quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

NICOLAS MADURO TOMA POSSE PARA SEGUNDO MANDATO


Maduro deve ficar no poder até 2025. 
Nicolás Maduro prestou juramento para seu segundo mandato na presidência na Venezuela nesta
quinta-feira (10). A cerimônia aconteceu no Supremo venezuelano, porque a Assembleia Nacional, 
que é dominada pela oposição, não reconhece a legitimidade da sua reeleição. Ele deve ficar no 
poder até 2025.
Logo após prestar juramento, já com a faixa presidencial, Maduro criticou opositores em discurso. 
Segundo ele, a Venezuela está no "centro de uma guerra mundial", conflito que, segundo ele, é 
travada por "governos satélites dos Estados Unidos".
"Não há um só país onde não haja uma campanha persistente, diária, permanente, de 20 anos de 
manipulação contra o comandante [Hugo] Chavez e este humilde trabalhador", declarou Maduro.

Nicolás Maduro presta juramento no Supremo Tribunal da Venezuela durante cerimônia de 
posse — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Em seu discurso, o mandatário afirmou que a "Venezuela é uma democracia sólida, profunda, 
popular, e revolucionária da classe trabalhadora, dos humildes, dos trabalhadores, do povo e não uma 
democracia de elites nem de magnatas".
Maduro também afirmou que o país latino-americano é uma "democracia em construção para uma 
viosão socialista, comunal e revolucionária".
O presidente ainda criticou Jair Bolsonaro, afirmando que o mandatário brasileiro "é um fascista" 
contaminado pela direita venezuelana.
Em seu discurso de juramento, o presidente venezuelano citou o ex-presidente Hugo Chávez e 
Simón Bolívar, heroi da independência do país.
"Juro em nome do povo da Venezuela, juro pelo legado de nossos antepassados. Juro pelo legado de 
nosso amado comandante Hugo Chávez, juro pelos filhos da Venezuela, juro que não vou dar 
descanso ao meu braço ou descansar minha alma", disse.
Além disso, o presidente prometeu cumprir "todos os postulados da Constituição da República 
Bolivariana da Venezuela para tentar defender a independência absoluta do país e construir o 
socialismo do século XXI".
Nicolás Maduro inicia seu segundo mandato consecutivo como chefe de Estado em 10 de janeiro. O 
mandatário venceu as eleições presidenciais em maio de 2018 com mais de 67% dos votos.
O presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, participa da cerimônia de posse de Nicolás Maduro 
em Caracas — Foto: Yuri Cortez/AFP
Estão presentes os líderes da Bolívia, Evo Morales; da Nicarágua, Daniel Ortega; de Cuba, Miguel 
Díaz-Canel; e de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén. No Brasil, a deputada federal eleita e 
presidente do PT, Gleisi Hoffmann, confirmou sua presença.
De acordo com o jornal “El Universal”, também estão presentes: o secretário-geral da Organização 
dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e delegações de Irã, Trinidad e Tobago, Irlanda, 
Bielorrússia, Rússia, Argélia e África do Sul. O vice-presidente da Turquia, Fuat Oktay, também 
acompanha a cerimônia.
Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, chega para a cerimônia de posse de Nicolás Maduro, 
em Caracas — Foto: Yuri Cortez/ AFP
Maduro conta com o apoio do Supremo e a “lealdade absoluta” da Força Armada Nacional 
Bolivariana, declarada pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino.
Contrariando a Constituição, o juramento não foi feito perante a Assembleia Nacional, de maioria 
opositora: assim como o órgão não reconhece a legitimidade de sua eleição, Maduro também não 
aceita a autoridade da Casa e considera que o Parlamento está em “situação de desacato”.
Capital mobilizada para posse
Caracas e outras cidades do país amanheceram com agentes da Força Armada Nacional nas ruas, de 
acordo com o jornal “El Universal”. Na capital, há reforço de segurança no entorno da sede do 
Supremo e em estações de metrô.
Os apoiadores do presidente estão concentrados em diversos pontos no centro da capital venezuelana 
para presenciar o evento, como mostrou a Telesur, TV multiestatal com sede na Venezuela. De 
acordo com a agência Reuters, ativistas da oposição convocaram protestos para esta quinta-feira.

Membros da Milícia Nacional Bolivariana reforçam segurança em área próxima à cerimônia 
de posse de novo mandato do presidente Nicolás Maduro — Foto: Manaure Quintero/Reuters
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que foi reeleito em 20 de maio de 2018, com 68% dos 
votos, tomará posse nessa quinta-feira (10). A cerimônia será dividida em três eventos. O ato 
principal é o juramento à Constituição que será feito no Supremo Tribunal de Justiça.
Depois, o presidente fará uma atividade na Academia Militar da Venezuela, no Forte Tiuna, onde 
receberá o reconhecimento do comandante e chefe da Força Armada Nacional Bolivariana. Nas duas 
atividades haverá participação da população venezuelana. Do lado de fora do Tribunal, foram 
armadas arquibancadas e telões.
Na sexta-feira (11), o presidente realizará um juramento na Assembleia Nacional Constituinte, órgão 
que convocou as eleições presidenciais. Nessa ocasião, o presidente vai prestar contas do último ano 
do mandato anterior e irá apresentar seu plano de governo para o período 2015-2019 e anunciar as 
novas medidas econômicas.
O clima em Caracas, capital do país, é de normalidade. A oposição venezuelana não convocou 
nenhum ato de protesto, apesar das reiteradas críticas ao governo de Nicolás Maduro. Os únicos 
pontos incomuns foram a chegada das delegações internacionais, que lotaram os hotéis nos últimos 
dois dias, e o forte esquema de segurança na cidade. Os protocolos para acessar os órgãos do 
governo, especialmente no caso do Palácio Presidencial de Miraflores, também se tornaram mais 
rigorosos.
Retrospectiva eleitoral
A Constituição venezuelana estabelece que a cada seis anos deve ser realizada a eleição presidencial, 
mas sem definir o mês. Tradicionalmente, o pleito ocorre no final do ano, entre outubro e dezembro. 
No entanto, diante de uma situação de crise entre o governo e a oposição composta por partidos de 
direita, a Assembleia Nacional Constituinte, eleita em julho de 2017, decidiu convocar as eleições 
para o mês de maio de 2018. Adiantar o processo foi uma saída política para decidir nas urnas as 
disputas do país.
Uma parte da oposição, conformada pelos três maiores partidos direitistas – Ação Democrática, 
Primeiro Justiça e Vontade Popular –, decidiu não participar da eleição, alegando que não havia 
garantias de que o processo seria justo e democrático.
Por outro lado, o partido Avançada Progressista, que representa a quarta força política no campo 
opositor, decidiu participar da disputa, afirmando que as condições democráticas estavam dadas e 
que são as mesmas das eleições de 2015, em que a oposição ganhou a maioria das vagas da 
Assembleia Nacional.
Assim, o partido inscreveu o candidato Henri Falcón, ex-governador do estado de Lara e, hoje, o 
principal opositor do atual presidente venezuelano, Nicolás Maduro, do Partido Socialista Unidos da 
Venezuela (PSUV).
Essa foi a quarta eleição realizada em menos de um ano. As outras foram a da Assembleia Nacional 
Constituinte, a eleição de governadores, em outubro de 2017, com ampla participação de todos os 
partidos políticos opositores. Foram eleitos 23 governadores, sendo apenas 4 opositores. Em 
dezembro desse mesmo ano foram realizadas eleições para os prefeitos dos 335 municípios 
venezuelanos. Uma vez mais os partidos Ação Democrática, Primeiro Justiça e Vontade Popular 
decidiram não participar oficialmente, mas muitos de seus correligionários concorreram através de 
partidos menores. O partido chavista PSUV venceu em 300 municípios e os opositores em 35. 

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