quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

FILHO DE MPURÃO QUIS DESISTIR DA MAMATA NO BB, MAS O PAI NÃO DEIXOU....“É MÉRITO SEU, PÔ”


Com a promoção, que aconteceu cinco dias depois de Mourão assumir a vice-presidência do 
Brasil, Antônio Hamilton vai triplicar o salário para exercer a mesma atividade, além de dar 
conselhos ao presidente do banco. Caso gerou revolta entre funcionários.
Após a repercussão negativa de sua promoção à assessor da Presidência do Banco do Brasil dias
após o pai, o general Hamilton Mourão, tomar posse como vicê-presidente do país, Antônio 
Hamilton Rossell Mourão pensou em desistir do cargo, mas foi desencorajado pelo militar.
“Obviamente que ele não está acostumado com isso, ficou chateado, pensou em não aceitar, em 
renunciar, por causa da repercussão. Eu disse pra ele: ‘Não, meu filho, isso aí é mérito seu e 
acabou, pô’”, disse o general em entrevista a Fábio Victor, publicada nesta quarta-feira (9), no site 
da revista Piauí.
Segundo a reportagem, o vice-presidente afirmou que está descartada a renúncia do filho ao cargo,
que lhe garantiu um salário de R$ 36,3 mil – três vezes maior do que recebia anteriormente. “Falei 
pra ele que não, negativo. ‘Isso é uma coisa que é sua, lhe pertence, e acabou'”.
Com a promoção, que aconteceu cinco dias depois de Mourão assumir a vice-presidência do Brasil
Antônio Hamilton vai triplicar o salário para exercer a mesma atividade, além de dar conselhos ao 
presidente do banco. Caso gerou revolta entre funcionários.
“Meu filho, Antônio, ingressou por concurso no BB há 19 anos. Com excelentes serviços, conduta 
irrepreensível e por absoluta confiança pessoal do Presidente do Banco foi escolhido por ele para sua 
assessoria. Em governos anteriores, honestidade e competência não eram valorizados”, tuitou 
Mourão sobre o filho, que ocupava há 11 anos a assessoria da área de agronegócio, com salário de 
O FILHO DE MOURÃO E O IRMÃO DE JOSÉ ALENCAR: 
DOIS CASOS EXEMPLARES
Ricardo Kotscho
“Cada grupo de interesse pegou um pedaço, uma teta, sempre perguntando o que podia tirar. 
Nosso grupo tem outra mentalidade” (Paulo Guedes, ministro da Economia, ao dar posse a 
presidentes de bancos públicos no Palácio do Planalto).
No mesmo dia, o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, promoveu e triplicou o salário do
funcionário Antônio Hamilton Rossell Mourão, que passou a ganhar R$ 36,3 mil por mês.
Rossell Mourão vem a ser filho do general Hamilton Mourão, que tomou posse na vice-presidência
da República oito dias antes.
“Quando o vento era outro, ele era prejudicado. Agora, que o vento é a favor, ele foi favorecido por
suas qualidades”, justificou o papai Mourão, e deu o assunto por encerrado.
De fato, quando o vento era outro, no início do primeiro mandato de Lula, em 2003, houve um caso
semelhante no gabinete do vice-presidente José Alencar, que nomeou um irmão para o gabinete.
Só que a reação de Alencar, ao ser confrontado com as normas éticas do serviço público e as críticas
da imprensa, foi oposta à de Mourão:
Em vez de defender o parente, o vice de Lula imediatamente voltou atrás, e exonerou o irmão no dia
seguinte.
Lembro-me bem do episódio porque ajudei Alencar a redigir a nota em que ele comunicava sua
decisão.
E não se falou mais deste assunto na imprensa, tendo José Alencar completado seus oito anos de
mandato como vice com uma conduta impecável nos 398 dias em que assumiu a presidência da
República durante as viagens de Lula
Alencar também manteve em seu gabinete os assessores herdados de Marco Maciel, o vice de FHC,
porque eram funcionários de carreira, ao contrário do que fez agora o ministro Onyx Lorenzoni, que
demitiu 320 integrantes da Casa Civil, para “despetizar” o governo.
Quando assumi a Secretaria de Imprensa e Divulgação da PR, fiz como Alencar: mantive quase
todos os 70 funcionários que trabalhavam com a competentíssima Ana Tavares, que exerceu esta
função nos oito anos de FHC.
Fiz várias reuniões com eles durante a transição. Eram excelentes profissionais, funcionários de
carreira de diferentes órgãos do Estado, cedidos para a Presidência da República. Por que mudar o
que está funcionando bem?A ninguém perguntei em quem tinham votado e se eram filiados a algum
partido, bem diferente do que o governo Bolsonaro está fazendo agora. Até as secretárias ficaram
comigo.
São casos exemplares que demonstram comportamentos opostos dos governos diante da mesma
questão, revelando a hipocrisia de quem se arroga o monopólio da moral e dos bons costumes.
Até o momento em que escrevo, Paulo Guedes ainda não se manifestou sobre a “teta” gorda do
funcionário do Banco do Brasil, por acaso filho do general Mourão.
Dá para ver como “nosso grupo” tem mesmo outra mentalidade.
Como escreveu o internauta Pedro Luis Cândido, deve ser esta a “mouralização” do governo.
Vida que segue.

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