Foi uma ação e tanto para o governo mexicano, sendo que milhares de manifestantes protestavam, na
quarta-feira (5), na Cidade do México e em outras cidades, contra sua incapacidade de encontrar pistas
dos 43 estudantes que sumiram há mais de um mês em Iguala, no sudoeste do país.
dos 43 estudantes que sumiram há mais de um mês em Iguala, no sudoeste do país.
A polícia prendeu na terça-feira o ex-prefeito dessa cidade do Estado de Guerrero, José Luís Abarca, e
sua esposa, María de los Ángeles Pineda, os supostos mandantes do sequestro desses estudantes. Esse
casal “diabólico”, ligado ao crime organizado, mergulhou o país em uma verdadeira crise política, de
repercussões internacionais.
Na terça-feira, os fugitivos foram presos em uma casa abandonada de um bairro popular no leste da
Cidade do México, sem que nenhum tiro fosse disparado. Abarca e Pineda, elegantemente vestidos,
pareciam esperar por sua prisão, sentados em um colchão inflável.
O casal de 50 e poucos anos havia fugido dois dias depois de ter ordenado o ataque, no dia 26 de
setembro, de policiais e narcotraficantes contra uma centena de estudantes, resultando em seis mortos e
43 desaparecidos. Segundo a investigação, o prefeito teria temido que os alunos sabotassem um evento
público de uma instituição de proteção à infância, dirigida por sua esposa. Pineda, que acabara de ser
eleita conselheira regional do Partido da Revolução Democrática (PRD, esquerda), se preparava para
anunciar sua candidatura à sucessão de seu marido em 2015.
Esse caso tenebroso acabou com o nepotismo daqueles que os habitantes de Iguala apelidavam de
“casal imperial”. Ele comandava policiais municipais corruptos, desde que foi eleito em 2012 pelo
PRD, enquanto ela, irmã de três notórios narcotraficantes, dirigia as atividades do cartel dos Guerreros
Unidos em Iguala.
Esse conluio entre as autoridades locais e o crime organizado explica a fortuna acumulada por esse ex-
vendedor de chapéus de palha e sua exuberante esposa com jeito de manequim. Pais de três filhos, eles
comandavam um império de 17 propriedades em Iguala, incluindo luxuosas mansões, joalherias,
farmácias e um shopping center, e viviam em grande estilo, com suas roupas de grife.
Esse casal espalhava o terror em total impunidade nessa cidade de 130 mil habitantes. Segundo a
investigação, Abarca pagava o equivalente a quase R$ 500 mil por mês aos Guerreros Unidos, sendo
que uma parte ia para os assassinos desse cartel, que viraram policiais municipais para reprimir seus
opositores. Em 2013, uma queixa chegou a ser feita contra o prefeito pelo assassinato de um líder
camponês, Arturo Hernández Cardona.
“A prisão deles contribuirá para esclarecer a investigação”, disse já na terça-feira o presidente Enrique
Peña Nieto. A indignação dos mexicanos não para de crescer, diante de um caso que acabou revelando
a extensão da infiltração do crime organizado nas instituições públicas.
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sua esposa, María de los Ángeles Pineda, os supostos mandantes do sequestro desses estudantes. Esse
casal “diabólico”, ligado ao crime organizado, mergulhou o país em uma verdadeira crise política, de
repercussões internacionais.
Na terça-feira, os fugitivos foram presos em uma casa abandonada de um bairro popular no leste da
Cidade do México, sem que nenhum tiro fosse disparado. Abarca e Pineda, elegantemente vestidos,
pareciam esperar por sua prisão, sentados em um colchão inflável.
O casal de 50 e poucos anos havia fugido dois dias depois de ter ordenado o ataque, no dia 26 de
setembro, de policiais e narcotraficantes contra uma centena de estudantes, resultando em seis mortos e
43 desaparecidos. Segundo a investigação, o prefeito teria temido que os alunos sabotassem um evento
público de uma instituição de proteção à infância, dirigida por sua esposa. Pineda, que acabara de ser
eleita conselheira regional do Partido da Revolução Democrática (PRD, esquerda), se preparava para
anunciar sua candidatura à sucessão de seu marido em 2015.
Esse caso tenebroso acabou com o nepotismo daqueles que os habitantes de Iguala apelidavam de
“casal imperial”. Ele comandava policiais municipais corruptos, desde que foi eleito em 2012 pelo
PRD, enquanto ela, irmã de três notórios narcotraficantes, dirigia as atividades do cartel dos Guerreros
Unidos em Iguala.
Esse conluio entre as autoridades locais e o crime organizado explica a fortuna acumulada por esse ex-
vendedor de chapéus de palha e sua exuberante esposa com jeito de manequim. Pais de três filhos, eles
comandavam um império de 17 propriedades em Iguala, incluindo luxuosas mansões, joalherias,
farmácias e um shopping center, e viviam em grande estilo, com suas roupas de grife.
Esse casal espalhava o terror em total impunidade nessa cidade de 130 mil habitantes. Segundo a
investigação, Abarca pagava o equivalente a quase R$ 500 mil por mês aos Guerreros Unidos, sendo
que uma parte ia para os assassinos desse cartel, que viraram policiais municipais para reprimir seus
opositores. Em 2013, uma queixa chegou a ser feita contra o prefeito pelo assassinato de um líder
camponês, Arturo Hernández Cardona.
“A prisão deles contribuirá para esclarecer a investigação”, disse já na terça-feira o presidente Enrique
Peña Nieto. A indignação dos mexicanos não para de crescer, diante de um caso que acabou revelando
a extensão da infiltração do crime organizado nas instituições públicas.
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