Conforme também consta no processo judicial, em outros áudios a deputada diz ter dado a ideia de fazer a população se colocar contra o senador nas redes sociais, em razão de supostas pessoas que Olímpio teria designado para diretórios municipais, no período em que presidiu o diretório estadual do PSL.
Major Olímpio acusa a deputada de ter orquestrado a dita campanha contra ele em diretórios de municípios da região de Campinas e Americana, mas de uma forma que não fosse descoberta como autora da orquestração, como se pode ver no trecho abaixo.
Major Olímpio pede indenização na Justiça por ser, segundo alega, vítima de uma campanha 
difamatória
A deputada Valéria Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o assunto, mas está dentro do prazo concedido pela Justiça para fazê-lo.
Grupos ligados ao PSL na mesma região paulista também publicaram acusações contra Olímpio, e também o enfrentam na Justiça. Em 15 de janeiro de 2019, um grupo intitulado “Via Direita Nacional BR”, através de sua página no Facebook, afirmou que “deputados e achegados (sic) do Major OLIMPIO estão negociando o partido com políticos corruptos e esquerdalhas”.
Grupo de Direita afirmou ter recebido “muitas denúncias contra o Major Olímpio”
O grupo Via Direita é coordenado por dois membros do PSL, Nilson Kennedy e Felipe Zaneti. Os dois também são processados por Olímpio. Eles publicaram, também em janeiro, um vídeo no Facebook em que imputaram uma série de crimes ao senador.
De acordo com os acusadores, o major vende a direção municipal do partido em cidades do interior paulista por valores que vão de R$ 300 mil a R$ 1 milhão, conforme se pode ler na transcrição de suas falas em vídeo publicado no Facebook, constantes no processo judicial 1004227-46.2019.8.26.0100, que tramita na 43ª Vara Cível de São Paulo. O que se lê abaixo é transcrição literal do processo judicial, com as incorreções ortográficas de origem. As partes em negrito foram destacadas pela reportagem.
– Vocês, cambada de canalhas que sair se apoderando do PSL, vagabundos e vagabundas, que ao invés de vocês querer se perpetuar no poder, negociando, negociando e fazendo maracutaia e diretório de partido pelas cidades, vocês convença o povo chegando lá no Congresso, cinquenta e dois (deputados eleitos) e renunciando esse montão de barbaridades, é ai que vocês vão se perpetuar no poder;
– Entendeu Major Olimpio? […]
– E não fazendo maracutaia os diretórios entregando os diretórios das cidades do estado de São Paulo e as cidades de vários estados do Brasil, na mãos de bandidos, como nós a partir de hoje vamos começar a denunciar; […]
– Você sabia que diretório de cidade é a porta aberta para os bandidos corruptos entrarem no partido e acabarem com esse partido?
– Você sabia que diretório da cidade é vendido por trezentos mil, quinhentos mil, um milhão de reais conforme a cidade e quem emboça esse dinheiro é deputado federal? É deputado estadual que racha! E é isso que está sendo feito no PSL!!
Os dois membros do PSL que proferem as acusações ainda não se manifestaram no processo, mas Olímpio obteve decisão provisória para que o vídeo fosse retirado do ar.
Já o grupo Direita Americana-SP acusou o senador de estar “loteando os diretórios municipais do PSL com amigos e políticos oportunistas”, relacionando-o à “Velha Política”.

As destituições de diretórios e a guerra na Justiça por cargos
Os diretórios municipais de pelo menos quatro municípios do interior paulista, Itu, Araraquara, Americana e Rio Claro, foram destituídos pelo diretório estadual do partido, e entraram na Justiça para tentar reverter a decisão. Os números dos processos são: 1002557-70.2019.8.26.0100, 1007925-12.2019.8.26.0019, 1008804-62.2019.8.26.0037 e 1007051-02.2019.8.26.0286.
Em todas as ações, a narrativa é a mesma: o diretório estadual do partido, seja enquanto este era presidido por Major Olímpio, até abril deste ano, ou seja durante o comando de Eduardo Bolsonaro, que segue até hoje, destituiu os diretórios municipais sem a observância do estatuto interno da legenda nem o direito a ampla defesa das diretorias excluídas dos cargos que ocupavam.
Por serem processos recentes, apenas em um deles, no município de Americana, já houve uma decisão definitiva, posto que não foi contestada pelo diretório estadual. Lá, no dia 7 deste mês, a juíza Fabiana Calil Canfour de Almeida, da 1ª Vara Cível, determinou a restituição da diretoria original:
Ocorre que o requerido promoveu a inativação do partido autor (diretoria do PSL de Americana), por ato unilateral, sem observação do estatuto partidário, de deliberação da Comissão Executiva Estadual, sem a convocação de assembleia para deliberação, não tendo sido assegurado ao autor o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal. (…)
DETERMINO que o requerido, no prazo de 05 dias, regularize a situação do Diretório Municipal de Americana para “anotado”, estabelecendo assim suas prerrogativas e funções; e se abstenha de nomear outro Diretório ou mesmo Comissão Provisória na cidade Americana
Trecho de decisão da Justiça para restabelecer diretório do PSL em Americana (SP). O 
diretório estadual decidiu não recorrer
Novas decisões acerca dos diretórios das outras cidades deverão ser publicadas nos próximos meses ou mesmo semanas. O que está em jogo são as vagas para as eleições municipais do ano que vem. Até lá, mais áudios e denúncias deverão surgir. Por ora, o que se nota é que, no PSL de São Paulo, assim como no governo federal, os hábitos da “Velha Política” parecem só ter desaparecido nas propagandas oficiais.