terça-feira, 12 de janeiro de 2016

CERVERÓ SOBRE FHC ERA UMA CILADA: A operação “Conta-Gotas” da Lava Jato chegou onde queria: acusar Lula


O método revela os fins

POR FERNANDO BRITO  

Está mais que claro que o “vazamento” dos termos da delação premiada é muito mais do que uma 
simples infração funcional de algum policial ou promotor da Lava Jato que, ansioso por “colocar na 
roda” os nomes mencionados e as acusações aparentemente sem qualquer prova do ex-diretor da 
Petrobras, Nestor Cerveró tivesse entregue a um ou mais repórteres.
Se tivesse sido isso, é óbvio que a primeira menção ,que iria para os jornais seria a que foi hoje, 
quatro dias depois de começarem a “pingar” os vazamentos, seria o conteúdo da tal delação na Folha 
de hoje: uma suposta “gratidão” do ex-presidente Lula a ele por ter “viabilizado” o pagamento de um 
empréstimo de R$ 12 milhões supostamente feito ao PT pelo Banco Schahin.
Que jornalista, de posse da delação integral, “guardaria” por alguns dias a “bomba”, ainda mais 
porque outros jornais também vinham publicando trechos da delação?
Nem vou tratar do estapafúrdio que seria entregar um contrato de US$ 1,6 bilhão como simples 
“pagamento” de um empréstimo que, em dólares de 2004 (quando a cotação variou entre R$ 3,65 e 
R$ 2,90), somaria US$ 3,67 milhões, ou 0,23% do prêmio supostamente da do à Schahin.
Prefiro ficar na eloquente cronologia dos vazamentos.
Há quatro dias, “vaza”. com grande alarde, o trecho em que o Ministro Jaques Wagner é citado como 
beneficiário de dinheiro, em 2006, de uma empreiteira – da qual Cerveró não se recorda o nome – 
que faria um prédio da Petrobrás em Salvador, cujas obras se iniciaram em dezembro de 2011 – 
cinco anos depois, portanto.
Depois, para sair na segunda – bem cedo – vaza o trecho em que Cerveró diz que houve uma propina 
de US$ 100 milhões para o Governo Fernando Henrique Cardoso na operação de compra das 
instalações da argentina Perez Companc. Como? Ah, Cerveró não diz e não parece, pelo documento, 
que sequer se lhe tenha perguntado.
Os leitores deste blog sabem que aqui, desde os primeiros vazamentos, questiona-se a falta de 
indícios de materialidade em tudo o que tem sido vazado.
Cumprida esta etapa e estabelecido o “doa em quem doer” de Cerveró, passa o vazador a dar o filé 
aos jornalistas: é hora de servir Lula!
A construção deliberada é tão evidente que salta aos olhos de qualquer um. Os jornais reproduzem 
apenas pequenos trechos da delação, o que, claro, parece confirmar que o “vazador” não lhes fornece 
o documento inteiro, mas os trechos “pinçados” que interessam para dirigir a mídia.
Que, com todo o prazer, entrega-se à Operação Conta-Gotas e se acumplicia aos objetivos políticos 
de seus mentores.
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